Futebol

Série B do futebol de várzea é disputada por 192 equipes

As primeiras 48 equipes ganham a chance de jogar na primeira divisão — da várzea — em 2013

Por: Pedro Henrique Araújo

ed. 2282 - futebol de várzea
O “clássico” Nem Ligo x Lázio, realizado em julho: atração na periferia (Foto: Ivan Dias)

A vitrine mais humilde para um aspirante a boleiro tentar se tornar conhecido é o futebol de várzea. De tempos em tempos, surge nesse circuito na cidade um talento que recebe como prêmio a chance num clube profissional (a última revelação foi o atacante Leandro Damião, do Internacional e da seleção brasileira).

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A maioria dos que estão ali, porém, são pernas de pau de primeira linha, que disputam renhidas peladas em campos de segunda. Só existe algo pior do que a várzea: a série B da várzea. Sim, isso mesmo, há uma segunda divisão da categoria. Mais surpreendente ainda é o número de interessados pelo negócio. A atual edição conta com 192 equipes, muitas delas com nomes exóticos, como Ressaca e Mella Pé.

Grande parte das partidas se realiza em campos de terra batida com arquibancadas precárias. A decisão, com previsão para ocorrer em novembro, está marcada para uma arena mais nobre, o campo do Nacional, na Barra Funda, com capacidade para 10.000 pessoas. Ao final, o campeão, o vice e outras 46 agremiações ganharão o direito de figurar na primeira divisão — da várzea — em 2013.

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Em meio a goleiros visivelmente fora do peso e zagueiros que levantam poeira a cada chutão, há gente que já esteve em companhia melhor. Uma das estrelas do Nem Ligo, da Zona Leste, o volante Cristiano Lima, de 26 anos, passou pelas categorias de base do Vitória, na Bahia, e atuou profissionalmente pelo Assisense, da quarta divisão do futebol paulista.

Em 2009, aceitou o convite para disputar partidas na várzea, em uma equipe da mesma região, embolsando 200 reais por exibição. Hoje defende o time do seu bairro sem ganhar nada. “É muito bom quando você faz um gol, vai à padaria no dia seguinte e recebe os parabéns da galera”, afirma.

Quem banca o espetáculo desde 1995 é a Heineken, que batiza a taça com o nome de uma de suas marcas, a Kaiser. “Isso nos dá prestígio na periferia”, afirma Vanessa Brandão, gerente de marketing da cervejaria.

TERRÃO F.C.

As características e os fatos pitorescos da competição

— Dos 192 times, 72 são da Zona Leste

— Entre os competidores, há equipes com nomes como Mella Pé, Nego Negro, Psicóticos e Ressaca

— As partidas são disputadas em 33 campos: 23 deles são de terra, nove são de grama sintética e apenas um, na Barra Funda, tem gramado conservado e proporções oficiais

— Como os jogadores não são profissionais, as partidas duram 70 minutos (20 a menos do que no futebol profissional) e são permitidas até cinco substituições (duas a mais do que em um jogo normal)

Fonte: VEJA SÃO PAULO