Teatro

3 perguntas para...Edwin Luisi

Ator remonta "Tango, Bolero e Cha Cha Cha" e fala de aposentadoria

Por: Dirceu Alves Jr.

Edwin Luisi - 2210
Edwin Luisi: ator remonta o espetáculo 'Tango, Bolero e Cha Cha Cha' (Foto: Paula Kossatz e Fernanda Kock)

Há uma década, o ator paulistano Edwin Luisi, de 64 anos, subiu no salto para protagonizar a comédia “Tango, Bolero e Cha Cha Cha”. Agora, ele remonta o espetáculo, com estreia marcada para sexta (1º) no Teatro Shopping Frei Caneca, e garante que interpretar o transexual Lana Lee é um esforço físico monumental a cada noite.

Qual a maior dificuldade desse papel?

Passo duas horas em cima de um salto quinze, correndo de um lado para outro. Saio de cena com dores atrozes nas pernas. Não aceito nem convites para jantar fora depois. Preciso dormir oito horas para me apresentar no dia seguinte e não fazer mais nada, mal saio de casa. O curioso é que, quando viajo, caminho oito, nove horas seguidas e não fico cansado. Mas eu tenho mentalidade de atleta no palco. Comecei a atuar aos 26 anos. Antes disso, fui, inclusive, campeão de ginástica olímpica. O sacrifício faz parte.

Vale a pena reviver um personagem tão sacrificante?

Sempre quis revisitar meu repertório, e a única peça que cabia neste momento, por causa da idade, era essa. Acredito que recebi todos os prêmios de 2000 porque os críticos reconheceram o esforço exigido. Coloco enchimentos, quatro meias nas pernas para que pareçam torneadas e espremo a cintura no espartilho. Não sou grande, tenho 1,70 metro, um nariz pequeno e calço 39, mas não serei modesto. De todos os atores que interpretaram mulheres no teatro brasileiro, eu cheguei ao mais próximo possível.

Na década de 70 você despontou como galã da Rede Globo e depois reduziu a presença na televisão. Foi opção ou os convites cessaram?

Nunca me arrependi de priorizar o teatro. Só acho que não devia ter deixado a escolha tão clara. Pode parecer uma chateação para mim fazer novela, mas não é. Estou no ar em “Rebelde”, na Rede Record, e feliz. Tive grandes sucessos de público, interpretei Amadeus e Freud, e o teatro já me deu tudo o que podia. Por isso, estou me preparando para parar de vez. Em breve, vou me aposentar. Desejo muito viajar, ler. Valorizo muito o ócio. Não tenho a menor vontade de morrer no palco. Quero morrer em Paris!

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO