Senado

O jogo agora embaralhou

Com a saída do ex-governador Orestes Quércia da disputa e a internação do senador Romeu Tuma, a briga pelas duas vagas continua indefinida

Por: Mariana Barros - Atualizado em

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A briga pelas duas vagas de senador continua indefinida (Foto: Mario Rodrigues/Thiago Bernardes/Fernando Moraes/Dida Sampaio)

A princípio achei que meu mal-estar era reflexo da cirurgia que fiz na coluna no começo do ano, e admito que não tomei os cuidados adequados”, dizia em nota divulgada no último dia 3 o ex-governador Orestes Quércia, 72 anos. Fazia quatro dias que ele permanecia internado no Hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista, supostamente para tratar do rescaldo de uma operação de hérnia de disco realizada em janeiro. As dores teriam sido agravadas pela agenda de campanha com a qual Quércia (PMDB) pretendia conquistar uma vaga no Senado. Ele contava com 25% das intenções de voto, segundo pesquisa do instituto Datafolha realizada em 23 e 24 de agosto. Estava tecnicamente empatado com o cantor, apresentador e vereador Netinho de Paula (PCdoB), que acumulava 24% — a margem de erro é de 2 pontos porcentuais. A ex-prefeita Marta Suplicy (PT), companheira de coligação de Netinho, liderava a disputa, com 32%. O senador Romeu Tuma (PTB) aparecia com 16%, Ciro Moura (PTC) com 13% e o ex-secretário de estado da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) com 9%.

+ Eleições: não desperdice o seu voto

Na semana passada, o prognóstico de dores nas costas de Quércia deu lugar a um comunicado oficial em que o peemedebista renunciava à candidatura para cuidar de um câncer na próstata. Ao se afastar, pediu a seus eleitores apoio a Nunes Ferreira, da mesma coligação e que herdaria seu tempo no horário eleitoral gratuito. Embora não exista transferência automática de votos, a tendência é que Nunes Ferreira seja o principal beneficiário da desistência do ex-governador, embaralhando ainda mais a disputa. Quércia não foi o único candidato ao Senado a ter a campanha abalada por problemas de saúde: desde o dia 1º até o encerramento desta edição, Tuma também seguia internado no Sírio-Libanês. Oficialmente, ele fora tratar de uma afonia e aproveitou para realizar exames pré-agendados. Extraoficialmente, porém, o senador, que tem diabetes, estaria sofrendo de insuficiência cardíaca. Ainda assim, o PTB pretendia manter Tuma no jogo, que se embola a três semanas da decisão.

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■ O que faz um senador?

Propõe leis e emendas constitucionais, vota a aprovação do orçamento da União e tratados internacionais, fiscaliza as ações do governo e permite alteração e extinção de cargos. Pode processar e julgar presidente e ministros, votar a nomeação do diretor do Banco Central, de membros do Tribunal de Contas da União (TCU) e autorizar operações de crédito entre União, estados e municípios.

■ Quem os senadores representam?

As unidades da federação. Cada estado, bem como o Distrito Federal, elege três representantes, independentemente do tamanho de sua população.

■ Como são eleitos?

Pelo sistema majoritário, em que saem vitoriosos aqueles que obtiveram mais votos. A coligação a que pertencem não interfere na soma de votos, ao contrário do que ocorre na eleição de deputados e vereadores.

■ Por que neste ano temos de votar em dois candidatos ao Senado?

Um terço da Casa se renova numa eleição e, quatro anos depois, renovam-se os outros dois terços. Atualmente, representam São Paulo Aloizio Mercadante (PT), Romeu Tuma (PTB) — ambos encerrando seus mandatos — e Eduardo Suplicy (PT), que permanece até 2014. No próximo dia 3, caso o eleitor vote duas vezes no mesmo candidato, terá convertido apenas um voto válido.

■ Por que vale a pena ser senador?

Eles contam com imunidade parlamentar, medida para assegurar a liberdade de seus votos e discursos. Só podem ser processados por crimes ligados às suas funções pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e com autorização da Casa. Senadores não podem ser presos, a não ser em flagrante ou por crime inafiançável. Contam com recessos entre o fim de dezembro e o início de fevereiro e entre meados e fim de julho, além de benefícios como auxílio-moradia (3 800 reais por mês) ou apartamento funcional, verba para passagem aérea (entre 6 000 e 23 000 reais por mês) e atendimento médico ilimitado para o parlamentar, seu cônjuge e dependentes de até 21 anos.

■ Para que servem os suplentes?

Eles desempenham a função de vice: são eleitos sem que tenham recebido um único voto e assumem o cargo em caso de afastamento, morte ou impedimento do senador. Cada senador tem dois suplentes. Muitos são parentes do candidato ou financiadores da campanha. Por causa do mandato longo, é comum o senador deixar a Casa para assumir uma função no governo ou mesmo outro cargo eletivo. Em média, 62% dos eleitos permanecem os oito anos no posto.

 

COMO É HOJE

81

é o total de senadores

8 anos

é a duração do mandato

16 512,09 reais

é o salário, recebido quinze vezes por ano: uma vez por mês, uma como 13º salário e mais duas vezes como “ajuda de custo adicional”, em fevereiro e em dezembro

20

pessoas compõem a equipe de cada parlamentar

Presidente

José Sarney (PMDB-AP)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO