Cinema

Marcelo Rubens Paiva: "Brasileiro não é machista, só é bobão com mulher"

Jornalista e escritor assina roteiro de “E Aí, Comeu?”, comédia nacional que estreia nesta sexta (22)

Por: Bruno Machado - Atualizado em

Marcelo Rubens Paiva
Marcelo Rubens Paiva: "As mulheres que nos perdoem pelas nossas piadas" (Foto: Rafael Cusato)

O jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva, 53 anos, do conhecido romance “Feliz Ano Velho”, ataca agora no cinema com a estreia nesta sexta (22) de “E Aí, Comeu?”, texto originalmente criado por ele para o teatro. Rebatizado como “Da Boca pra Fora” nos palcos, Paiva ganhou com ele o Prêmio Shell de melhor autor em 2000.

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Doze anos depois, a peça ganha a tela grande pelas mãos de Felipe Joffily, com Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira, Dira Paes e Tainá Müller, entre outros, no elenco. O roteiro é uma parceria de Paiva com Lusa Silvestre, de “Estômago” (2007).

VEJINHA.COM conversou com o autor sobre o processo de adaptação de seu texto para o cinema:

VEJA SÃO PAULO — De quem partiu a ideia de adaptar “E Aí, Comeu?” para o cinema?

Marcelo Rubens Paiva — Do Bruno Mazzeo, que é meu amigo. Trabalhamos juntos em “Malu de Bicicleta” (2010). Ele fez um primeiro tratamento no texto, e eu fiz o roteiro final. Há tempos já tínhamos vontade de fazer o filme. A ideia nasceu num bar, no Rio de Janeiro. O Bruno tinha acabado de se separar e adorou a peça. Eu, aliás, a escrevi quando me separei.

VEJA SÃO PAULO — E como foi escrever o roteiro para o filme?

Marcelo Rubens Paiva — Não foi muito difícil. Fiz os seis primeiros tratamentos e depois passei para o Lusa Silvestre. Gostei muito do que ele fez em “Estômago”, então fiquei confiante quanto ao resultado. Como a peça acontece em vários ambientes, com vários personagens, já tinha mais cara de cinema do que de teatro.

VEJA SÃO PAULO — Você acompanhou a produção do filme?

Marcelo Rubens Paiva — Na verdade não. As filmagens ocorreram no Rio e, como moro em São Paulo, ficava difícil acompanhar. Mas eu confiei no taco do Felipe [Joffily] e do elenco. São todos meus amigos, são minha turma do Baixo Gávea. Sobretudo o Bruno, que é muito parecido comigo. Temos o mesmo humor, o mesmo ritmo. A única diferença é que eu parei de fumar, ele não.

VEJA SÃO PAULO — Há muitas diferenças entre a peça e o filme? O que entrou e o que ficou de fora?

Marcelo Rubens Paiva — Cinquenta por cento da peça está no filme, mas o sentido é o mesmo. É uma história de homens que vivem em bares, escravizados por sua paixão pelas mulheres. Parece uma história machista, mas não é. Inclusive, o outro nome da peça fala isso no título, “Da Boca pra Fora”. Eu vivi nos Estados Unidos, o berço do politicamente correto, e, quando voltei ao Brasil, me dei conta de como os brasileiros têm esse dom de rir deles mesmos. O brasileiro parece machista, mas é apaixonado pelas mulheres. Elas que nos perdoem pelas nossas piadas. Nós, homens, somos mesmo infantis, meio bobões.

Fonte: VEJA SÃO PAULO