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Qual será a sua estratégia para solucionar a crise hídrica?

Confira as respostas de Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) para as perguntas de Eduardo Felipe Matias, advogado na área de sustentabilidade, sobre meio-ambiente

Por: Sérgio Ruiz Luz, Mauricio Xavier e Alexandre Nobeschi

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A Represa Jaguari-Jacareí, do Sistema Cantareira: a seca compromete o abastecimento no estado (Foto: LUIS MOURA/FOLHAPRESS)

Geraldo Alckmin: Entre outras medidas, vamos manter mesmo no período de chuvas a bem sucedida política que bonifica a economia do recurso e estimula o uso racional. Nos últimos meses, mais de 80% da população aderiu ao programa. Iremos também avançar nas obras de integração no Estado de São Paulo, de forma a reduzir ainda mais a dependência do Sistema Cantareira. Ele já foi responsável por mais da metade do fornecimento para a metrópole. Hoje, responde por um terço disso. Vamos continuar investindo. Estamos enfrentando a segunda pior seca dos últimos 84 anos no estado. Portanto, é um quadro completamente atípico. E nós garantimos a água nesse período. Você abre a torneira em casa e ela não está seca.

Paulo Skaf: A seca não é por ausência de chuva, mas, sim, de obra. Existem lugares no mundo que são desertos e nem por isso falta água. Se os investimentos programados para os últimos dez anos tivessem sido realizados, não estaríamos vivendo essa situação. A própria Sabesp possui relatórios indicando que, a cada 3 trilhões de litros de água captados e tratados, 1 trilhão é desperdiçado no meio do caminho entre as represas e as residências. Então, o meu primeiro projeto para a área será o combate ao desperdício. Existem também estudos apontando alternativas para o estado dobrar a capacidade de captação nos reservatórios, mas que nunca saíram do papel. Como governador, executarei essas medidas e garantirei que não teremos mais falta de água no futuro.

Alexandre Padilha: Até a ONU já declarou que São Pedro é inocente na questão da crise de falta de água no nosso estado. Há exatos dez anos foi feita a renovação da outorga do Sistema Cantareira e ali foi estabelecido um conjunto de responsabilidades para que o governo de São Paulo fizesse obras a fim de que a capital e a região metropolitana deixassem de depender tanto do Cantareira. Nenhuma daquelas obras saiu do papel. O atual governador, que já geria o estado naquela época, não teve a energia necessária para tocar os projetos. Além disso, se é verdade que houve queda no nível das chuvas, é verdade também que as tubulações da Sabesp perdem por ano uma Guarapiranga inteira. É preciso combater esse desperdício e garantir água dia e noite para a população.

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O Rio Tietê, próximo da Ponte Aricanduva, na Zona Leste: espuma branca causada pela poluição (Foto: MARCELO D’SANTS/FOLHAPRESS)

 

  • O que pode ser feito para acelerar o processo de recuperação do Rio Tietê?

 

Geraldo Alckmin: A resposta é: perseverar. Investimos nos últimos anos e já aparecem resultados desse esforço. Eles são mais nítidos no interior. A mancha de poluição encolheu 70%. Começava em Barra Bonita e retrocedeu para Cabreúva, aqui perto. Essa melhora ainda não foi sentida na capital, onde vamos insistir em ações importantes, como o aumento da rede de bairros com coleta de esgoto. Criamos uma lei que permite fazer a ligação ao sistema de graça para famílias com renda de até três salários mínimos. Acima desse patamar, notificamos o endereço para fazer a ligação. Uma coisa que não depende do estado é a limpeza urbana. Ainda há um volume considerável de lixo e detritos das ruas da cidade carregado pelas chuvas para o leito do Tietê.

Paulo Skaf: De que adianta limpar algo que você mesmo suja? É o governo que polui o Rio Tietê, com a Sabesp. Existem bairros inteiros com esgoto a céu aberto e tubulações que desembocam direto ali, sem nenhum tratamento. Então, o próprio estado suja e depois fecha contratos milionários para a limpeza. Isso é como ter uma dona de casa passando aspirador de pó enquanto alguém atrás joga areia no tapete. Então, o primeiro passo é impedir que se jogue esgoto no rio. Não se consegue isso em dias nem em meses, mas durante um mandato é possível. E, depois, hoje existem tecnologias avançadíssimas para o tratamento. A partir do momento em que cessar o despejo de resíduos, certamente teremos um novo rio em um ou dois anos. Mas, do jeito que está, não tem solução.

Alexandre Padilha: Só será possível promover a despoluição do Rio Tietê se a coisa for encarada com coragem, sem fazer maquiagem nem jardinagem. É preciso construir parcerias com os municípios para que, antes de ser levado ao rio, o esgoto seja tratado adequadamente. O Estado de São Paulo precisa participar mais disso. Outro ponto fundamental é combater o esgoto clandestino, seja o proveniente de residências, seja o oriundo de indústrias. Apostou-se muito no embelezamento das margens do Tietê e do Pinheiros e na ideia de transformá-las em cartões-postais, mas não se enfrentou a causa real do problema. Os recursos devem ser destinados essencialmente à ampliação do tratamento de esgoto nos municípios que despejam seus dejetos no Tietê.

Fonte: VEJA SÃO PAULO