Especial Educação

Bullying é caso de Justiça?

Pais exageram ao procurar as delegacias e os tribunais para tratar de problemas que deveriam ser resolvidos dentro da escola

Por: Gustavo Teixeira* - Atualizado em

Especial Educação: Comportamento
A identifcação precoce do comportamento nos colégios possibilita uma intervenção terapêutica, a fim de evitar maiores prejuízos na vida acadêmica e social dos alunos (Foto: Getty Images)

Uma conduta agressiva, seja física, seja verbal, que ocorre de forma repetitiva, sem motivação evidente, executada por um ou vários estudantes contra outro, em uma relação desigual de poder. Assim pode ser definido o bullying. Os alvos normalmente são crianças e adolescentes tímidos, quietos, inseguros e incapazes de reagir aos atos.

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Os jovens experimentam grande sofrimento, o que pode interferir no desenvolvimento social e emocional. Grande parte das vítimas não busca ajuda por medo. Uma agravante é que a maioria dos ataques acontece na presença de professores. Muitas vezes, os mestres minimizam, ridicularizam e subestimam o problema. Trata-se de um tema preocupante, mas existem exageros por parte de pais que decidem registrar boletins de ocorrência na delegacia e tentam levar os casos diretamente à Justiça em vez de fazer um esforço para re sol vêlos com a escola.

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A identificação precoce do bullying nos colégios possibilita uma intervenção terapêutica, a fim de evitar prejuízos na vida acadêmica e no relacionamento dos alunos envolvidos. Quadros mais graves podem estar ligados a transtornos comportamentais, nesses casos valendo a indicação de avaliação psiquiátrica. O estabelecimento de ensino precisa fazer a sua parte ao passar uma mensagem clara a todos os jovens: essa atitude é errada e inaceitável.

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Desrespeitar a regra de convivência envolve o risco de haver consequências disciplinares. Programas anti-bullying devem ser criados de forma sistematizada e continuada nas instituições, objetivando a orientação dos pais, professores e estudantes para o desenvolvimento de estratégias contra o problema. Isso é mais eficaz que procurar os tribunais. Não é a canetada de um juiz que resolve algo tão complexo. 

* Psiquiatra especialista em infância e adolescência, palestrantee autor de livros como Manual dos Transtornos Escolares.

Fonte: VEJA SÃO PAULO