Tecnologia

Escolas ensinam crianças e adolescentes a criar jogos e aplicativos

Aulas de tecnologia e linguagem de programação disputam espaço com os tradicionais cursos de inglês e música

Por: Jussara Soares - Atualizado em

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Os irmãos Guilherme e Gabriel Souza, na MadCore: programa para economizar água em casa (Foto: Fernando Moraes)

A disputa por uma brecha na já apertada agenda de crianças e adolescentes está mais acirrada. Além das aulas de línguas, música e esporte, que sempre prevaleceram como atividades extracurriculares dos estudantes paulistanos, agora é preciso abrir espaço para a chegada dos cursos de programação de computador. Com a promessa de ensinarem jovens de 7 a 17 anos a desenvolver jogos, aplicativos e sites, escolas do tipo proliferaram pela capital. Seis estabelecimentos de três redes foram inaugurados no último ano. O mais recente deles é uma unidade da SuperGeeks, aberta neste mês no Morumbi.

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A programação funciona como uma espécie de idioma, que traduz para a linguagem da máquina as ações que o usuário deseja executar. Um exemplo: fazer com que as teclas emitam sons em determinada frequência. Para os pais, que pagam mensalidade entre 280 e 350 reais por noventa minutos de aula semanal, a expectativa é que as crianças aproveitem melhor o tempo diante das telas de computador, smartphone e tablet. E, em vez de apenas jogarem, entendam como são produzidos os games e até os desenvolvam durante as horas livres.

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Os alunos Ivan Kimoto, Vicente Franzini, Francisco Labraña e Lívia Kimoto, na SuperGeeks: uma hora e meia de aula por semana (Foto: Fernando Moraes)

Foi com essa proposta que o publicitário Rogério Souza matriculou os filhos Gabriel, de 14 anos, e Guilherme, de 11, em um curso na MadCode, nos Jardins, em janeiro. Mergulhados em tecnologia desde que nasceram, eles se interessaram mais pelo assunto após o contato com games de estratégia como League of Legends e StarCraft. “Quero que eles tenham mais autonomia para usar o computador”, diz Souza. Os irmãos, que já fazem caratê, espanhol e música, criaram por lá versões do clássico Pac-Man e alteraram códigos para ampliar as possibilidades do recente sucesso Minecraft. Agora, andam às voltas com o desenvolvimento de um aplicativo.“Estamos projetando um para ajudar as famílias a economizar água em casa”, afirma Gabriel. Fundada em outubro do ano passado, a escola ganhou em dezembro uma filial no Alto de Pinheiros. Nas duas unidades, entre cursos regulares, de férias e oficinas, já recebeu cerca de 1 000 alunos. “Mais que ensinar linguagens de programação, trabalhamos a capacidade deles de resolver problemas”, diz o sócio Daniel Cleffi.

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A pioneira nesse ramo é a SuperGeeks, idealizada em 2013 pelo empresário Marco Giroto após ele passar seis meses trabalhando no Vale do Silício, região dos Estados Unidos consagrada pelas empresas de tecnologia. Inaugurada na Vila Clementino em maio de 2014, a escola acaba de abrir as portas no Butantã e no Morumbi. Nas três unidades, são cerca de 500 alunos. “Meu sonho é que os garotos idealizem seus projetos daqui como se fossem futuras startups”, afirma Giroto. “Inventei uma trilogia de um jogo de luta, o Super Turbo”, explica um de seus alunos, Francisco Labraña, de 11 anos. Os pais elogiam o aumento da capacidade de concentração dos filhos com o início da atividade digital. “Ela está mais responsável, toda semana tem algo para entregar”, comenta a professora Susana Dissenha, mãe de Helena, de 9 anos, que frequenta a Futura Code, em Perdizes, desde julho. A empresa pretende abrir uma unidade em Alphaville no próximo mês.

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Ambiente de aula na Futura Code (Foto: Mario Rodrigues)

Desde setembro do ano passado, há ainda um site didático que disponibiliza ferramentas gratuitas para a criançada, o Programaê. Por mês, a página recebe 54 000 visitas de usuários da cidade de São Paulo. “A programação será tão fundamental como a escrita, todos terão de aprendê-la para se expressar no futuro”, acredita o engenheiro de computação Lucas Rocha, coordenador de projetos da Fundação Lemann, responsável pela iniciativa.

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Serviço:

Futura Code. Rua Bartira, 757, Perdizes, tel: 3588-1118.

MadCode. Alameda Franca, 637, Jardins, tel: 3541-1293 ou

Praça Professora Emília Barbosa Lima, 46, Alto de Pinheiros, tel: 3022-3395.

SuperGeeks. Rua Tenente Gomes Ribeiro, 212, Vila Clementino, tel: 4063-7007 ou Avenida Giovanni Gronchi, 6195, conjunto 1816, Morumbi, tel: 4063-8008 ou Avenida Doutor Cândido Motta Filho, 545, loja 35, Butantã, tel: 4063-8001.

Fonte: VEJA SÃO PAULO