Moda

Helô Rocha veste celebridades como Carolina Dieckmann e Anitta

Herdeira da Riachuelo, a estilista da grife Têca conquistou fashionistas e críticos de moda com seus vestidos coloridos, que custam quase 5 000 reais

Por: Adriana Ferreira Silva - Atualizado em

Helô Rocha - Têca
Helô Rocha e um modelo da coleção de inverno: estampa art nouveau (Foto: Fernando Moraes)

Quem passa em frente ao sobradinho número 1342 da Alameda Franca, nos Jardins, mal percebe o nome da butique Têca na casa de fachada recuada. As moças de olhar atento e ligadas em moda, no entanto, ficam vidradas nos vestidos coloridos expostos na vitrine e reconhecem ali peças usadas recentemente por Grazi Massafera, Carolina Dieckmann e Eliana, entre outras estrelas. A recorrência das roupas feitas pela estilista e proprietária da marca Helô Rocha entre as celebridades chegou ao auge na entrega no mês passado do prêmio Melhores do Ano, o Oscar do Domingão do Faustão. A cantora Anitta e a atriz Paolla Oliveira foram ao evento com o mesmo longo de mangas compridas, que só variou na cor: verde-musgo, para a primeira, e azul-marinho, na segunda. No dia seguinte, o modelo de 2 042 reais se esgotou na loja e havia fila de espera para ter um igual.

 

A coincidência (comentada à exaustão nas redes sociais) ocorreu porque a grife é hoje uma das preferidas dos stylists, profissionais responsáveis pelo guarda-roupa de famosas, que emprestam produtos da Têca para elas vestirem. “As criações da Helô têm identidade, além de serem românticas e sexy na medida”, justifica Yan Acioli, que cuida do visual de Anitta e Sabrina Sato. A cada empréstimo, tornam-se mais populares os vestidos confeccionados em seda, com estampas inspiradas em estilos como art déco e art nouveau, desejados por fashionistas e patricinhas cool, dispostas a pagar quase 5 000 reais por um deles. Das marcas nacionais, é hoje uma das mais caras.

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Esses preços põem Helô Rocha, de 33 anos, no ramo oposto ao de sua família paterna, acionista da rede de fast fashion Riachuelo. “Eu poderia trabalhar com meus tios e primos, mas sempre desejei ter uma carreira independente e autoral”, explica. Nascida em Porto Alegre e criada em Natal, elaveio para São Paulo aos 20 anos para estudar moda. Em 2005, lançou a primeira versão da Têca, batizada assim em homenagem à avó Terezinha Rocha. “Nessa época, as roupas eram curtas, quase para adolescentes. Meus clientes eram principalmente multimarcas japonesas”, conta. O investimento no mercado internacional ocorreu desde o início — além do Japão, hoje ela está num showroom em Nova York. Além disso, mantém uma filial em Natal.

A Têca se projetou quando deixou de lado os minivestidos e passou a investir em longos esvoaçantes, incrementados por técnicas como o devorê (processo químico que cria transparências no tecido), e se aplicou na pesquisa de estampas. “Amadureci, e o mesmo ocorreu com minhas roupas”, diz a estilista. Sua irmã, a cantora Roberta Sá, ajudou a difundir as peças, usando-as em shows. Mas a cantora que alçou Helô à fama foi Preta Gil. “Lembro de estar no camarim, após uma apresentação em São Paulo, e aquela garota, meio gordinha e de visual original, com um turbante na cabeça, me procurou e me convidou para conhecer sua loja”, diz Preta. “Fui e amei. Comprei presentes para Ivete Sangalo e Carolina Dieckmann, que também se tornaram clientes fiéis. Sou sua garota-propaganda”, assume a cantora.

+ Dia das Mães: presentes por faixa de preço, endereços para um almoço caprichado e muito mais dicas aqui

Os críticos também passaram a prestar atenção em Helô. “Ela começou meio tímida mas, nas duas últimas estações, chegou ao auge”, analisa a consultora de moda Costanza Pascolato, uma das que ocupam as primeiras fileiras de seus desfiles na SP Fashion Week. “Helô faz o estilo de que a brasileira gosta, com um pé nos anos 70 e uma pegada meio vintage, em roupas superfemininas, sem ser periguete.” É com esse “jeitinho” que Helô agora quer expandir a empresa para outros países do exterior. Recentemente, esteve em uma feira em Paris para negociar sua entrada nos mercados da França e da Inglaterra. Curiosamente (ou não), aos poucos, começou também a se aproximar da Riachuelo. No ano passado, assinou para a rede uma coleção a preços de até 289,90 reais. As peças se esgotaram rapidamente. “Quero repetir a dose num futuro próximo”, conta. “É uma forma de fazer um número maior de pessoas conhecer o meu trabalho.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO