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Veja como lidar com a tecnologia com as crianças

Com equipamentos como smartphones, tablets e videogames amplamente acessíveis às crianças, especialistas explicam como defnir limites, criar acordos, evitar os perigos e extrair o melhor desses dispositivos digitais

Por: Silas Colombo

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Uso desregrado do videogame: problemas de socialização e postura  (Foto: Shutterstock)

A melhor maneira de lidar com o acesso da criança à internet é bloquear tudo ou liberar na base da confiança?

Os filtros de conteúdo devem ser utilizados, mas eles não bloqueiam tudo, especialmente nas redes sociais. O ideal é, além de instalar esse tipo de ferramenta, explicar o que pode e o que não pode ser visto na internet e conversar constantemente sobre o tema em casa. O problema dos smartphones é que não existe para eles um controle externo eficaz. O método mais adequado é punir excessos, retirando o aparelho se for o caso. Mas a eficácia da atitude é bastante limitada, pois a criança pode navegar no telefone de um amigo.

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É correto fiscalizar os sites pelos quais meu filho navega no celular particular?

É inegável que os pais são responsáveis pela segurança dos filhos na internet, e isso inclui saber o que passa pelo seu aparelho. No entanto, como o direito à privacidade precisa ser respeitado, a tática de fiscalizar de maneira oculta deve ser usada só em último caso. O melhor é estabelecer regras claras, com medidas punitivas se elas forem descumpridas. Saber que está sendo observada contribui para o crescimento da criança. Desenvolver uma rede de confiançades de a infância ajuda em situações futuras, como os primeiros passeios na adolescência com os amigos, por exemplo.

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Como ensinar a usar o smartphone de modo útil, e não apenas para entretenimento?

Nove em cada dez crianças que têm um telefone móvel o usam prioritariamente parabrincar com joguinhos. E cerca de 60% delas, para ouvir música. Primeiro, os pais devem determinar em que momento e porquanto tempo os filhos estarão liberados para se dedicar a tais atividades. Outra dica para alterar esse quadro é mostrar que o aparelho possui outras funções, como fazer pesquisas e transmitir recados. E, finalmente, deve-se evitar dar o mau exemplo. O hábito de estar sempre ao lado do smartphone é um reflexo do comportamento dos adultos, que utilizam o celular constantemente perto das crianças.

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Acesso à internet: o ideal é criar filtros de conteúdo e, se for necessário, fiscalizar escondido (Foto: Getty Images)

Passar muito tempo na frente do tablet prejudica a postura da criança?

Sim. O problema também é comum em adultos, mas nas crianças isso é ainda mais grave. A cabeça de uma pessoa de 7 a 9 anos tem, em média, 3,5 quilos. Quando inclinada para a frente, o peso é multiplicado por cinco. Assim, o principal impacto ocorre nas vértebras do pescoço, que recebem uma força desproporcionalao esperado, o que pode provocar deformidades ou desalinhamentos. Para complicar, o uso prolongado desses aparelhos é responsável por causar tendinites nos dedos das mãos e irritação nos olhos.

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Qual a forma adequeada de estimular a prática de atividades externas sem criar conflitos cansativos?

Estabelecer um tempo limite diário parao uso de aparelhos como smartphone,tablet, videogame e televisão. Crianças não nascem sabendo se divertir sozinhas.Também é papel dos adultos mostrar que existem outros tipos de brincadeiras até mais interessantes que as digitais. Em casos mais avançados de “falta de vontade”, os conflitos serão inevitáveis, mas mnecessários e indispensáveis até melhorara situação.

Devo confiscar o celular na hora de dormir?

Para a criança, o aparelho deve servir quase exclusivamente para comunicação com a família e, em momentos adequados, entretenimento. A hora de dormir não se inclui em nenhuma dessas duas situações. Assim, uma ideia simples é deixar o aparelho carregando em outro cômodo. Por outro lado, o sistema de confiança também pode ser aplicado aqui. Se o combinado for não usar o telefone na hora de dormir, não haverá problema em mantê-lo quieto na cabeceira. Se o trato for descumprido, o celular deverá ser obviamente confiscado.

O uso prolongado do videogame afeta a capacidade de socialização?

Se forem utilizados com parcimônia, muitos games são socializantes por ser compartilhados em rede ou com outros amigos. O problema é justamente o uso prolongado. Nesses casos, uma sugestão é observar o que leva a criança a se sentir mais feliz quando está jogando. Um trunfo para reverter o quadro e iniciar um processo de socialização é convidar os amigos do filho para irem em casa, ainda que seja para brincar no aparelho. Naturalmente, com o tempo, esse círculo vai se engajar em outras atividades de grupo.

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Aplicativos pedagógicos: uma série de ferramentas auxilia na alfabetização  (Foto: Jamie Grill/ Getty Images )

Jogos violentos como Grand Theft Auto (GTA) devem ser proibidos ou permitidos com monitoramento?

Esses games, por definição do próprio fabricante e de órgãos reguladores, não são indicados para crianças. É importante, porém, explicar o porquê da proibição. Essa é uma boa oportunidade para ensinar valores morais aos filhos. Existem vários outros títulos adequados à faixa etária e que, além de atuar como passatempo, contribuem para o aprendizado e o desenvolvimento.

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A aplicativo Snapchat é recomendado para crianças?

Não. Em seus próprios termos de uso é indicada a idade mínima de 13 anos. Sua principal funcionalidade é fazer com que mensagens, fotos e vídeos sumam alguns segundos depois de enviados, o que estimula a desinibição e dificulta a fiscalização. Ainda assim, é possível fazer o print screen da tela e, teoricamente, prejudicar um desavisado que confiou no sigilo da ferramenta. Existe uma versão especial para crianças, o SnapKidz, que permite tirar fotos e desenhar nelas, mas sem a opção de enviar ou receber material.

Quais os melhores aplicativos educacionais gratuitos?

Uma boa parte das ferramentas com função pedagógica criadas para smartphones e tablets busca transformar as lições de alfabetização e introdução às operações básicas da matemática em brincadeira. No entanto, professores, pedagogos e psicólogos advertem que, mesmo que esses aplicativos tenham um aspecto educativo, seu acesso deve ser controlado pelos pais. Confira alguns exemplos abaixo:

Som Animal: apresenta fotos e sons emitidos por bichos, como cachorro, gato e galinha. O joguinho ainda ensina o nome dos animais em inglês. Disponível para iOS.

Tabuada de Multiplicar: lista as tabelas de multiplicação para ajudar a garotada a decorar a tabuada. Inclui um joguinho para testar se o conteúdo foi fixado. É possível escolher entre três níveis de dificuldade. Disponível para iOS.

Aprender a Ler: ensina crianças de 4 a 8 anos a ler e a escrever de forma gradual e muito engraçada, sem a ajuda de um adulto. Em uma das funções, por exemplo, aparece uma palavra e o usuário escolhe a figura correspondente a ela. Disponível para iOS.

Você Consegue?: auxilia no aprendizado da tabela periódica e traz informações sobre os elementos químicos. Existem quatro níveis (fácil, médio, difícil e muito difícil) para testar os conhecimentos na disciplina. Disponível para Windows Phone.

Kids: o aplicativo conta com um mix de jogos. Em alguns deles, ensinam-se as cores, os números, os animais e as formas geométricas. As crianças também podem brincar com passatempos típicos da infância, como jogos da memória, quebra-cabeças e figuras para pintar. Disponível para Android.

Fontes: Andréa Jotta (psicóloga e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP), Henrique Sodré (médico e professor de ortopedia pediátrica da Unifesp), Marina Andrade (psicóloga especializada em dependência na internet) e Roberta Vilhena (pedagoga e socióloga especializada emtecnologia na educação infantil)

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO