Última chance

Doze filmes saem de cartaz nesta quinta

"Minhas Mães e Meu Pai", que entrou em cartaz há menos de um mês, está entre eles

Por: Gabriela Simionato - Atualizado em

minhas mães e meu pai - Fotos
"Minhas Mães e Meu Pai": comédia dramática enfoca vida familiar de um casal de lésbicas e seus dois filhos (Foto: Divulgação)

Elogiada pelas atuações de Annette Bening e Julianne Moore, a comédia dramática "Minhas Mães e Meu Pai" despede-se do circuito paulistano nesta sexta (3). "É cedo, principalmente se considerarmos que se trata de um filme cotado para receber indicações ao Oscar", afirma Miguel Barbieri Jr, crítico de cinema de VEJA SÃO PAULO. O longa em que as atrizes vivem um casal de lésbicas entrou em cartaz na cidade há menos de um mês, em 12 de novembro.

Outros onze filmes deixam as salas de cinema paulistanas na sexta. Ou seja: esta quinta (2), é a última chance de vê-los antes que dêem lugares a produções bastante esperadas como "A Rede Social" e "Megamente".

Confira todos os doze na lista abaixo e se programe.

  • Irmão de Aki Kaurismäki (“O Homem sem Passado”), o finlandês Mika Kaurismäki saiu do Rio de Janeiro, onde é radicado, para voltar ao seu país e, lá, realizar um drama de pegada natalina. Não pense, porém, se tratar de algo terno e festivo. Diálogos e situações densas marcam a história de três amigos na faixa dos 50 anos. Matti (Pertti Sveholm) acabou de ser pai pela primeira vez, mas desconfia da fidelidade da mulher. Metido a garanhão, Erkki (Kari Heiskanen) tem uma doença terminal. E o ator Rauno (Timo Torikka) voltou de Paris para passar o Natal em família, justamente no dia da morte de sua mulher. O trio se reencontra na gélida noite de 24 de dezembro para afogar as mágoas num bar-karaokê. Entre um papo e outro, despontam ressentimentos e acertos de contas. As situações espelham duras realidades, mas o realizador tenta contornar a barra-pesada apresentando canções finlandesas nas sofríveis vozes dos protagonistas. Assim, fica ainda mais difícil a digestão de uma crônica ambientada praticamente num único cenário e tocada com frieza nórdica. Estreou em 19/11/2010.
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  • Sempre afeito a descrever comportamentos que a classe média americana prefere varrer para baixo do tapete, o diretor Todd Solondz faz aqui uma espécie de continuação do cult “Felicidade” (1998). Embora os atores sejam outros, os personagens da amarga comédia dramática são os mesmos. Há o pai pedófilo (Ciarán Hinds) que, agora, saiu da cadeia e trilha um caminho errante procurando se reinserir na sociedade. Longe dele vivem sua esposa (Allison Janney), às voltas com uma nova paquera, e os filhos. Entre eles, Timmy (Dylan Riley Snyder), de 13 anos, com questionamentos e dúvidas a respeito de sexo. Completa o quadro familiar a tia Joy (Shirley Henderson), dada a conversar com o fantasma do noivo morto. Personagens originais e situações incômodas ganham aparato em diálogos desconcertantes. Trata-se de um cinema calculado para chocar, mas que, nas entrelinhas, escancara desejos e paranoias de gente aparentemente comum. Estreou em 19/11/2010.
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  • Ter 15 anos significa não saber direito o que acontece à sua volta. É uma época de: 1) hormônios em ebulição; 2) primeiras paqueras; 3) pensar em seguir uma profissão; 4) refletir sobre o futuro. A situação pode se complicar se: a) seu pai for um sujeito que você nunca viu mais gordo; b) sua namorada lhe der o fora; c) seu melhor amigo estiver sendo acusado de roubo. Daniel, o protagonista da graciosa comédia dramática “Antes que o Mundo Acabe”, vive tal fase de incertezas. E a diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo, inspirada no livro homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha, acerta em cheio no seu primeiro longa-metragem de ficção. Colocado de escanteio no cinema nacional, o universo dos adolescentes ganhou força em 2010. Enquanto “Os Famosos e os Duendes da Morte” buscou um caminho contemplativo, “As Melhores Coisas do Mundo” traçou um panorama por vezes deprê. A fita produzida pela Casa de Cinema de Porto Alegre transpira muito mais autenticidade. Também exala nostalgia a trajetória de Daniel (Pedro Tergolina), garoto de Pedra Grande, uma fictícia e pequena cidade do Rio Grande do Sul. Lá, esse rapazinho vai experimentar as dores do mundo adulto. Algumas coisas o fazem chegar mais cedo ao rito de passagem. Seu pai mandou da Tailândia uma carta de reaproximação, a namoradinha dele, Mim (Bianca Menti), acenou com um cartão vermelho e o amigo Lucas (Eduardo Cardoso) pode ser um amigo... da onça. Vencedora de seis prêmios no Festival de Paulínia 2009, incluindo melhor direção, a produção não tem elenco famoso nem pretende conquistar plateias na base do grito, do escândalo ou da polêmica. Trata-se de um filme despretensioso, honesto em sua fórmula despojada e apurado como crônica de costumes do interior brasileiro. Criativo nas entrelinhas, conserva o frescor da adolescência, sob o olhar maduro de quem já passou por ela. Estreou em 20/08/2010.
