Exposição

Leia entrevista com Alfons Hug, idealizador da mostra sobre a Bauhaus

Fotografias e filmes raros, que não foram exibidos nem na Europa, fazem parte de bauhaus.foto.filme, em cartaz no Sesc Pinheiros

Por: Livia Deodato - Atualizado em

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A Escola de Design e Artes Bauhaus, fundada pelo arquiteto Walter Gropius em Weimar, na Alemanha, funcionou por apenas 14 anos, entre 1919 e 1933, e ainda assim deixou um legado imensurável no campo das artes. As experimentações principalmente nas áreas de arquitetura e design tornaram a instituição alemã referência em todo o mundo, até os dias de hoje.

Duas vertentes um pouco menos conhecidas da escola, as fotografias e os filmes, serão trazidas ao Brasil pela primeira vez dentro da programação do ano da Alemanha no Brasil, por meio de uma parceria com o Sesc São Paulo e o Goethe Institut. “Os filmes são totalmente desconhecidos”, conta um dos curadores e organizador da mostra Alfons Hug, diretor do Goethe do Rio de Janeiro. “É um conjunto de obras que nunca foi mostrado nem na Europa, porque estavam passando por um processo de restauração.”

Fazem parte da exposição bauhaus.foto.filme doze vídeos, de conteúdo experimental, em sua maioria. Nesta linha, Hug destaca Rhythmus 21, de Hans Richter, além de um clássico de László Moholy-Nagy. Há também oito entrevistas, realizadas àquela época, que tratam sobre todos os aspectos da vida da Bauhaus, o que inclui estudos e pesquisas no campo da arquitetura, design e artes visuais como um todo. Eles integram o acervo da Fundação Bauhaus Dessau e serão projetados em grandes telas, no segundo andar do Sesc Pinheiros.

Já as fotografias, mais disseminadas e conhecidas do público, vêm do Arquivo Bauhaus/Museu de Design de Berlim, que contempla mais de 40 mil registros fotográficos da escola que encerrou suas atividades com a chegada do nazismo ao poder, em 1933. Na opinião de Hug, destacam-se os retratos e autorretratos, “uma forma que os estudantes encontraram de se ligarem ao ser humano e que até hoje servem como inspiração para os artistas mais jovens”. Ele cita a sua preferida: a de uma jovem tecelã japonesa, Michiko Yamawaki, no tear, tirada por Rose Hajo em 1931.

A relevância da escola alemã, que atravessou o século, é explicada por um de seus principais lemas: o de vislumbrar a melhoria na qualidade de vida das pessoas na cidade. “A Bauhaus não foi só um movimento artístico: ela visava todo um projeto para a sociedade, de democratização”, diz Hug. O desenvolvimento de projetos urbanísticos continua sendo proposto até hoje por meio dos museus. Há cerca de 10 anos foi realizada, inclusive, uma intervenção urbana na favela de Jacarezinho, no Rio de Janeiro. E assim querem continuar. “A questão da urbanização e da arquitetura continua predominante. Mas também há projetos de recuperação da dança e de festas da Bauhaus, como as carnavalescas e de metal levadas ao leste da Alemanha.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO