Protesto

Manifestantes promovem escracho na casa de ex-agente do DOI-Codi

Participantes levaram faixas e cartazes e picharam a porta da casa de Aparecido Laertes Calandra, conhecido como "Capitão Ubirajara". Segundo vizinhos, ele não está na cidade

Por: Redação VEJASAOPAULO.COM - Atualizado em

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Manifestantes fazem protesto em frente a casa do ex-agente do DOI-Codi, Aparecido Calandra, conhecido como Capitão Ubirajara (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Integrantes do Levante Popular da Juventude promoveram na manhã desta terça-feira (1) um escracho na porta da casa do delegado aposentado da Polícia Civil Aparecido Laertes Calandra, conhecido como “Capitão Ubirajara”. Por anos, Calandra atuou no Departamento de Operações e Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). Ele é apontado por presos políticos como responsável por torturas e de participar de desaparecimentos e mortes. À Comissão Nacional da Verdade, o delegado negou as acusações.

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O escracho é um tipo de manifestação com o objetivo de denunciar alguém em sua casa ou local de trabalho. Os participantes do protesto levaram faixas e cartazes e picharam portão e muros da casa de Calandra. Segundo a organização do ato, cerca de setenta pessoas participaram. A Polícia Militar informou que o grupo quebrou o portão da vila onde o delegado aposentado mora.

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Em nota, o Levante Popular da Juventude disse que a ação desta terça foi uma lembrança ao golpe militar, que completou 50 anos. "Os escrachos são práticas cada vez mais comuns devido à lentidão e ineficiência da Justiça na punição de crimes de Estado ocorridos a partir de 1964." De acordo com o grupo, vizinhos disseram que o delegado não estava em São Paulo.

Calandra depôs na Comissão da Verdade em dezembro. Sete presos políticos, vítimas de torturas, reconheceram o delegado, que trabalhou por oito anos em um dos órgãos do regime militar. O vereador Gilberto Natalini (PV), a advogada aposentada Darci Toshiko Miyaki e a militante Maria Amélia de Almeida Teles alegaram terem sido torturados por ele.

Em seu depoimento, Calandra disse que era um "burocrata" e que nunca presenciou ou ouviu qualquer agressão. Ainda de acordo com ele, a única morte da qual teve notícia no DOI-Codi foi a do jornalista Vladimir Herzog.

Fonte: VEJA SÃO PAULO