Moda

Estilista André Razuk veste chefs de renomados restaurantes da cidade

Com sete costureiras em seu ateliê no Brooklin, estilista confecciona dólmãs para nomes como Bel Coelho, Tsuyoshi Murakami, André Mifano e Salvatore Loi

Por: Mariana Barros - Atualizado em

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André Razuk em seu ateliê, no Brooklin: mais de 200 clientes (Foto: Mario Rodrigues)

Bel Coelho, comandante das panelas do contemporâneo Dui, gosta do modelo em estilo oriental, com um nozinho e botões de pressão. Tsuyoshi Murakami, sócio do Kinoshita, adota a gola com detalhe em preto. Salvatore Loi, responsável pelas cozinhas dos restaurantes da grife Fasano, prefere a versão clássica, de dez botões frontais revestidos de tecido. André Mifano, do Vito, faz questão das mangas curtas e dos bolsos, onde guarda canetas e anotações.

O responsável por rechear sob medida o guarda-roupa de trabalho desses e de outros chefs-estrelas da cidade é André Razuk. Ele confecciona dólmãs, a roupa de origem militar que virou uniforme dos astros das caçarolas, confeiteiros e padeiros no mundo todo. O popular jaleco. Em seu ateliê no Brooklin, na Zona Sul, atende mais de 200 clientes, conquistados ao longo de vinte anos na base da propaganda boca a boca.

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André Mifano, do Vito: dólmã camuflado para revezar com o branco (Foto: Raul Zito)

A peça costuma ter dupla camada na frente e manga longa, para manter peito e braços a salvo de queimaduras. Em versão tradicional, permite abotoar em dois sentidos e ajuda a disfarçar manchas de molho. Outro modelo, com botões de pressão apenas de um lado, facilita que ele seja arrancado rapidamente caso algo quente seja derramado. Tecidos leves e trechos de tela amenizam o calor do fogão. Embora branco seja a cor mais comum, há vestes de jeans, com estampa camuflada, pretas e até com brasão de time de futebol, pedida do corintiano Raphael Despirite, do francês Marcel. “Só me nego a fazer estampa de fruta”, afirma Razuk.

Sem nome na porta nem site na internet, o estilista diz se sentir mais à vontade nos bastidores. Com uma equipe de sete costureiras, ele mesmo atende o telefone, tira as medidas, faz as entregas e cobra de 60 a 250 reais por uma peça. Quando vai aos restaurantes dos clientes, sempre depois de fechados, costuma sentar-se a algumas das mesas mais cobiçadas da cidade e degustar improvisos culinários preparados por eles. “Razuk fica no balcão e eu vou fatiando sashimis e batendo papo”, conta Murakami. “Ele é delicado na hora de tirar as medidas, mas quando corta tem a precisão de um samurai.” Salvatore Loi conta ser cobaia habitual do costureiro: “Quando ele inventa um punho, uma gola diferente ou quer experimentar um tecido novo, eu me ofereço para testar”. Além de Loi, Razuk veste toda a brigada de cozinha dos restaurantes do grupo Fasano.

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Bel Coelho, do Dui: ela usa há dez anos as peças de Razuk (Foto: Rafael Cusato)

Ao perder o pai, com 14 anos, Razuk viu-se obrigado a procurar emprego para ajudar nas despesas de casa. O primeiro deles foi em uma pizzaria. Para incrementar o orçamento, aprendeu a costurar bisnagas de tecido para catupiry, bastante comuns na época. Com o sucesso da empreitada, largou o forno a lenha e inscreveu-se em um curso técnico de corte e costura no Senai. Começou confeccionando trajes para os funcionários das pizzarias Margherita, Monte Verde e Camelo. Hoje faz o uniforme de centenas de estudantes do local onde se formou. Alunos de gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, funcionários das empresas Bunge, Nestlé e Unilever e dos hotéis Renaissance e Sofitel também usam suas roupas. “Fabrico 1 000 peças por mês”, diz ele, que, nas raras horas vagas, prepara um boeuf bourguignon (carne bovina cozida no vinho tinto) de tirar o toque, nome dado ao chapéu de chef que ele também confecciona.

Fonte: VEJA SÃO PAULO