Shows

Dois belos LPs dos anos 70 são executados na íntegra por seus criadores

Egberto Gismonti se une a Naná Vasconcelos para tocar no Sesc Belenzinho, enquanto Arthur Verocai faz show no Sesc Pinheiros

Por: Pedro Ivo Dubra

Naná Vasconcelos e Egberto Gismonti - 2211
Naná e Gismonti: retomada de álbum de 1977 (Foto: Barbara Wagner/Mujica)

Na Virada Cultural de 2008, o multi-instrumentista fluminense Egberto Gismonti e o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos iriam tocar o repertório do álbum “Dança das Cabeças” (1977) no Teatro Municipal. Gismonti deu o cano, e Naná acabou fazendo um show-solo. Agora, há três novas chances de ver o encontro histórico no Teatro do Sesc Belenzinho. Gravado em 1976 na Noruega e lançado no ano seguinte, “Dança das Cabeças” é um marco da música instrumental brasileira. Berimbau, percussão corporal, violão de oito cordas, flautas de madeira, piano e vocais sem palavras entram na receita dos dez temas, divididos em duas grandes partes de cerca de 25 minutos cada uma. 

Arthur Verocai - 2211
Verocai: repertório do disco homônimo, de 1972 (Foto: Divulgação)

A trajetória do carioca Arthur Verocai é muito comum entre os artistas brasileiros. Arranjador de astros como Erasmo Carlos e Gal Costa nos anos 70, o maestro e violonista andava nos últimos tempos meio sumido, fazendo jingles. Mas eis que DJs gringos descobriram o LP “Arthur Verocai” (1972). Começaram a samplear o material e aí, claro, o interesse cult pelo álbum, um belo trabalho com pitadas de funk, jazz e soul que não teve grande sucesso comercial na época de seu lançamento, ressurgiu por aqui também. No Sesc Pinheiros, Verocai retoma as dez faixas da velha bolacha, caso de “Dedicado a Ela” e “Na Boca do Sol”. Haverá 36 músicos no palco, incluindo-se na contabilidade uma orquestra de cordas e sopros, Danilo Caymmi, Carlos Dafé, Célia, Marcelo Jeneci e Robertinho Silva.

Fonte: VEJA SÃO PAULO