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Eduardo Marafanti: "Vivo com leucemia há treze anos"

Empresário recebeu em 1998 diagnóstico que lhe dava apenas mais um ano e meio de vida

Por: Giovana Romani

Eduardo Marafanti
Tratamento: Marafanti foi o primeiro brasileiro a tomar o medicamento Glivec (Foto: Mario Rodrigues)

“Eu tinha 46 anos em 1998. Era esportista, gostava de nadar e jogar tênis. Até que comecei a me sentir cansado demais. Sem piedade, depois de analisar meus exames, o médico deu a notícia: ‘Você tem leucemia mieloide crônica, um tipo de câncer no sangue, e vai morrer em um ano e meio’. Caí num buraco negro. Com uma frase, ele matou todos os meus sonhos. Muito religiosa, minha mulher me incentivou a ter fé e procurar outro especialista, no Albert Einstein. Comecei o tratamento com as drogas disponíveis no mercado. Em janeiro de 2000 preparei uma viagem de despedida. Iria para Nova York, Roma e voltaria ao Brasil para esperar o fim. Foi quando vimos na televisão o anúncio da cura para a leucemia. Embarquei para Portland, Oregon, nos Estados Unidos, e consegui a última das 200 vagas disponíveis na pesquisa da tal droga. Fui o primeiro brasileiro a tomar o Glivec, medicamento que revolucionou o tratamento da leucemia no mundo. Quando a doença estava quase em remissão, minhas células-tronco foram colhidas e congeladas. Em 2005, depois de mais de trinta viagens aos Estados Unidos, piorei. O prognóstico era ainda mais desanimador: restavam-me duas semanas. Não desisti e entrei para o estudo de mais um remédio experimental. Funcionou maravilhosamente bem por um tempo. Há quatro anos, sofri um novo baque. Pela terceira vez, o câncer não estava mais sob controle. Passei por autotransplante de medula e iniciei o tratamento com outra droga. Trata-se de um remédio de terceira geração, mais direcionado, que tomo até hoje. Vivo com a leucemia há treze anos. Mantenho a esperança da cura, mas não é uma obsessão. Enquanto eu puder curtir minha mulher, meus charutos e meus vinhos, serei um homem feliz.”

+ A vida depois do diagnóstico de câncer

Hospital Israelita Albert Einstein

Criado na década de 80, o setor de oncologia e hematologia conta com uma equipe de 26 médicos. Atua em parceria com o MD Anderson Cancer Center, em Houston, nos Estados Unidos, centro de excelência no tratamento da doença

Pacientes atendidos por ano: 8.725

Novos casos por ano: 1.894

Sessões de quimioterapia por ano: 10.269

Número de cirurgias oncológicas por ano: 3.385

Porcentual de atendimentos pelo SUS: 3,4%

Há espera para consulta? Não (tel.: 2151-0490)

Avanços e novidades: está em funcionamento há um ano a nova unidade de transplantes de medula óssea, que tem catorze leitos equipados com filtros para purificar o ar e proteger pacientes contra infecções. A tecnologia se estende aos corredores — assim, não há necessidade de confinamento. Cada quarto possui sistema de fornecimento de água independente, para evitar que possíveis contaminações se alastrem.

Recentemente, o protocolo para tratamento de leucemia no hospital foi modificado. “Um estudo americano comprovou que a medicação Citarabina tem a mesma eficácia se usada em doses menores e, portanto, menos tóxicas”, explica o hematologista Nelson Hamerschlak, exemplificando o alinhamento com os avanços internacionais.

Em 2010, 120 pacientes receberam a moderna técnica de radioterapia Rapid Arc, que possibilita a diminuição da radiação liberada e um menor tempo de tratamento. Até o fim do ano, a área ambulatorial do departamento de oncologia será triplicada.

Fonte: VEJA SÃO PAULO