São Paulo

Em grampo, alvo da Máfia da Merenda chama Russomanno de "novo parceiro"

Líder nas pesquisas para a prefeitura descartou participação em esquema e pediu investigação irrestrita dos fatos

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

celso russomanno
O político: citado na delação premiada de Pedro Corrêa, do PP (Foto: Eduardo Enomoto)

O deputado federal Celso Russomanno, candidato à Prefeitura pelo PRB, é citado em relatório da Polícia Civil no inquérito da Operação Alba Branca, que investiga o esquema de fraudes em licitações da merenda escolar que se instalou em pelo menos 35 prefeituras e mirava também contratos da Secretaria de Educação do governo Alckmin.

O parlamentar não é alvo da investigação - ele detém foro privilegiado perante o Supremo Tribunal Federal (STF) -, nem a ele é imputado ato ilícito, mas o documento sugere proximidade de Russomanno com dois alvos da Alba Branca, quadros importantes na estrutura da organização criminosa, César Augusto Lopes Bertholino, o 'Marrelo', e Cássio Chebabi.

Em um contato grampeado, em julho de 2015, Chebabi diz a 'Marrelo' que Russomanno é "novo parceiro". Ele afirma que o deputado "tá forte pra prefeitura". César 'Marrelo' diz que eles vão "jantar" com o deputado. Afirma, ainda, que Russomanno "vai dar duas secretarias" para Leonel Júlio, ex-deputado e pai do lobista da quadrilha da merenda. "Já tá acordado", afirma 'Marrelo'. A Polícia diz que "fica claro que (Chebabi e 'Marrelo') esperam algum benefício com esta aproximação".

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Segundo os investigadores, os dois integrantes da Máfia da Merenda "demonstram claramente acreditarem que o caminho mais fácil para a consecução de contratos com órgãos públicos é a aproximação com pessoas que detêm poder de mando nos órgãos públicos visados". Russomanno reagiu com indignação à citação a seu nome. Ele afirma que não conhece e nunca se encontrou com 'Marrelo' e Chebabi. Russomanno informou que vai oficiar o Ministério Público pedindo "apuração irrestrita dos fatos".

A Alba Branca investiga, ainda, o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o 'Moita', e o ex-chefe de gabinete da Educação do Estado, Fernando Padula. Também citado em depoimentos, o deputado estadual Fernando Capez, do PSDB, presidente da Assembleia Legislativa paulista, é alvo de investigação da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado.

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Confira a troca de mensagens, no dia 16 de julho de 2015, entre 'Marrelo' e Chebabi, resgatada pela Polícia Civil. 

'Marrelo' escreveu às 17h54: "Tô indo lá pro Mané, vamos jantar com Celso Russomanno. Eu e o Marcel. Marcamos às 9 horas".

Chebabi respondeu às 18hs. "Novo parceiro."

'Marrelo': Opaa. O Marcel já tinha conversado com ele. E falado da Coaf prá ele.

Chebabi: Tá forte prá prefeitura.

'Marrelo': Ele foi pedir apoio pro Leonel.

Chebabi: Ele é PR.

'Marrelo': PRB. Universal.

Chebabi: Cola

'Marrelo': Tá com dindim prá gastar. Vai dar duas secretarias pro Leonel. Se ele vier a ser prefeito de SP. Já tá acordado.

Fonte: Estadão Conteúdo