entrevista

Franz Keppler: "Fazer teatro é um ato de resistência"

Autor de Camille e Rodin e Divórcio!  fala sobre o sucesso de suas montagens e projetos futuros

Por: Bruno Machado - Atualizado em

Franz Keppler
O dramaturgo Franz Keppler: 'Gosto de escrever ouvindo música deprê e bebendo uísque' (Foto: Alexandre Catan)

Franz Keppler é um dos nomes em evidência no teatro paulistano. Em cartaz com o drama biogáfico Camille e Rodin, no Grande Auditório do Masp, e com a comédia de costumes (a sua primeira) Divórcio!, no Teatro Raul Cortez, ele comemora o sucesso de público e crítica.

A variedade de temas, Keppler credita ao jornalismo, profissão que exerceu por quinze anos à frente de uma empresa de comunicação. "Sou da opinião que tudo pode render uma boa história", afirma o dramaturgo que, a seguir, fala sobre seu duplo êxito no teatro e dá pistas sobre seus novos trabalhos.

+ Mais sobre teatro

VEJA SÃO PAULO — Como o senhor se aproximou do teatro?

Franz Keppler — Quando vi a primeira peça no colégio, me encantei. Naquela época, eu já organizava algumas delas para apresentar à família. No ginásio, fui aluno de Maria Helena Muniz, irmã do [escritor] Lauro César Muniz, que incentivava o teatro. Ela chegava a promover festivais dentro da escola. Em 1978, me aproximei de um grupo amador e me apresentava com ele na Biblioteca Viriato Corrêa. Dez anos depois, tirei meu DRT [certificado de profisisonal]. Nunca o usei.

O senhor montou a e dirigiu uma peça, Ego Com Plexos, em 1988. Depois, deixou o teatro e tocou uma empresa de comunicação para, só então, voltar ao teatro. Por que a demora?

Na verdade, Ego Com Plexos foi muito elogiada, exceto pela direção que também era minha. Eu confesso que apesar de uma temporada de seis meses no TBC, eu não fazia a menor ideia de como se dirigia um espetáculo. É claro que a crítica percebeu isso. Lembro de um artigo do Jornal da Tarde que dizia se tratar de um ótimo texto destruído por uma direção incompetente. Isso me desanimou a ir em frente. Abri uma empresa de comunicação, mas a vontade de escrever permaneceu viva. Em 2006, Elias Andreato e Claudio Fontana leram um texto meu, O Anjo da Guarda, que foi muito bem recebido e permanece inédito. Foi então que decidi me dedicar integralmente ao teatro. 

Existem muitas diferenças entre fazer teatro nos anos 80 e hoje?

Não quero parecer romântico, mas naquela época, como havia menos espetáculos, era mais fácil e havia mais interessados.  Hoje é mais difícil produzir. No caso dos grupos, é preciso brigar por editais, e com um número maior de espetáculos em cartaz, há sempre uma disputa pelo público. Fazer teatro hoje é quase um ato de resistência.

Camille e Rodin
Leopoldo Pacheco e Melissa Vettore: Auguste Rodin e Camille Claudel sob a visão íntima (Foto: Alexandre Catan)

Qual é a diferença entre escrever um drama histórico, como Camille e Rodin, e uma comédia de costumes como Divórcio!?

Camille e Rodin, por ser um drama biográfico, exige alguns cuidados. Na verdade, a ideia não foi minha. Partiu do Leopoldo Pacheco e da Melissa Vettore. Ela, inclusive, me ajudou muito na pesquisa. Ao todo, foram nove meses de trabalho e cerca de doze livros sobre Camille Claudel e Auguste Rodin. Alguns, inclusive, sobre os significados psicológicos de algumas de suas obras. O importante foi utilizar todas essas informações para o nosso objetivo, que era contar uma história de amor. E nisso, o Elias Andreato, que dirigiu o espetáculo, foi fundamental. Já Divórcio!, acredite, foi mais difícil. Eu sou uma pessoa que gosta de escrever ouvindo uma música deprê, bebendo uísque. Aprecio mais a melancolia do que a comédia, e ao mesmo tempo, não gosto do humor chulo, da piada fácil. Fazer rir é muito difícil. Tão difícil que não sei quando vou escrever a próxima comédia.

Divórcio
'Divórcio!': comédia de costumes em cartaz no Teatro Raul Cortez (Foto: Otávio Dias)

Como será seu próximo trabalho?

Prefiro não dar muitos detalhes, mas posso dizer que é um texto escrito a quatro mãos, com o ator Daniel Tavares, inspirado em fatos reais. Acho que isso é uma herança do jornalismo. Meu olhar é sempre investigativo, curioso. Sou da opinião que tudo pode render uma boa história.

+++

OS LUGARES PREFERIDOS DE FRANZ KEPPLER EM SÃO PAULO

Parque do Ibirapuera
(Foto: ThinkStock)

Parque do Ibirapuera

É próximo da minha casa. Um lugar onde adoro caminhar e onde também ouço diálogos interessantíssimos. Cada um deles poderia render uma peça. 

Café Suplicy

É um ambiente muito agradável. A maioria das minhas reuniões de trabalho acontece por lá.

Sesc Belenzinho 2193
O teatro, com quase 400 lugares: assentos confortáveis (Foto: Raul Zito)

Sesc Belenzinho

O prédio é um dos mais bonitos da cidade. Gosto especialmente da sala de teatro de lá.

Fonte: VEJA SÃO PAULO