Teatro

Musical 'Emoções Baratas' conserva-se híbrido e encantador para olhos e ouvidos

Em cartaz no Estúdio Emme, o antigo Avenida Club, a nova versão da peça traz nove atores-bailarinos circulando entre o palco e as mesas

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Emoções Baratas - 2177
Em clima de cabaré: atores-bailarinos e cantoras circulam pelo palco e pela plateia (Foto: Luiz Tripolli)

O jazz do compositor americano Duke Ellington (1899-1974) e o espetáculo ‘Emoções Baratas’ rondam a cabeça do diretor José Possi Neto de tempos em tempos. Trinta anos atrás, em uma viagem a Boston, ele visitou um cabaré e teve a ideia de criar um musical inspirado no lugar. Em 1988, ‘Emoções Baratas’ ganhou o palco e impressionou por adotar uma fronteira tênue entre o teatro e a dança, embalada pela banda Heartbreakers e pelo vozeirão das cantoras Misty e Adyel, que na época roubavam a cena. De volta, a remontagem conserva-se como uma encenação híbrida e construída a cada noite, igual à rotina de um clube boêmio.

Em cartaz no Estúdio Emme, o antigo Avenida Club, a nova versão traz nove atores-bailarinos circulando entre o palco e as mesas, e a mesma Heartbreakers executando canções de Ellington, como ‘Solitude’, ‘Stomp Look and Listen’ e ‘It Don’t Mean a Thing’. Sem uma palavra, a montagem vale-se das letras, agora interpretadas pelas cantoras Bibba Chuqui e Karin Hils, e da personificação de cada tipo — a cliente carente, a bêbada, o garçom solidário, o inconveniente, a debochada — para narrar uma trama que atravessa a madrugada. Mas salta aos olhos a precisão dos movimentos dos bailarinos, alguns deles transformando o cenário ao trocar mesas e cadeiras de lugar. Mesmo que os passos sejam calcados em números coletivos, não há unidade, e isso estimula a leveza e a espontaneidade deles. Em uma interação, onze espectadores são convidados a dançar com o elenco e passeiam por emoções que só a noite proporciona.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO