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Estela Azeka: uma década de intensa amizade

A médica que já cuidou de 130 "pacientinhos"

Por: Mariana Barros e Nathalia Zaccaro

Estela Azeka - Dia das Mães - 2321
"Presenciamos milagres, e isso dá outro sentido à vida.” Estela Azeka, 50 anos, chefe clínica do Programa de Transplante Cardíaco Pediátrico do InCor (Foto: Fernando Moraes)

No ano de 1992, a cardiologista Estela Azeka acompanhou o primeiro transplante de coração realizado pelo então recém-criado Programa de Transplante Cardíaco Pediátrico do InCor, do Hospital das Clínicas. Passados mais de vinte anos, 130 crianças já foram atendidas. É o caso de Samara Magalhães da Silva, que em junho completa 11 anos de idade e, dias depois, dez anos do recebimento do órgão, seu “segundo aniversário”. Samara e sua família vêm de Barra do Bugres, em Mato Grosso. Quando a menina tinha 9 meses, sua falta de apetite e seus gemidos despertaram desconfiança, e ela foi levada ao pronto-socorro. “Diagnosticaram dor de ouvido”, conta a tia Marineide Teixeira Magalhães. Antes de deixar o hospital, no entanto, Samara teve uma parada cardíaca. Como sua mãe tinha outros dois filhos pequenos, Marineide assumiu os cuidados da sobrinha, que sofria de um problema muscular causador de uma dilatação. As duas bateram à porta do InCor e da equipe de Estela. Foram acolhidas pela Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração (ACTC), que oferece hospedagem para famílias em situação semelhante. Ainda hoje, a rotina de Samara e Marineide se alterna pelas duas cidades: dois meses em Bugres e um em São Paulo, para consultas e exames. “Assim está ótimo”, afirma a tia. Não é para menos. Na noite anterior à cirurgia, Samara sofreu sete paradas. No total, sobreviveu a catorze delas. “Presenciamos milagres, e isso dá outro sentido à vida”, diz Estela. Há cerca de três semanas, ela perdeu a mãe, Sumika, aos 87 anos. Vários “pacientinhos”, como costuma falar, compareceram ao enterro, entre eles Samara. O carinho é constante: enquanto eram feitas as fotos para esta reportagem, cinco crianças esperavam pela médica sacudindo corações de cartolina com recados carinhosos para ela.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO