Negócios

Empresa investe na popularização dos voos panorâmicos de helicóptero

Passageiros pagam 60 reais para ficar dois minutos nos ares

Por: Pedro Henrique Araújo

Helicóptero-2260
Robinson 44 da Solihel: até sessenta decolagens por dia (Foto: Mario Rodrigues)

O empresário Gilson Trindade, proprietário da Solihel Helicópteros, especializou-se em oferecer voos panorâmicos diferentes na cidade. Espigões da Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera ou Represa de Guarapiranga? Nem pensar. Na maior parte das vezes, a aeronave que ele aluga, um modelo Robinson 44 para três passageiros, passa longe dos cartões-postais da capital. Em vez disso, leva os clientes para conferir do alto locais bem menos charmosos, como as avenidas Aricanduva e Jacu-Pêssego, ambas na Zona Leste.

Num passeio típico, o piloto pode sobrevoar garagens de ônibus, campos de várzea e amontoados de casas simples. Não é nada lá muito atraente, mas o serviço faz sucesso, principalmente por causa do preço camarada, anunciado em faixas coloridas espalhadas pelas redondezas dos lugares onde ocorrem as decolagens: 60 reais por pessoa por um passeio de dois minutos (uma empresa de táxi-aéreo costuma cobrar 1.600 reais a hora de voo). “Meu público mora na periferia e é formado por pessoas que nunca tiveram oportunidade de andar num aparelho desse tipo”, relata Trindade. “Começo a ter lucro depois de transportar setenta pessoas.” Segundo ele, num fim de semana bom chega a faturar 5.000 reais.

+ Tráfego de helicópteros: hélices na mira

 

Helicópteros-Jacu-Pessego-2260
Vista da Avenida Jacu-Pêssego durante uma das viagens: longe dos pontos turísticos (Foto: Mario Rodrigues)

O serviço tem um caráter itinerante e, de tempos em tempos, muda de bairro, como se fosse um cirquinho ou parque de diversões. “Se ficar parado, o público acaba se cansando”, explica ele. A temporada 2012 começa neste sábado (10), com embarques previstos a partir das 10 horas no quilômetro 23 da Rodovia dos Bandeirantes, nas proximidades do Pico do Jaraguá. Às 17 horas haverá a última decolagem. Uma nova leva de viagens está programada para o próximo dia 17. Depois, a atração deve migrar para as zonas Norte e Sul — os pontos de partida ainda não foram definidos. Os interessados não precisam fazer reserva, mas é recomendável entrar em contato com a empresa horas antes do embarque, pois os passeios podem ser cancelados em razão de chuvas ou ventos fortes que possam trazer qualquer risco para o voo.

 

Helicóptero-FabioFrare-2260
O piloto Fábio Frare e a faixa divulgando o serviço: “É muito mais divertido do que transportar empresários” (Foto: Mario Rodrigues)

+ Chuvas fortes transformam árvores em perigo nas ruas de São Paulo

A história da Solihel é tão curiosa quanto o que ela oferece. Nos anos 90, o empresário Trindade era dono de uma floricultura em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Ele começou a pensar em mudar radicalmente de ramo quando uma promoção da loja, envolvendo o sorteio de um voo panorâmico de helicóptero, fez grande sucesso entre os clientes. Tempos depois, Trindade abria a nova empresa, investindo no setor de turismo nos ares. “Uma das coisas mais difíceis no começo foi achar os parceiros certos para que o negócio literalmente decolasse”, diz o empresário. Como não pilota aeronaves, ele contrata uma companhia de táxi aéreo para realizar os passeios (a sócia atual é a empresa Go Air, credenciada pela Anac). Nos fins de semana de maior movimento, ela chega a executar até sessenta decolagens por dia, transportando um total de 180 passageiros no período.

Helicópteros-Faixa-2260
Faixa usada por Frare para divulgar o serviço: 180 passageiros por fim de semana (Foto: Mario Rodrigues)

Fonte: VEJA SÃO PAULO