Trabalho

Escritórios com serviços compartilhados se multiplicam na cidade

Só neste ano, mais de uma dezena deles foi inaugurada em São Paulo

Por: Lívia Roncolato

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A empreendedora Diana Joppert: regras para a boa convivência (Foto: Fernando Moraes)

Debruçada sobre o notebook, a administradora Diana Joppert organiza o catálogo de um site de vendas. À sua frente, o escritor André Viana revisa o texto de um romance para uma editora de livros de arte. Ao lado deles, na mesma mesa, Marina Gurgel Prado e Tatiana Pascowitch estão cercadas de boletos bancários de sua empresa de entrega de flores. Na sala, designers, uma analista de pesquisa de mercado e outras pessoas cuidam cada qual dos próprios trabalhos no escritório Estação Coworking, na Vila Madalena.

Inaugurado no início deste ano, o local representa um exemplo de espaço que começa a se tornar comum na cidade. No coworking, como o negócio é chamado, profissionais de várias áreas compartilham o mesmo ambiente. Usam uma mesa coletiva e dividem a infraestrutura, incluindo a secretária. O primeiro local do gênero abriu as portas em São Paulo em 2008.  Hoje, há quase trinta — doze deles surgidos neste ano. Grande parte do público é formada por microempresários que desistiram de tentar trabalhar em casa, mas não têm cacife ainda para bancar um lugar maior.

Um dos inquilinos do Envolve, na Vila Mariana, é Michel Haddad Doumit, que montou por lá no fim do ano passado uma operação de desenvolvimento de aplicativos. A empresa possui dois funcionários (a permanência mensal do trio custa 2 250 reais, a metade do aluguel de um escritório médio de 55 metros quadrados na região). Como em qualquer endereço corporativo, há algumas chateações. “Passei antes por dois coworkings, mas desisti porque eram barulhentos”, conta Doumit.

Há regras básicas que tentam tornar a convivência mais amistosa. Sair para usar o celular quando a chamada for longa e lavar a própria louça estão na lista. O agrupamento de profissionais, por outro lado, é frequentemente vantajoso. “Eles trocam contatos e indicam clientes entre si”, afirma Michel Turtchin, que investiu 500 000 reais no recém aberto Space 242, nos Jardins. Em alguns casos, como no Coworking Offices, na Vila Olímpia, os inquilinos fazem apresentações periódicas de seus trabalhos aos vizinhos de mesa.

Fonte: VEJA SÃO PAULO