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  • Desde que "A Morte do Sr. Lazarescu" venceu a mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes de cinco anos atrás, o cinema romeno ganhou projeção internacional. Mas o sucesso veio em 2007, quando o mesmo festival outorgou sua cobiçada Palma de Ouro ao drama "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", de Cristian Mungiu. De lá para cá, os paulistanos acompanharam a filmografia daquele país do antigo bloco socialista através de títulos como "A Leste de Bucareste" e "Como Eu Festejei o Fim do Mundo". Chega agora ao Reserva Cultural um momento mais leve e divertido da Romênia na perspicaz comédia dramática "Contos da Era Dourada". Trata-se de um projeto coletivo capitaneado pelo diretor Cristian Mungiu. A ideia nasceu após uma exibição de sua fita anterior. Um espectador veio abordá-lo queixando-se: estava descontente com o rumo dos filmes romenos, mais próximos dos festivais que do público. Munido de “lendas” recolhidas nos quinze anos da ditadura de Nicolae Ceausescu, presidente da Romênia desde 1974 até seu fuzilamento, em 1989, Mungiu escreveu o roteiro e escalou mais quatro cineastas para levá-lo às telas. São seis episódios. Embora uns sejam mais afiados que outros, eles abordam, em tom surreal e tragicômico, como vivia o povo de lá sob o peso do comunismo. O primeiro conto enfoca um jovem casal às voltas com um golpe original cujo resultado é a lucrativa venda de frascos de vidro. Há também a história da mobilização de uma cidade para receber membros do Partido Comunista. Igualmente irônica, a derradeira trama cobre os percalços de uma família para matar um porco em seu apertado apartamento. Ao extrair graça da desgraça, Mungiu conseguiu, enfim, contentar o tal fã insatisfeito. Fez um longa ritmado, inteligente e mais popular sem deixar de rememorar na base da sagacidade aqueles amargos anos de chumbo. Estreou em 15/10/2010.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: O programa de humor que nasceu na MTV dez anos atrás chega agora ao longa-metragem numa versão em 3D. Escatalogia e bizarrices são o forte da atração que põe um bando de marmanjos em situações de risco — tudo em nome do riso fácil. No comando na trupe está o criador da série, o comediante Johnny Knoxville. Entre os desafios dos dublês estão excentricidades como ser arrastado pelo vento de uma turbina de avião ou projetado no ar dentro de um banheiro químico. Estreou em 12/11/2010.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Talvez seja o último capítulo da cinessérie de terror iniciada em 2004. Desta vez, Bobby (papel de Sean Patrick Flanery), um especialista em auto-ajuda e sobrevivente do psicopata Jigsaw (Tobin Bell), se une a um grupo de vítimas do atormentado matador. Eles querem superar os traumas do passado, mas acabam caindo em novas armadilhas. Estreou em 05/11/2010.
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  • A médica Nic (Annette Bening) e a paisagista Jules (Julianne Moore) mantêm um sólido relacionamento há mais de duas décadas. Quando seus filhos decidem saber quem é o pai biológico, a relação familiar é abalada. A jovem Joni (Mia Wasikowska), filha de Nic, e o adolescente Laser (Josh Hutcherson), filho de Jules, chegam até Paul (Mark Ruffalo), um simplório doador de esperma no passado e agora um descolado dono de restaurante. Nasce uma afinidade entre eles e, por tabela, uma dor de cabeça para as mães. Há vários assuntos interessantes no quarto longa-metragem da diretora de “Laurel Canyon — Rua das Tentações” (2002). Além de abordar com autenticidade o casamento gay, Lisa Chodolenko traz à tona uma abordagem sincera para os desejos sexuais na maturidade. Contribuem para tornar a comédia dramática ainda mais simpática as atuações do formidável elenco. Destacam-se Annette Bening, que compõe uma lésbica sem estereótipos, e Josh Hutcherson — o menino de “ABC do Amor” e “Viagem ao Centro da Terra” —, que agora está com18 anos e continua mandando muito bem. Estreou em 12/11/2010.
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  • Em time que ganhou não se mexe. Pensando dessa maneira, os produtores voltaram a escalar Emma Thompson para escrever e protagonizar a sequência da aventura infantil, de 2005. Mudaram o diretor e o elenco mirim, mas o conteúdo continua fofo e indicado a crianças de todas as idades — adultos, vale o aviso: vocês não vão se chatear. Tem graça, ritmo e muita fantasia a história da feiosa babá McPhee (Emma Thompson), que chega, como num passe de mágica, à casa da Sra. Green (Maggie Gyllenhaal). Essa fazendeira não consegue dar conta de cuidar dos três filhos pequenos e ainda se equilibrar numa corda bamba para não perder sua propriedade. O marido dela (numa rápida participação de Ewan McGregor) foi lutar na II Guerra e há anos não dá notícias. Para piorar, os dois entojados sobrinhos da Sra. Green vão morar com ela. Com seu jeito durão, a babá vai colocar a criançada rapidinho nos trilhos. Estreou em 17/09/2010.
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  • Diretor de “Control” (2007), sobre a vida de Ian Curtis, líder da banda Joy Division, o holandês Anton Corbijn demonstra bom faro para a estética — ele tem um famoso passado como retratista de astros do rock. Torna-se, portanto, bastante atraente visualmente esse drama de suspense, que deve decepcionar quem procura diversão fácil, segura e conclusiva. O galã George Clooney interpreta o matador de aluguel Jack. Depois de cometer um erro num atentado na Suíça, ele se refugia por sugestão de seu chefe num vilarejo próximo a Roma. Lá, tenta levar uma vida discreta fazendo amizade com o padre local (Paolo Bonacelli). Também estreita seu relacionamento com uma prostituta (a atriz italiana Violante Plácido). Um chamado para voltar à ativa e turbinar uma arma muda seus planos iniciais. Embora levada por constante clima tenso, a trama abdica da ação e entrega menos do que promete. Estreou em 19/11/2010.
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  • Quando apresentou o drama "Um Homem que Grita" na Mostra Internacional, em outubro, o diretor Mahamat-Saleh Haroun, nascido no Chade e radicado na França, disse que seu filme vai inaugurar o único cinema de seu país natal. Tomado há anos por uma interminável guerra civil, o Chade, no centro-norte da África, tem aqui um retrato autêntico e sofrido. Singela e comovente, a trama mostra o sexagenário Adam (Youssouf Djaoro), ex-campeão de natação que ainda encontra dignidade na vida limpando a piscina de um hotel na capital, N’Djamena. Quando o espaço é comprado por chineses, Adam ganha, a contragosto, um substituto: seu jovem filho. Cada vez mais descontente com a situação, o protagonista tomará uma atitude precipitada. Feita de silêncios e diálogos duros, a fita levou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2010 e revela não só um cineasta delicado, mas também uma nação despedaçada. Estreia prometida para 19/11/2010.
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  • Quem considerou grosseiro o humor de "Se Beber, Não Case!" vai achar a nova comédia do diretor Todd Phillips menos vulgar e mais divertida. Com diálogos afiados e uma química invejável entre Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis, a fita faz graça à custa do politicamente incorreto — e se dá muito bem. Embora com ponto de partida forçado e não muito original, trata-se de um dos melhores filmes do gênero de 2010. Na trama, Peter (Downey Jr.) e Ethan (Galifianakis) são os opostos que se repelem e se atraem. Peter é um executivo certinho prestes a ser pai pela primeira vez. Já o inconveniente Ethan, ator medíocre, quer tentar uma chance em Hollywood. Por um mal-entendido, ambos acabam sendo expulsos de um voo entre Atlanta e Los Angeles e proibidos de entrar em outro avião por um bom tempo. Como Peter teve seus documentos confiscados, é obrigado a aceitar a carona de Ethan para chegar ao destino. Começa aí uma divertida viagem de carro atravessando os Estados Unidos e reunindo loucas aventuras, hilárias trapaças, discórdias e reconciliações. Estreou em 05/11/2010.
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  • Antes de sua ascensão ao poder na Itália, o fascista Benito Mussolini (1883- 1945) foi um jovem manifestante socialista, já com certo talento para agitar as massas. Na época, envolveu-se com Ida Dalser, dona de um salão de beleza, que pagou caro por sua cega paixão pelo futuro ditador. O fascinante drama de Bellocchio (“Bom Dia, Noite”) revela o homem por trás do mito a partir do ponto de vista dessa mulher extremamente passional. Depois de vender seu negócio para financiar os ideais políticos do amante e de ter um filho com ele, a moça (interpretada por Giovanna Mezzogiorno) é deixada de lado para não atrapalhar a imagem impecável do líder. Por anos, ela permanece fiel a esse amor, apesar de Mussolini e seus comparsas fazerem de tudo para taxá-la de louca e apagar qualquer documentação que comprovasse o romance. A história, revelada em livro há pouco tempo pelo jornalista Marco Zeni, carrega detalhes sórdidos muito bem explorados. Chama atenção a visceral atuação de Filippo Timi, em dois papéis. Como o Dulce, ele consegue fugir do caricato. Mais tarde, o ator se transforma para viver o filho rejeitado, em performance angustiante. Estreou em 23/07/2010.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO