Cinema

"E Agora, Aonde Vamos?" mostra luta de mulheres pela paz

No filme, personagens femininos tentam manter a calmaria entre cristãos e muçulmanos

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

E Agora, Aonde Vamos?
A atriz, diretora e roteirista Nadine Labaki (de vestido rosa): fábula contemporânea (Foto: Divulgação)

Em 84 cerimônias do Oscar, apenas uma mulher levou a estatueta de melhor direção: Kathryn Bigelow, em 2010, por Guerra ao Terror. Na história, apenas a italiana Lina Wertmüller (por Pasqualino Sete Belezas, em 1977), a neozelandesa Jane Campion (O Piano, em 1994) e a americana Sofia Coppola (Encontros e Desencontros, em 2004) tiveram o privilégio de concorrer ao mesmo prêmio. Extremamente promissora na estreia com Caramelo (2007), a bela e talentosa cineasta libanesa Nadine Labaki, de 38 anos, poderia ao menos ter sido lembrada em fevereiro deste ano por seu novo trabalho, a surpreendente comédia dramática E Agora, Aonde Vamos?.O segundo longa-metragem dela chegou a ser indicado pelo Líbano a uma vaga de melhor filme estrangeiro, mas não ficou entre os cinco finalistas.

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Nadine troca a capital Beirute, cenário do filme anterior, por um remoto vilarejo libanês (ou de qualquer país do Oriente Médio). Lá, muçulmanos e católicos dividem a mesma terra e convivem pacificamente. Enquanto as mulheres são mais cúmplices umas das outras, os homens têm o sangue quente. Da única (e precária) televisão do lugar, ofertada pela esposa do prefeito, vem uma notícia alarmante: conflitos religiosos ameaçam a paz na região. Nessa hora, elas armam uma confusão para abafar o fato e, ao longo da história, tentam de formas divertidas evitar que as novidades caiam nos ouvidos masculinos. A diretora interpreta a dona de um bar — viúva e cristã, ela joga um certo charme para cima de um pedreiro islâmico.

Há ousadia e um clima de fábula contemporânea no enredo. A realizadora, atriz e roteirista acena para a pacificação de crenças opostas usando “armas” femininas. Em se tratando de uma aldeia nas montanhas, resta às mulheres fazer o jogo de sedução e oferecer pratos de dar água na boca. Além do roteiro azeitado, o trunfo da fita está em sua saborosa mistura de gêneros — um drama doloroso ou uma comédia nonsense, aborda sempre de maneira criativa um assunto duro e atual.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO