Perfil

Erick Jacquin se reinventa na TV como estrela do "MasterChef "

Chef conquistou fãs e desafetos na cidade com sua culinária francesa de primeira linha e o temperamento explosivo

Por: João Batista Jr.

O ano passado terminou como um prato de sabor amargo, daqueles que amarram a boca, para o chef Erick Jacquin. Em novembro, ele se viu obrigado a tomar a dura decisão de fechar as portas de seu restaurante francês La Brasserie depois de uma sucessão de problemas. O fim do negócio causou surpresa no mercado, já que durante muitos anos o endereço, com justiça, figurou no olimpo gastronômico da capital (ganhou seis vezes o prêmio de melhor de sua categoria na edição especial “Comer & Beber” de VEJA SÃO PAULO e seu comandante conquistou por duas vezes o título de chef do ano). No final, a casa acumulava dívidas em torno de 1 milhão de reais, e o aluguel do ponto no Itaim estava atrasado.

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Certo dia, o mestre francês foi às lágrimas quando um cliente deixou o lugar após ser informado de que seu pedido não poderia ser preparado por falta de ingredientes. Depois da derrocada, Jacquin passou a ser visto quase toda noite consolando-se com taças e mais taças de vinho sentado sozinho à mesa do Tartar&Co, bistrô em Pinheiros em que possui participação no faturamento. Não bastasse a imagem de gestor fora do ponto, criou e alimentou a fama de ter temperamento explosivo e difícil. Aparece citado em mais de quarenta processos trabalhistas. A maioria deles é por atraso de salários, mas há casos em que é acusado de xingar os funcionários, entre outros desatinos.

Erick Jacquin Foto Pimentas
Jacquin, especialista em espinafrar os participantes: “Esse bife parece um bicho que vai andar” (Foto: Mario Rodrigues)

O que resta a um chef falido e queimado na praça? Fazer daquele limão azedo uma limonada perfeita. Jacquin agora ganha fãs encarnando na TV um papel que lhe cabe perfeitamente: o de carrasco da cozinha. Sua vida mudou depois que apareceu como um dos três escolhidos para ser jurados do MasterChef Brasil, reality show de origem inglesa que estreou na Band há três semanas. O programa é apresentado por Ana Paula Padrão e conta também com Henrique Fogaça, do restaurante Sal Gastronomia, e Paola Carosella, do Arturito, dois profissionais respeitados na gastronomia paulistana. Mas nenhum deles se destaca tanto quanto o impagável Jacquin.

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Jurados MasterChef Mario Rodrigues
Fogaça, Paola, Jacquin e Ana Paula: temporada até dezembro (Foto: Mario Rodrigues)

Nas gravações, o francês deixa de lado o dólmã, aquele uniforme branco dos chefs usado na cozinha, e traja ternos bem cortados. Na hora de avaliar os pratos dos participantes amadores, o francês faz caras, bocas e biquinhos ao disparar comentários cortantes. “Vou dar duas dicas para quando sair daqui: comprar uma revista de gastronomia e beber cachaça para buscar inspiração. Seu prato está horrível”, disse a um concorrente. “Parece que você pegou sobra da geladeira e botou nesse prato”, acabou com outro. “Esse bife parece um bicho que vai andar”, espinafrou um terceiro. O reality semanal é exibido às terças, às 22h45, e terminará em 23 de dezembro — o episódio final será ao vivo. A audiência, na casa de 4 pontos, é boa para o horário e os padrões da Band, mas a repercussão da atração tem sido maior fora da telinha. No dia da estreia (2 de setembro), por exemplo, o programa ficou em primeiro lugar nos trending topics do Twitter no Brasil. A atração também tem sido assunto dentro das cozinhas estreladas da capital. O renomado chef Salvatore Loi, dono do Loi Ristorantino, gosta da performance do colega diante das câmeras. “Do trio de jurados, é o mais direto, mais severo e mais profissional”, elogia.

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Como não fritar a relação (Foto: Reprodução)

Com as aparições na Band, Jacquin tem conseguido recuperar a autoestima, cambaleante com o fim de seu restaurante. “Quero fazer palestras e aumentar minha agenda de jantares para clientes e empresas”, conta. “Ter outro restaurante como o La Brasserie, neste momento, não está nos planos.” Além da participação no Tartar&Co, para o qual criou o cardápio e faz o treinamento da brigada de 34 funcionários, presta consultoria ao La Cocotte, nos Jardins, e ao La Brasserie de la Mer, em Natal. No caso dos jantares particulares (cobra cerca de 500 reais por cabeça), tem clientes como o empresário Roberto Baumgart, sócio da Vedacit e do Shopping Center Norte. Juntas, essas atividades lhe rendem cerca de 20 000 reais por mês, segundo estimativas do mercado. O chef não confirma a informação. “Ganho menos que isso”, limita-se a dizer.

Um de seus muitos talentos reconhecidos é a capacidade de formar mão de obra, ainda que de forma pouco ortodoxa. “Aprendi tanto a fazer molho de tomate quanto a criar pratos com caviar Petrossian”, conta Wagner Resende, seu funcionário por dez anos, que hoje está no comando do Chef Rouge. “Mas já levei panela no peito e, em outra vez, fui queimado no braço com molho quente.” Duas frases típicas ditas pelo chef aos seus subordinados são “Essa comida está uma merde”, com seu carregado sotaque francês, e “Você nunca vai ser um chef”. Mas o vocabulário da tortura é mais extenso. “Ele xingava todo mundo de burro e vagabundo”, conta Alecsandro Miranda da Silva, ex-confeiteiro do Brasserie. Ele entrou com uma ação contra a casa para receber férias, 13º salário e depósitos do FGTS.

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Os arroubos de grosseria eram intercalados com momentos de ternura. “O Jacquin tem um temperamento forte, mas no fundo é uma manteiga derretida, com um grande coração”, define Donizeti Ribeiro, que trabalhou com o profissional por vinte anos e testemunhou várias explosões de fúria. Segundo Ribeiro, o francês age por impulso e se arrepende em seguida, tratando a pessoa como se nada tivesse acontecido. “Em 2007, ele me deu 5 000 reais para ajudar a pagar o tratamento de câncer no estômago da minha mãe, que infelizmente faleceu pouco tempo depois”, diz Ribeiro. “Em 2009, ganhei 4 000 reais para dar entrada no meu carro.”

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Como não fritar a relação (Foto: Reprodução)

Nascido em uma cidade pequena do Vale do Loire, Jacquin chegou ao Brasil, em 1994, para receber o equivalente a 5 000 dólares mais mordomiasque incluíam um apartamento em Pinheiros e outro no Guarujá, além de um carro Chrysler 29 conversível. “Ele parecia o Al Capone andando pelas ruas”, lembra Vincenzo Ondei, dono do Le Coq Hardy, sofisticado restaurante no Itaim extinto em 2008. Foi Ondei quem trouxe Jacquin para o país. Muito mais magro e com fartura de cabelos, ele já mostrava um temperamento explosivo. Sua obsessão por qualidade era tão grande que, quando não gostava de algo, arremessava o prato com a comida no lixo. “Em uma ocasião, ele foi além e jogou um de seus assistentes dentro da lixeira”, recorda Ondei. Cinco anos depois, o empresário tentou rebaixar o salário do chef porque a moeda americana havia disparado. O francês se bandeou para um concorrente que lhe ofereceu o dobro.

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Jacquin veio para o Brasil na companhia de sua mulher na época, a sommelière francesa Katia Lefriec. Aqui tiveram o único filho, Edouard, mas a união acabou em 2003. Certamente os hábitos notívagos do marido não ajudaram na relação. Jacquin é um homem assumidamente boêmio, que gosta de beber após o trabalho. Chegava em casa às 3, 4 da manhã em muitas ocasiões. Mesmo após a separação, Katia continuou morando no país, mas foi embora em 2011 na companhia do filho. Hoje, ambos vivem na França. Depois do divórcio, o chef se casou novamente. “Já fomos morar juntos dois meses depois de nos conhecermos”, conta Rosângela Menezes, de 37 anos. O relacionamento começou em 2004. Encontraram-se na festa de aniversário de um amigo em comum, o fotógrafo Luiz Tripolli. Na época, Rosângela era hostess de casas do Grupo Fasano. Depois do início do namoro, ela se mudou para o La Brasserie. Atualmente, é a maîtresse do La Cocotte, nos Jardins, que tem Jacquin como consultor.

Erick Jacquin Jovem no Coq Hardy
A peso de ouro: em troca de salário mensal de 5 000 dólares, deixou a França em 1994 para trabalhar no Le Coq Hardy, ao lado do chef José Pereira (Foto: Acervo pessoal)

Sem muitas encanações, como excessos gastronômicos e etílicos, Jacquin engordou bastante nos últimos anos. A escalada do peso foi gradual. Em 2001, a balança registrava 98 quilos. Em 2007, 114. “Hoje, tenho entre 122 e 124, depende do dia”, diz o chef. Os amigos próximos tentam reduzir os estragos. “Já dei tênis de corrida, vale-academia e sessões de terapia, mas ele nunca fez uso dos presentes”, enumera o chef Emmanuel Bassoleil. “Jacquin tem o coração puro e ajuda os amigos, mas faz apenas o que quer.” Ao vivo, parece menos rechonchudo do que na televisão. “Mas agora coloquei na cabeça que vou emagrecer e ficar menos fofinho”, promete Jacquin.

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Atualmente, enquanto negocia na Justiça dívidas com bancos e ações trabalhistas cujo valor total é estimado em 1,5 milhão de reais, ele mora em um apartamento alugado de 350 metros quadrados nos Jardins. Um de seus poucos bens é um Jaguar 85 que está encostado numa oficina mecânica. Apesar de continuar faturando, gasta praticamente tudo o que recebe. Adora fazer almoços e jantares para amigos. Aos poucos, a má fase parece estar passando. Em outubro, vai receber uma honraria do governo da França: a medalha da Legião da Honra, condecoração máxima do país. “Ele valoriza a nossa culinária clássica”, explica o cônsul Damien Loras. “Nunca um profissional da área estabelecido no Brasil recebeu tal honraria.” Na próxima semana, deve encerrar as gravações da primeira temporada do MasterChef. O cachê por jurado é estimado em 30 000 reais. “Tem dias em que chego às 9 horas à emissora e só saio depois das 18”, diz. A carga é um pouco puxada para um iniciante no universo do show biz, mas Jacquin não reclama. Muito pelo contrário. “Estou tão feliz que, se fosse possível, ficaria na porta da Band para pedir autógrafo para mim mesmo”, brinca.

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    Sottovento

    Avenida Magalhães de Castro, 12000, Butantã

    14 avaliações
  • Italianos

    Casa Europa

    Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 726, Jardim Paulistano

    Tel: (11) 3063 5577

    VejaSP
    1 avaliação

    É um sucesso de público. No cardápio, predominam receitas italianas clássicas como a berinjela à parmigiana (R$ 38,00), que ficaria ainda melhor se o molho fosse um tantinho menos ácido. Servida fria, a vieira grande e firme vem com o próprio coral (R$ 17,00 cada uma). Das opções principais, o pappardelle fresco pode levar ragu de cordeiro (R$ 75,00) e a costeleta suína à milanesa chega à com o osso (R$ 74,00). O tiramisu (R$ 28,00), que já foi um dos melhores da cidade, é feito agora com excesso de queijo mascarpone.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Se por estas bandas as estações do ano não são lá muito bem demarcadas, ao menos servem de pretexto para a criação de promoções bacanas. A partir de quinta (25), doze endereços da capital participam do Primavera Bar Festival, com combos de drinques e petiscos compartilháveis por, no máximo, R$ 75,00. Bem a cara da temporada, o Pé de Manga fica instalado em um agradável jardim na Vila Madalena. Por lá, pode-se petiscar a porção de bolinhos de risoto de gorgonzola e ervas e beber uma jarra de sangria, feita com vinho tinto, frutas, soda limonada e um toque de rum, por R$ 70,00. Fora do evento, o preço da dupla seria R$ 97,90. No Baixo Augusta, o Tubaína também serve um coquetel na jarra de 1 litro: a mojaína. Trata-se do clássico mojito, à base de rum, limão e hortelã, acrescido de refrigerante com sabor da fruta cítrica. No kit de R$ 69,90, a bebida ganha a companhia da linguiça frita e depois marinada em suco de limão e cebola roxa, o que lembra um pouco o ceviche. Fique atento: a promoção dura apenas até 5 de outubro. Confira os cardápios completos dos bares participantes em abr.ai/primavera-festival.
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  • Drinques

    Riviera Bar

    Avenida Paulista, 2584, Bela Vista

    Tel: (11) 3258 1268

    VejaSP
    17 avaliações

    Ao entrar, o visitante dá logo de cara comum bonito balcão vermelho. No piso de cima, o espaço é mais escuro, com vista para a Avenida Doutor Arnaldo. Clássico boteco paulistano, a casa reabriu em 2013 mais arrumadinha e como um bom lugar para investir nos coquetéis, hoje selecionados pelo talentoso bartender Kennedy Nascimento, que cuida dos endereços do grupo. O west side (R$ 26,00) é uma mistura de vodca, hortelã e limão-siciliano. Outro drinque bem-sucedido, o famous avenue (rum, bourbon, limão-siciliano e xarope de maple; R$ 29,00) alcança equilíbrio satisfatório. Para mastigar, a bruschetta caprese é cheia de frescor (R$ 33,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Faltam ainda três meses para dezembro, mas para muitos paulistanos a celebração do Ano-Novo — mais especificamente o ano 5775 — é nesta semana. Para a comemoração judaica do Rosh Hashaná, diversas casas incluíram no cardápio pratos especiais. Na rotisseria da Lox Deli, o típico bolinho de peixe chamado gefilte fish sai por R$ 7,00 a unidade. Para dividir em família e adoçar a boca, a Confeitaria Dama oferece um naked cake (aquele bolo “pelado”, sem cobertura de pasta americana) recheado de nozes com frutas vermelhas. A unidade de 750 gramas sai por R$ 110,00 e deve ser encomendada pelo telefone. Na vitrine para pronta entrega da Pâtisserie Mara Mello, há estrelinhas de Davi feitas de chocolate ao leite e amargo (R$ 35,00; 140 gramas).
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  • A obra de Clarice Lispector é conhecida por sua introspecção e subjetividade, características que nem todos os leitores estão dispostos a encarar. Imagine uma criança. Mas no teatro tudo é diferente. A garotada se diverte com a riqueza de detalhes e a narrativa fácil de Brincar de Pensar — Contos de Clarice Lispector no Palco para Pessoas Grandes e Pequenas. Na outra ponta, os adultos saem da plateia um pouco reflexivos, mas sem peso, com a adaptação dos oito textos publicados no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973. Em Felicidade Clandestina, por exemplo, conta-se a saga de uma menina (Bel Wil ker e Lívia Vilela, em revezamento) que implora à filha do dono de uma livraria que ela lhe empreste alguns livros — a personagem escreve sobre sua paixão pela leitura e as palavras são projetadas no fundo do palco. Restos do Carnaval também chama a atenção das crianças que curtem a folia de Momo. O ponto de partida é uma garota (Elisa Volpatto) que deseja ir pela primeira vez a um baile. Luiz Felipe Bianchini completa o elenco. Estreou em 8/3/2014. Até 28/9/2014.
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  • Filho de biólogos, Rodrigo Braga, um manauara residente no Rio de Janeiro, tem 38 anos e apurou seu olhar para a natureza na infância, quando acompanhava os pais em pesquisas de campo. O artista explora a mata à sua maneira. Munido de máquina fotográfica e bloquinho, percorre trilhas e praias sozinho por dias em busca de cenários com potencial para ser transformados. Agricultura da Imagem exibe trinta dessas fotografias em que penas coloridas aparecem em galhos de árvore e escamas de peixe brilham sobre folhagens. Nada foi encontrado assim, claro, mas todos os elementos foram selecionados durante as caminhadas. Em Biomimesis (2010), uma folha é colocada sobre um peixe após ser recortada com um estilete às margens do Rio Negro. A vegetação parece imitar as formas do animal. Em Campos de Espera, urubus sobrevoam uma árvore com restos de pescado pendurados por Braga três dias antes. Outra sala mostra parte de seu ateliê incomum, cheio de revistas científicas, documentação de viagens e pedras, além de apresentar os primeiros desenhos do artista, feitos quando ele tinha 7 anos. De 4/9/2014. Até 30/11/2014.
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  • Caso você pense no drama Callas como um passatempo, não ficará desapontado. A montagem dura uma hora, é bem produzida, e os ponteiros do relógio correm sem dificuldade. Escrita por Fernando Duarte, a peça, no entanto, revela-se ambiciosa por si só. Afinal, cria uma situação fictícia para retratar os últimos momentos de vida de Maria Callas (1923-1977), o maior nome feminino do canto lírico, e aí surge o tropeço. Nocauteada por conflitos pessoais e profissionais, a estrela da ópera (interpretada por Claudia Ohana) viveu os últimos anos isolada. Em um encontro com um jornalista (papel de Cássio Reis), ela relembra glórias, amores e tristezas, esboça um livro e troca de figurino muitas, muitas vezes. O ponto de partida é pouco criativo. Apoiar o texto em uma entrevista já foi algo bastante explorado como recurso dramatúrgico, e a direção conservadora de Marília Pêra não reverte a situação. Se Claudia Ohana não apresenta a tragicidade da protagonista, traz à tona certa ironia e carisma. Reis, porém, mostra-se pouco à vontade e inseguro, principalmente na segunda metade do espetáculo. Estreou em 11/9/2014. Até 9/11/2014.
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  • Depois do bem-sucedido A Madrinha Embriagada, o diretor Miguel Falabella engata este grandioso projeto no mesmo palco. Baseada no texto de Dale Wassermanom, com melodias de Mitch Leigh e letras de Joe Darion, a ação foi ambientada em um manicômio do fim da década de 30. Por lá, um paciente (interpretado por Cleto Baccic) apresenta-se como Miguel de Cervantes, poeta, ator e coletor de impostos, e interna-se na companhia do criado Sancho (Jorge Maya). Para minimizar a triste realidade, ele propõe aos internos e funcionários um mergulho na fantasia, e todos passam a fazer teatro. Eles descobrem a força do sonho como meio para suportar o cotidiano. Além do bom trabalho de Baccic e Maya, Sara Sarres sobressai na pele de Dulcineia e Guilherme Sant’Anna dá fôlego ao papel de Governador. Criativa e correta, a versão de Falabella tem grande capacidade de comunicação com a plateia a que se destina e a deixa de olhos cheios. Estreou em 13/9/2014. Até 28/6/2015. Em 1972: o musical teve uma célebre montagem protagonizada por Paulo Autran, Bibi Ferreira e Grande Otelo, com direção de Flávio Rangel.
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  • Em sua oitava edição, que rola até domingo (28/9), a Mostra do Fomento à Dança reúne 31 atrações divididas por nove espaços da cidade. A Galeria Olido, no centro, recebe alguns dos principais artistas. Na quarta (24/9), às 18h, a Cia. Oito Nova Dança exibe ✪✪✪ Xapiri Xapiripë — Lá Onde a Gente Dançava sobre Espelhos (85min), inspirada em uma pesquisa antropológica da cultura de oito povos ameríndios. Da Cia. Maurício de Oliveira & Siameses, a peça ✪✪✪ Albedo (55min), carregada de humor e surrealismo, tem vez no sábado (27/9/2014), às 20h. Com máscaras de espuma grotescas, seis artistas exploram os contrastes entre o belo e o feio. 
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  • Em 1992, quando Seun Kuti tinha apenas 9 anos, começou a ficar claro que ele poderia ser o herdeiro artístico de seu pai, o cantor, compositor, ativista e multi-instrumentista nigeriano Fela Kuti (1938-1997). O caçula entre sete irmãos era responsável por entreter o público na abertura dos shows do criador do afrobeat, uma mistura de jazz, funk, ritmos africanos e letras politizadas. Aos 12, depois de escolher o saxofone como instrumento, o rapaz já era um dos integrantes da Egypt 80, a celebrada banda que tocava, protestava e, eventualmente, era presa com Fela. Com a morte do pai, ele assumiu o posto de líder do conjunto e lançou quatro discos de estúdio. O mais recente, A Long Way to the Beginning (2014), é o que Seun vem divulgar por aqui. No saxofone e acompanhado por outros onze instrumentistas, ele toca, entre outras, Ohun Aiye, IMF, Kalakuta Boy, African Smoke e Black Woman. Curiosidade: outro irmão de Seun, Femi Kuti, também enveredou pelo caminho da música, com a banda Positive Force. Dia 28/9/2014.
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  • Filha de pais nascidos na Guiné Equatorial, a cantora espanhola sensação do famenco Buika, de 42 anos, lançou seu primeiro disco, Mestizüo, em 2000. Mas passou a ficar conhecida mesmo há três anos. Foi quando duas músicas interpretadas por ela, Por el Amor de Amar e Se Me Hizo Fácil, fizeram parte do filme dirigido por Pedro Almodóvar A Pele que Habito (2011). Amparada por Ivan Mélon Lewis (piano, teclado e percussão) e Ramón Porrina (percussão e coros), ela refaz a apresentação que realizou no palco intimista do Tom Jazz no fim de 2013, quando mostrou as faixas do disco La Noche Más Larga, o mais recente. No repertório entram músicas de Billie Holiday (Don’t Explain), Fito Páez (Yo Vengo a Ofrecer Mi Corazón) e Jacques Brel (Ne Me Quitte Pas). Dia 27/9/2014.
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  • Tente imaginar um mix bem oportunista de fenômenos pop como o seriado Lost, as sagas pós-apocalípticas na linha de Jogos Vorazes e os best-sellers de terror de Stephen King. Apesar da aparência de subproduto chinfrim, a aventura Maze Runner — Correr ou Morrer vence a desconfiança do espectador com uma cartada de alto impacto: ágil, enxuta e sem o refresco do sentimentalismo, a adaptação do primeiro livro da série escrita pelo americano James Dashner dispara surpresas a cada curva da narrativa. Grudado na poltrona, o público rapidamente embarca na aflição do protagonista, o desnorteado Thomas (Dylan O’Brien), e sente na pele a experiência de descobrir, pouco a pouco, os códigos e segredos de um ambiente misterioso. Com a memória apagada, o rapaz é atirado num elevador subterrâneo gigante e, depois de muita tremedeira, emerge numa comunidade rural habitada apenas por meninos. Esse grupo, isolado do mundo há três anos, criou uma série de regras de sobrevivência. As mais importantes dizem respeito às muralhas que cercam o lugar onde vivem, apelidado de Clareira. Os blocos de pedra escondem um enorme labirinto de onde ninguém consegue escapar. Pela manhã, é possível explorar seus corredores. Quando a tarde cai, porém, as paredes se fecham e criaturas assustadoras tomam conta do pedaço. A convivência entre meninos e monstros transcorre pacificamente até o dia em que Thomas decide quebrar um tabu e desvendar o enigma por conta própria. Estreou em 18/9/2014.
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  • Uma das maiores bilheterias de 2012 nos Estados Unidos, a comédia Ted fez de Seth MacFarlane uma celebridade. Já paparicado pelos fãs da série animada Family Guy, o ator, diretor e roteirista se tornou figurinha inevitável em talk shows e chegou a apresentar o Oscar em 2013. Em seu novo trabalho, ganhou carta branca para filmar uma sátira de faroestes, filão em baixa desde o longínquo Banzé no Oeste, dirigido por Mel Brooks em 1974. A fama, nota-se, resultou em falta de critérios e ego nas alturas. Além de interpretar o papel principal, MacFarlane escreve, dirige e está entre os produtores de uma fita que provoca constrangimento em vez de risos. O humor grosseirão, uma das marcas do comediante, revela-se o menor dos problemas numa trama sem o frescor de seus projetos anteriores. Ele vive Albert, um nerd incomodado com o dia a dia violentíssimo da pequena cidade de Old Stump, uma terra sem lei fictícia cravada no Alabama. O ano é 1882. Depois de fugir covardemente de um duelo, o criador de ovelhas se vê abandonado pela namorada (Amanda Seyfried), caidinha pelo arrogante Foy (Neil Patrick Harris), dono de uma “bigoderia”. Para salvá-lo da humilhação pública, entra em cena a valente Anna (Charlize Theron), mulher de um bandido furioso (interpretado por Liam Neeson). Quando os dois se apaixonam, o pobretão será eleito o alvo número 1 dos criminosos. Estreou em 18/9/2014.
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  • Não espere por uma história típica sobre infidelidade no casamento. Sem reviravoltas trágicas nem surradas lições de moral, o diretor francês Marc Fitoussi vira pelo avesso os lugares-comuns do gênero em uma comédia romântica narrada com humor leve e pitadas de incorreção política. Quatro anos depois do também adorável Copacabana, o realizador volta a desafiar a atriz Isabelle Huppert a entrar na sintonia cuca-fresca de uma personagem não muito preocupada em seguir à risca as convenções sociais. Em uma fazenda na Normandia, Brigitte Lecanu cria gado charolês ao lado do marido (Jean-Pierre Darroussin). Embora cumpra as atividades com vigor, ela sente falta de emoções um pouco mais palpitantes. Eis que, em uma festinha, conhece Stan (Pio Marmai), um rapaz parisiense e trinta anos mais jovem. Nos dias seguintes, Brigitte tomará coragem para mentir sobre uma consulta médica e fazer uma viagem de dois dias a Paris para encontrá-lo. Essa alegre escapadela pode ser interpretada como uma fábula urbana sobre a busca por liberdade e autoconhecimento em um mundo cada vez mais padronizado — e um elogio a quem, como Brigitte, ousa sair em busca de um tipo particular de felicidade. Estreou em 18/9/2014.
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  • Não só de zumbis e casas assombradas vive o cinema de terror americano. O enorme sucesso de Invocação do Mal (2013) revigorou outra tendência no gênero: as fitas inspiradas em (sinistros) casos verídicos. O diretor americano Scott Derrickson, que já havia filmado uma história supostamente real em O Exorcismo de Emily Rose (2005), desta vez extrai a trama de um livro sobre as experiências sobrenaturais de um policial de Nova York. Cético e durão, Ralph Sarchie (Eric Bana) investiga atrocidades nas ruas do Bronx quando depara com uma ocorrência inexplicável. No zoológico, uma mulher transtornada atirou um bebê na cova dos leões, como se estivesse hipnotizada por um estranho encapuzado. Dias depois, a filha do oficial começa a ouvir barulhos estranhos na parede de seu quarto. Para resolver o mistério, Ralph dá o braço a torcer e aceita juntar-se a um padre (Edgar Ramírez) especialista em exorcismo. Daí em diante, o filme reprisará preguiçosamente o manjado clichê da dupla de investigadores que, apesar de não ter nada em comum, une forças no combate ao mal. Ou seja, nada que o seriado True Detective, do canal pago HBO, não tenha feito com mais inteligência e estilo. Estreou em 18/9/2014.
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  • De ídolo teen a surpresa no horário nobre da televisão, o ator e cantor capixaba Chay Suede, de 22 anos, ganhou um upgrade na carreira após uma pequena e elogiada participação na novela Império, no fim de julho. Filmada um ano antes do folhetim da TV Globo, esta comédia com ares de road movie deve surfar nessa maré de popularidade, apesar de focar um perfil juvenil já abandonado pelo astro. Chay faz o papel de Felipe, um paulistano da Zona Leste que, na companhia dos amigos Deco (Paulo Vilela) e Burunga (José Trassi), resolve curtir os últimos capítulos da adolescência caindo na farra no Carnaval de Salvador em 1994. Para chegar ao destino, os obstáculos serão muitos, a começar pela falta de grana. A solução: pegar a estrada numa Kombi caindo aos pedaços usada pela turma para vender hot-dog. Mal saem de casa, eles vão parar na borracharia de um fanático religioso (Guilherme Fontes). Quem chama atenção do trio é uma mulher sedutora (Paloma Bernardi), disposta a tudo para embarcar na viagem deles. Com toques de fantasia nonsense, a narrativa não cai no tédio. Mas talvez nem o fã-clube de Chay encontre graça num humor tão ingênuo, sem a malícia apimentada dos similares americanos. Estreou em 18/9/2014.
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  • O caminho das letras

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Fonte: VEJA SÃO PAULO