9 de Julho

A avenida que virou feriado e outros endereços “históricos”

No mapa da cidade, os dias homenageados mostram fatos conhecidos ou nem tanto do nosso passado

Por: Bruno Cesar Dias - Atualizado em

Avenida 9 de julho
Avenida 9 de julho: via de 6,1 quilometros cruza três bairros da cidade e homenageia a Revolta de 1932 (Foto: Mario Rodrigues)

Uma das tarefas da Câmara de Vereadores é dar nome às ruas da cidade. Como inspiração, vale desde homenagens a personalidades da cena política e cultural brasileira a datas que deixaram marcas na cidade.

Em clima de celebração dos 80 anos da Revolução de 1932, nesta segunda (9), feriado no estado desde 97, veja abaixo a origem de endereços em São Paulo que carregam dias históricos em seus nomes.

Rua Primeiro de Janeiro

O primeiro dia do ano, feriado da paz mundial, nomeia dois endereços: uma continuação da Rua Coronel Lisboa, a partir da Borges Lagoa com término na Luís Góis, e uma pequena travessa da Estrada da canal da Cocaia, no Grajaú.

Rua 25 de Janeiro

A data de fundação da cidade batiza uma travessa perpendicular à Avenida Tiradentes, na região central.

Rua Primeiro de Março

A data oficial do fim da guerra do Paraguai dá o nome para esse trecho entre as ruas 11 de julho e Luís Góis, região do bairro da Saúde profícua em datas.

Rua 25 de Março

A via possui, desde os tempos da colônia de Piratininga, sua vocação para o comércio. O antigo Beco das Sete Voltas acompanhava as margens do Rio Tamanduateí e, por seu trajeto, as mercadorias descarregadas dos portos chegavam ao Largo do Comércio (atual Praça Fernando Costa). No século XIX, ganhou a denominação popular de Rua de Baixo e, em 1865, foi oficialmente rebatizada de 25 de Março, data da primeira Constituição brasileira, outorgada por Dom Pedro I em 1824. Seu atual traçado vai da Rua Paula Sousa à Avenida Rangel Pestana.

Rua 25 de março
Vocação para a pechincha: Nascida Beco das Sete Voltas, a rua 25 de março já servia ao comércio (Foto: Ricardo Correa)

Viaduto 31 de Março: Por incrível que pareça, a data de implantação da ditadura militar em 1964 ganhou duas homenagens: uma rua na Vila Andrade e um trecho da Radial Leste sobre o Parque D. Pedro II, com início na altura da Rua Frederico Alvarenga, passando sobre o canal do Rio Tamanduateí, com término nas proximidades das ruas Capitão Faustino de Lima e da Figueira, na região central.

Rua Sete de Abril: O caminho foi aberto para ligar o Largo da Memória à região batizada na metade do século XIX como “centro novo”, nas imediações da Praça da República (antigos Largo da Palha e Largo dos Curros), e em oposição ao “velho”, compreendido pelo Pátio do Colégio e Praça da Sé. A data é uma marcação de posição dos republicanos da época e pontua o dia da renúncia de D. Pedro I.

Rua 21 de Abril

Séculos depois da sua morte, o militar de baixa patente Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, foi transformado em herói da Conjuração Mineira (1789) pela primeira geração republicana. O aniversário de sua morte batiza uma rua que começa em frente à Estação do metrô Brás e vai até Rua São Leopoldo, no bairro do Belenzinho.

Rua 22 de Abril

O descobrimento do Brasil também ganhou sua homenagem no mapa viário de São Paulo: é uma pequena travessa da Rua Leonilda Magrini, no Lajeado, sub-bairro de Guaianazes.

Rua Primeiro de Maio

O dia internacional do trabalhador tem vários endereços espalhados pela cidade, com vias localizadas nos bairros do Grajaú, Tremembé, Vila Jacuí, Ermelino Matarazzo e Ipiranga.

