Mobilidade

Escola para ciclistas oferece aulas de graça em São Paulo

Curso organizado pela CET ajuda ciclistas que pretendem pedalar pelas ruas da cidade com segurança

Por: Marcus Oliveira - Atualizado em

Curso Bike CET
Participantes participam de aulas teóricas e práticas para andar de bike na cidade (Foto: Divulgação)

Apenas este ano, os 648 Centros de Formação de Condutores (CFCs) credenciados junto ao Detran de São Paulo registraram 102 360 mil novas cartas de motoristas. Enquanto tanta gente busca as quatro rodas para se locomover, uma outra realidade surge em um único local da cidade. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) promove durante o mês de setembro o curso Pedalar com Segurança, onde auxilia pessoas que pretendem usar a bicicleta para se locomover pelas ruas da cidade de forma mais segura.

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Cada uma das duas turmas semanais é formada por doze pessoas. Qualquer um pode se inscrever sem pagar nada, basta saber andar de bike. O curso leva 8 horas, sendo metade para a parte teórica e a outra metade para a prática, com direito a certificado de conclusão no final.

Assim como a auto escola, o curso de bicicletas da CET tem uma prova teórica. Por causa do número de alunos reduzido em cada turma, o participante recebe um tratamento praticamente individual na hora de por em prática o que aprendeu em sala de aula, o que facilita na hora de pedalar.

Para ver de perto como são as aulas dessa verdadeira escola de bike na cidade, a reportagem de VEJASAOPAULO.COM participou de um dia de aula.

Na teoria

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A aula começa às 8h30. Enquanto os alunos falam sobre os motivos de estarem ali e o que pretendem aprender para pedalar com segurança na cidade, quem comanda os ensinamentos por meio de slides são os educadores de trânsito José Carlos Vieira e Mônica Rodrigues.

Na sala surgem histórias de quem pretende usar a bicicleta como meio de transporte, aprimorar os conhecimentos para simplesmente passear nos fins de semana e até mesmo quem já tem o hábito de se locomover pelas ruas diariamente, como é o caso da chef de cozinha Adriana do Vale Mello, de 44 anos. Ela ficou sabendo da proposta das aulas por meio do Facebook de amigos e utiliza a bike para ir ao emprego em um sebo, a cerca de 4 quilômetros da sua casa, mas abre mão das duas rodas quando precisa fazer seus trabalhos como chef. "Sempre fui adepta, desde a faculdade. Duas palavras me chamaram a atenção para esse curso: bicicleta e segurança. Quero me sentir mais correta nas ruas."

Segurança é uma das principais palavras no decorrer da aula. Enquanto estão ligados aos ensinamentos dos profesorres, os participantes recebem dicas de como se comportarem em situações adversas como, por exemplo, o xingamento de um motorista apressadinho.

Uma bike colocada no centro da sala serve pra mostrar quais os cuidados devem ser antecipados pelos ciclistas antes de sairem de casa. O recurso ensina também a regular banco e guidão.

Ainda são abordados assuntos que vão da história da bicicleta, até artigos de trânsito que garantem os direitos e deveres dos ciclistas – há um deles que prevê multa e até apreensão do veículo para os ciclistas que não seguirem a lei. Não escapam também dicas do tipo: não parar ao lado dos carros no semáforo, mas sim ocupar a vaga de um automóvel, para que ele seja visto no tráfego, e saúde.

Outra parte da aula é dedicada aos equipamentos obrigatórios: campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais e espelho retrovisor do lado esquerdo, além de materiais para a segurança do ciclista como capacete, óculos, luvas, fitas refletivas para quem anda no período da noite e presilhas para a calça não enganchar no aro.

Por fim, uma avaliação com oito perguntas, onde os alunos devem responder questões de alternativa sobre o que foi discutido em aula, é levada de forma bem descontraída pelos participantes e os professores. E o melhor, não há reprovação.

Na prática

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Após um intervalo, é hora de colocar em prática os ensinamentos da aula teórica. Da mesma forma que a primeira parte do curso, a prática começa com ações básicas como subir e descer da bike em segurança. Ao todo, doze bicicletas bem novas estão à disposição dos alunos, que recebem números, onde são chamados um a um para repetirem os movimentos realizados pelo instrutor na pista com cerca de 300 metros quadrados montada especialmente para o curso.

As atividades são divididas em seis etapas. Dessa forma, são abordados assuntos como: adequar a marcha simulando uma subida e em piso plano; exercícios para treinar a visão dos alunos - sempre estimulados a olharem para frente enquanto andam; dicas para fazerem curvas; o exercícios em um "8" - feito por motociclistas para antecipar a visão e treinar o equilíbrio - e por último um passeio pelas faixas desenhadas ao longo do estacionamento do espaço da CET, onde é possível trabalhar os gestos de sinalização.

Enquanto realizam essas etapas, nem todos conseguem colocar em prática tudo que foi falado em sala. A analista bancária, Luciana Torquato Chaves, 33 anos, consegui uma folga no tabalho para fazer o curso e pretende trocar o transporte público pela bike. Por isso, ela começou recentemente a andar com um grupo perto da sua casa. Ela chegou a ter dificuldade em algumas etapas do circuito. "Muita gente me ensinou coisa errada e aqui estou vendo o jeito certinho de fazer. Ser avaliada me deixa um pouco tensa, mas a forma que estão fazendo é o que rola na rua mesmo, ciclista tem que pensar rápido."

Estimulo não faltou durante todos os demais exercícios. O engenheiro químico Edmar Santos Souza, 53 anos, que anda de bike duas vezes por semana apenas como passeio, aprimorou bem os ensinamentos teóricos e práticos, e agora se sente estimulado a começar a pedalar com mais frequência. "Queria saber mais sobre bike e agora me sinto capacitado para isso. Me chamou muita atenção os códigos de trânsito e a parte da sinalização que eu não saba que existia."

Para finalizar o CFC da bike, é fornecido um certificado de realização do curso, entregue sete dias após as aulas. As próximas turmas estão agendadas para os dias 24 e 26 e a CET estuda abrir mais salas para os próximos meses. Os interessados em participar devem mandar um e-mail para dco2@cetsp.com.br e aguardarem um retorno da organização.

Fonte: VEJA SÃO PAULO