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Julio Iglesias: "Não sou fiel e acho que ninguém é"

Cantor espanhol fala sobre a fama de conquistador, a fidelidade e a atribulada relação com Enrique Iglesias

Por: Luan Flavio Freires - Atualizado em

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O espanhol Julio Iglesias: duas noites no Citibank Hall (Foto: Divulgação)

Três anos depois de sua última passagem por São Paulo, Julio Iglesias volta à cidade na turnê que promete ser a de despedida dos palcos brasileiros. Será? O espanhol ama tanto o Brasil  que fica difícil acreditar. Afinal, quem demonstra tanto esforço para falar um português abrasileirado, ainda que marcado pelo sotaque madrilenho, não pode ficar longe daqui por muito tempo.

 

Assim como em 2011, ele vem divulgar 1, álbum lançado naquele ano com regravações de músicas como Crazy, Manuela e Beguin the Beguine. Além de São Paulo, onde se apresenta no Citibank Hall nos dias 19 e 20 de setembro, ele também passa por Fortaleza, Salvador, Uberlândia, Brasília, Rio de Janeiro, Balneário Camboriú e por  Florianópolis. Conversamos com o cantor sobre o sucesso, a fama de conquistador, fidelidade e a atribulada relação com o terceiro de seus oito filhos, o também cantor Enrique Iglesias.

Foi divulgado que essa turnê é a sua despedida dos palcos. Vai ser a última mesmo?

A palavra “despedida” é muito difícil de entender. Não vou conseguir fazer outra turnê grande como essa. Vou cantar por doze noites. Hoje, o tempo é mais escasso, canto da Finlândia à China. A turnê no Brasil está acontecendo porque eu tinha muita vontade de agradecer ao país por tudo de bonito que ele já fez por mim. É a  minha maneira de dizer obrigado.

Você tem uma carreira de mais de cinco décadas, lançou oitenta discos, cantou em catorze idiomas, vendeu 300 milhões de cópias no mundo todo...

Metade disso foi o meu pai que comprou (risos). Ele era um fanático incorrigível. Depois ele vendeu pelo dobro do preço.

O que existe na sua música capaz de se comunicar com pessoas tão diferentes entre si?

Se eu soubesse a razão dessas coisas... Não tem lógica. A arte não tem nenhuma lógica.

Antes de se tornar cantor, você foi goleiro do time B do Real Madrid, até que um acidente de carro o impediu de continuar jogando. Onde você estaria hoje se aquele acidente nunca tivesse acontecido?

(Risos) Boa pergunta. Estaria na merda. Onde eu estaria? Não sei, talvez fosse advogado, mas não ia ser nada bom.

Você sempre teve fama de conquistador...

Fama de conquistador... Sabe o que eu sou? Sou uma pessoa que ama amar. Acho que a palavra “conquista” não é bonita. Sempre adorei a vida, intensamente. Sim, eu amei, amei muito. Sigo amando? Sigo. Vou amar mais? Vou. Tenho 70 anos e, para mim, amor ainda não tem idade.

O que você pensa sobre fidelidade?

Não tenho nenhuma opinião a esse respeito. Há muitos que fazem e não contam. Fidelidade é uma palavra que representa muito compromisso. De que fidelidade você fala? A fidelidade carnal? Não sou fiel, nunca fui fiel e não penso em ser (risos). Você tem namorada? É fiel? Diga a verdade (risos)!

Mas eu não sou o entrevistado, certo?

Quando você vai na rua e vê uma bela mulher, você a admira? Quando me questionam se sou fiel, logo faço a mesma pergunta. Não sou e acho que ninguém é.

Em abril deste ano, seu filho Enrique Iglesias declarou que você ainda não conhece a namorada dele, a tenista Anna Kournikova, com quem ele está há doze anos. Como é a sua relação com ele?

A relação é muito difícil, mas quando estamos perto um do outro, é uma maravilha. Difícil porque ele tem uma vida muito independente. Não quero atrapalhar a vida do meu filho, e ele não quer atrapalhar a minha. Tenho muito respeito e admiração por ele, mas a relação é diferente das normais. Não que isso seja ruim. É verdade que se tivéssemos a vontade de estar mais juntos, estaríamos, com certeza, mas não perdi a esperança de que um dia isso aconteça.

Em 2002, ele lançou uma música chamada Quizás, na qual ele fala da relação de vocês...

Vou falar uma coisa mais importante que isso: as canções são feitas com cores que se pintam em um dia. Escrevi Me Esqueci de Viver em um momento. Se fosse escrevê-la dois dias depois, seguramente o resultado seria outro. As canções não são consequência de uma vida inteira. Quando me falam que meu filho escreveu Quizás para mim, não fico chateado, porque penso que a vida dele não se resume a uma música apenas.

Você ainda não conheceu a namorada dele, Anna Kournikova?

Sei que joga tênis (risos).

Fonte: VEJA SÃO PAULO