Largo e Rua 13 de Maio

São dois os endereços que celebram o dia da assinatura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão no país: a praça localizada na região de Santo Amaro (antigo Largo do Jogo de Bola) e o eixo mais quente do Bexiga, entre a Rua Santo Antônio e Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região da Bela Vista.

 Avenida 23 de Maio

A antiga Rua Anhangabaú foi transformada na ligação expressa entre o centro e a zona sul no Plano de Avenidas da primeira gestão do prefeito e urbanista Prestes Maia (1938-1945). O nome representa a data que disparou os acontecimentos de 1932. Naquele dia, diversas manifestações em repúdio às políticas de Getúlio Vargas foram debeladas a tiros e levaram à morte os jovens Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Drausio Marcondes de Souza e Antônio de Camargo Andrade, fato que gerou comoção na sociedade da época e batizou o movimento constitucionalista com a sigla formada pelas iniciais de seus sobrenomes - MMDC. Hoje, a avenida famosa entre os paulistanos por ser uma das mais engarrafadas da cidade, desemboca no Parque do Ibirapuera, junto ao Obelisco, erguido em homenagem aos mortos da revolução.

Avenida23 de maio
Congestionamento histórico: a data que marca o inicio do movimento constitucionalista MMDC transformou-se num dos símbolos do caos da cidade (Foto: Mario Rodrigues)

Rua 24 de Maio

Entre as ruas Ipiranga e Dom José de Barros, também faz parte dos endereços abertos na região do “centro novo”. O objetivo da homenagem foi registrar a vitória da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) na Batalha do Tuiutí, considerada uma das mais sangrentas da Guerra do Paraguai (1864-1870), com saldo de 10.000 mortos.

Avenida Nove de Julho

O eixo que liga, a partir do Vale do Anhangabaú, o centro à região sudoeste da cidade representa, com a devida pompa, a data da tomada dos quartéis de São Paulo pelo movimento constitucionalista. Com 6,1 quilômetros, ela passa por um túnel sob a Avenida Paulista e alcança a Avenida Brigadeiro Faria Lima. Seu traçado também corresponde ao Plano de Avenidas do prefeito e urbanista Prestes Maia.

Rua Onze de Junho

Continuação da Rua Padre Machado, na Vila Mariana, o endereço que une a Rua Domingos de Moraes e a Avenida Rubem Berta homenageia um dos confrontos da Guerra do Paraguai: a batalha naval do Riachuelo em 1865.

Largo Sete de Setembro

Nem todos sabem, mas o dia da Independência do Brasil nomeia o passeio à direita da Praça João Mendes, no centro. Lá, ficava o pelourinho, poste no qual os escravos negros eram amarrados para receber chibatadas e demais castigos. Os ventos republicanos batizaram primeiramente a região de bairro da Liberdade. Depois, decidiu-se colocar uma placa com a data relacionada ao grito do Ipiranga.

Rua XV de Novembro

Os defensores da República sepultaram por completo, em 1899, as lembranças coloniais dessa rua que liga o Mosteiro de São Bento ao Pátio do Colégio e à Praça da Sé. Antes Rua do Rosário, a passagem foi renomeada Rua da Imperatriz em homenagem à visita de Teresa Cristina e Dom Pedro II à cidade, em 1846. A primeira Câmara de Vereadores republicana decidiu, então, um novo rebatismo, com o dia da instauração do novo regime.

Rua 20 de Novembro

A data que registra a morte de Zumbi dos Palmares pelas tropas portuguesas em 1695 virou o Dia da Consciência Negra, feriado em diversas cidades e estados. Batiza também uma pequena ruela que nasce na Rua Manuel Álvares Pimentel, no Itaim Paulista.

FonteDicionário eletrônico História das ruas de São Paulo, do Arquivo Histórico da Prefeitura de São Paulo

Fonte: VEJA SÃO PAULO