David Guetta

“O pop eletrônico é o novo rock”

Mais popular DJ do mundo, David Guetta se apresenta domingo (18), na festa Xxxperience. Em entrevista, ele fala sobre sua recente descoberta: o funk carioca

Por: Tiago Faria - Atualizado em

David Guetta
Guetta: "A música evolui. Estamos criando coisas novas" (Foto: Divulgação)

O francês David Guetta diz que ainda gosta de ser conhecido somente como DJ. Foi assim, agitando as pistas de clubes parisienses com seus sets de house, que o jovem fã de hip-hop começou a carreira, em meados dos anos 1980. Hoje, no entanto, não parece tão simples descrever as atividades do produtor que criou os beats de um dos maiores hits da última década, "I Got a Feeling", sua milionária parceria com o Black Eyed Peas. 

No domingo (18), Guetta apresenta este e diversos outros hits no festival de música eletrônica XXXperience, que completa 16 anos (clique aqui para ler o serviço do evento e avaliá-lo). Em dois dias na Arena Maeda, em Itu (cerca de 90 km da capital), 63 convidados se apresentarão em dois palcos. Para os cerca de 30.000 baladeiros, nenhum chamará mais atenção do que Guetta.

 

Além de divulgar a edição especial do disco duplo Nothing But the Beat (2011), o francês produz a faixa que abre o novo álbum de RihannaUnapologetic _ chega às lojas na terceira semana de novembro. Em entrevista à VEJASAOPAULO.COM, Guetta, fala sobre os desafios de dividir estúdios com algumas das estrelas mais concorridas da temporada, e decreta: a música eletrônica é o novo rock.

VEJASAOPAULO.COM: Nos últimos 20 anos, a música eletrônica saiu do underground para se tornar o novo pop. Você concorda?

DAVID GUETTA: Absolutamente. Eu diria até que a música eletrônica é o novo rock. As pessoas que vão aos meus shows sentem o que os pais delas sentiam quando iam a um grande concerto de rock.

VEJASAOPAULO.COM: Quando você se apresenta em grandes festivais e divide o palco com bandas de rock, ainda nota certo preconceito de parte do público?

GUETTA: Isso até pode acontecer, mas... Música é música. É claro, há estilos diferentes, bandas diferentes. Mas tudo faz parte de uma evolução, da evolução da música urbana. Estilos novos aparecem a partir de outros estilos... Estamos criando algo novo, as coisas mudam. E não podemos negar isso.

VEJASAOPAULO.COM: Você prefere gravar discos ou tocar em casas noturnas e festivais?

GUETTA: Acho que são experiências muito diferentes. Mas comecei como DJ, e essa é a minha paixão. Minha inspiração vem daí. Gosto muito de tocar em festivais porque é uma chance de surpreender um público que talvez não tenha comprado ingressos para ver o seu show. Meu objetivo é divertir. E a ideia é que todos, tanto os fãs quanto as pessoas que não se interessam muito pela minha música, se divirtam.

VEJASAOPAULO.COM: Recentemente, você lançou o selo Jack Back Records. É uma tentativa de garantir mais controle sobre o seu trabalho?

GUETTA: O selo tem o propósito de apresentar novos artistas da música eletrônica. É um outro lado do meu trabalho. Não tem a ver com o pop com vocais que eu gravo. A ideia é associar meu nome a esses jovens artistas, para que eles cresçam e apareçam. É um bom desafio.

VEJASAOPAULO.COM: Você comentou em algumas ocasiões que o Brasil é seu país favorito. Por quê?

GUETTA: Adoro o Brasil. Acho que vocês todos sabem disso. Numa entrevista, disse que o Brasil é o meu lugar preferido no mundo. Ainda acho isso. O clima do país combina muito com a música que faço, que é alegre e tem muita energia.

VEJASAOPAULO.COM: Você ouve música brasileira?

GUETTA: Ouvi sim. Gostei muito do funk carioca. Me pareceu muito divertido.

VEJASAOPAULO.COM: O rock tem uma tradição de álbuns duplos. Você se inspirou em alguma banda ou disco para gravar seu CD mais recente Nothing but the Beat (de 2011)?

GUETTA: Não, não cheguei a pensar nisso. Decidi gravar um disco duplo para mostrar as duas faces do meu trabalho. Tenho o lado de produtor pop, dos hits que as pessoas conhecem. Mas também tenho um trabalho de música eletrônica instrumental. Então a ideia foi simplesmente dividir o disco e permitir que as pessoas experimentassem um pouco das duas facetas.

VEJASAOPAULO.COM: Seus discos têm sempre muitos convidados. Por que você opta por esse formato colaborativo? É um desafio?

DAVID GUETTA: É sempre um desafio gravar discos porque tento sempre apresentar novidades, coisas diferentes para o público. E trabalhar com muitos artistas é bom porque estou sempre aprendendo com eles. Gosto muito de trabalhar com diversas pessoas. Por isso, acho que foi natural gravar com muitos convidados.

VEJASAOPAULO.COM: O que você gosta de ouvir quando não está se apresentando em festivais ou gravando discos?

DAVID GUETTA: Quando estou em casa, geralmente ouço música antiga, como Stevie Wonder. Principalmente soul music.

VEJASAOPAULO.COM: Quais são os seus próximos projetos?

DAVID GUETTA: Acabei de gravar uma música que vai abrir o próximo disco da Rihanna (Unapologetic, que será lançado no dia 19 de novembro). É uma faixa excelente (Phresh out the Runway), que produzo e ajudei a escrever. E trabalhar com Rihanna é uma daquelas experiências raras, especiais.

AVALIE ESTA ATRAÇÃO: XXXperience

Onde: Arena Maeda, em Itu

Quando: domingo (18) e segunda (19)

Ingressos: de R$ 225,00 a R$ 270,00

Fonte: VEJA SÃO PAULO