Graduação

Especialistas dão dicas a quem pretende investir no ensino a distância

Modelo com relevância cada vez maior no mercado cresce 40% ao ano e atrai estudantes que não querem se deslocar pela cidade

Por: Alessandra Freitas

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A estudante Tathyane Menezes: estágio no D.O.M após aulas de gastronomia em casa (Foto: Mario Rodrigues)

Na cozinha de sua casa, Tathyane Menezes se desdobra para conseguir prestar atenção na mistura correta de ingredientes, no ponto de fervura das panelas e em seu computador, o principal aliado no momento de acertar as receitas. Aluna do 3º semestre de gastronomia on-line, ela recorre aos vídeos explicativos no sistema da Universidade Anhembi Morumbi para fazer seus quitutes. “Preciso fotografar cada etapa da preparação para montar o portfólio requisitado pelos professores das disciplinas”, conta.

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O processo faz parte da avaliação do curso, criado em 2010. Como os mestres não degustam o resultado final, a nota é definida de acordo com critérios como aparência do prato, consistência dos molhos e corte das carnes. Apesar da correria, o esforço compensa. “Resolvi apostar no ensino a distância pela liberdade de horários e por não ter de me deslocar todo dia até a universidade”, justifica a estudante. Na semana passada, ela começou um estágio no prestigiado restaurante D.O.M, do chef Alex Atala. “Não senti nenhuma diferença de tratamento nas entrevistas de emprego pelo fato de fazer aulas remotas”, completa.

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Profissionais de educação concordam que o preconceito do mercado de trabalho em relação aos cursos on-line realmente diminuiu nos últimos tempos. “Grande parte das empresas nem sequer faz distinção entre os diplomas tradicionais e aqueles oferecidos pela internet”, entende Janes Fidélis, diretor da área na Anhembi Morumbi. O novo cenário funcionou como um motor para o aumento da procura e o setor tem crescido a uma taxa média de 40% ao ano. Censo recente da Associação Brasileira de Educação a Distância apontou cerca de 6 milhões de matriculados em cursos do tipo no país. Estima-se que 25% deles estejam no Estado de São Paulo.

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O professor Adriano Mussa, da Saint Paul: sistema transmite ao vivo as aulas presenciais (Foto: Mario Rodrigues)

Especialistas da área, no entanto, advertem que a comodidade de estudar em casa não significa que o ensino será mais fácil (confira as dicas abaixo). A flexibilidade do modelo, que dá autonomia ao estudante para decidir sua própria rotina de aulas, costuma ser a senha para que as tarefas se acumulem. “É essencial criar uma agenda diária para não perder prazos”, explica Janes Fidélis. Para aqueles que precisam conciliar a faculdade e o emprego, o recomendado é estabelecer ao menos uma hora diária de estudos, reservando os fins de semana para revisar a matéria.

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“Com esse grau de dedicação, consigo dar conta”, diz o gerente Sérgio Augusto de Andrade, que está no último semestre da graduação tecnológica em processos gerenciais na Fundação Getulio Vargas. “Trabalho aproximadamente dez horas por dia. Seria impossível cumprir o horário fixo do curso presencial”, completa. A falta de comprometimento é indicada como um dos principais motivos para a evasão de 20% dos inscritos em módulos do tipo. Para fugir das estatísticas, algumas instituições estão investindo em propostas que garantem mais interatividade. “A desistência é menor quando há participação em tempo real”, diz o professor Adriano Mussa, da escola de negócios Saint Paul, nos Jardins.

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O gerente Sérgio Andrade, da FGV: uma hora por dia de estudo e revisão nos fins de semana (Foto: Mario Rodrigues)

Há um ano, a instituição implantou o sistema EAD Live, no qual as aulas dos cursos presenciais são transmitidas ao vivo para estudantes remotos. A mensalidade desse modelo custa a partir de 1 399 reais, 30% menos que a do convencional. Para quem ainda não sabe ao certo se tem ou não o perfil para estudar em casa, uma dica é começar pelos cursos livres gratuitos. “Existem boas iniciativas de diversas áreas na internet”, afirma a professora Ivete Palange, conselheira da Associação Brasileira de Educação a Distância.

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Alguns muito procurados são do Instituto Politécnico de Ensino a Distância, que oferece mais de 1 000 opções. Há menos de um mês, a instituição lançou uma novidade paga. Chamado de IPED.TV, o sistema dá acesso ao acervo completo dos programas da empresa. Os valores dos pacotes disponíveis variam de 19,90 a 59,90 reais por mês. Mais de 100 000 pessoas já baixaram esse “Netflix da educação” nos últimos quinze dias. 

BÊ-Á-BÁ REMOTO

Os principais conselhos de educadores

> Interação

Não se isole em casa: participe de debates on-line e troque informações com colegas de curso

> Organização

Cumpra uma agenda diária para evitar que a matéria se acumule e prazos sejam perdidos

> Recursos

Procure conhecer e utilizar as iniciativas oferecidas por sua instituição de ensino, principalmente as bibliotecas virtuais e os links interativos

> Tempo de estudo

Separe ao menos uma hora por dia para se dedicar às tarefas e compense nos fins de semana a matéria atrasada

MAIS OPÇÕES

Alguns dos cursos recentes da área

Compliance e Controles Internos

Instituição: Saint Paul

Duração: dezesseis horas

Valor: 399 reais

Informações: www.saintpaul.com.br

Engenharia de Computação

Instituição: Univesp

Duração: cinco anos

Valor: gratuito

Informações: www.univesp.br

Formação no Mercado Financeiro

Instituição: Veduca/BM&F Bovespa

Duração: sessenta horas

Valor: 1 199 reais

Informações: www.veduca.com.br

Pós em Gestão Comercial de Mídias

Instituição: ESPM

Duração: 360 horas

Valor: 12 280 reais

Informações: www.espm.br

Gestão de Vendas e Negociação

Instituição: FIA

Duração: 64 horas

Valor: 2 240 reais

Informações: www.fia.com.br

Fonte: VEJA SÃO PAULO