Eleições

Doria promete não aumentar impostos e nem a tarifa de ônibus em 2017

Prefeito eleito prometeu descontinuar o programa De Braços Abertos, na Cracolândia, e voltar a velocidade nas marginais ao que era antes da gestão Haddad

Por: Estadão Conteúdo

joao doria
O empresário João Doria, que foi eleito prefeito da cidade de São Paulo pelo PSDB, concede entrevista coletiva no bairro dos Jardins, na zona sul da capital paulista, na tarde desta segunda-feira, 3 (Foto: Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo)

Um dia após ser eleito prefeito de São Paulo no primeiro turno, João Doria prometeu nesta segunda-feira, 3, que não aumentará impostos e vai manter congelada a tarifa de ônibus em 2017, mas não se comprometeu com a manutenção depois disso.

+Eleitores da periferia 'abandonam' Haddad

"Não vamos mexer na tarifa no primeiro ano. Não haverá mudança nas taxas e impostos." Questionado sobre os anos seguintes do mandato, ele disse que "provavelmente" também não haverá aumento mas deixou no ar a questão. "Cada dia, sua agonia."

O tucano recebeu jornalistas na sede de seu comitê de campanha, na Avenida Europa, e falou sobre o cronograma da transição e as primeiras medidas que serão tomadas por seu governo. O coordenador político de sua campanha, Júlio Semeghini, será o responsável por abrir o diálogo com a administração de Fernando Haddad.

O prefeito eleito diz que não vai impor uma pauta a Haddad. "Tenho confiança que ele abrirá as informações." O grupo de Doria fará a primeira reunião sobre o tema na tarde de hoje e, à noite, ele se encontrará com o governador Geraldo Alckmin e o vice Márcio França no Palácio dos Bandeirantes.

Segundo o prefeito eleito, toda a estrutura de governo estará definida até o dia 30 de novembro. O espaço para a escolha dos nomes será o Centro de Estudos André Franco Montoro, local onde durante a campanha foi elaborado o plano de governo do então candidato.

A ideia de Doria é que, uma vez escolhido o secretariado, o grupo tenha um mês de convívio com representantes da atual gestão. O tucano já anunciou que vai cortar pelo menos sete das 27 secretarias que existem atualmente, mas não informou quais serão extintas.

Durante a campanha, Doria chegou a dizer que cortaria a Secretaria de Pessoas com Deficiência e de Igualdade Racial, mas depois voltou atrás em relação à primeira. Ele voltou a dizer que não será candidato à reeleição e pretende ficar os quatro anos no cargo.

O tucano também prometeu que não fará cortes na área da Saúde e disse que uma das primeiras medidas de sua gestão será implantar os Corujões da Saúde, nos quais quarenta hospitais privados atenderão pacientes do sistema público entre as 20 e 8 horas. Doria garantiu que haverá transporte público pra que as pessoas possam chegar aos locais. 

Segundo ele, o custo do programa, que foi elaborado por uma equipe de especialistas coordenada pelo médico Milton Flávio, ex-presidente municipal do PSDB, será de 100 milhões de reais em doze meses. Apesar de dizer que não haverá loteamento de cargos no seu governo, Doria admitiu que aceitará "sugestões e indicações" de vereadores e lideranças políticas.

"Não vamos fazer partilha. Não tem jogo perigoso, nem toma lá da cá", disse ele sobre a montagem de seu secretariado e subprefeitos, que na sua gestão se chamarão de prefeitos regionais. Ao longo da entrevista, que durou cerca de uma hora, Doria afirmou que o recado das urnas "é anti-PT". "Isso está muito claro. O eleitorado rechaça de forma aguda o PT e também rejeitou a velha política."

O candidato também falou que pretende privatizar o Anhembi e o Autódromo de Interlagos, mas garantiu que não haverá mudança de destinação deste último espaço, que continuará sendo usado para a prática do automobilismo. Ele também disse que pretende criar o Museu Ayrton Senna.

Sobre o Pacaembu, que ele classificou como o estádio mais amado pelos paulistanos, Doria disse que será feita uma concessão à iniciativa privada por dez ou quinze anos, mas prometeu que será mantido o acesso ao clube, de forma gratuita, aos moradores da região, como acontece hoje.

Doria também prometeu que vai instalar câmeras para vigiar os monumentos públicos e, assim, evitar a depredação. Afirmou que irá "descontinuar" o programa Braços Abertos, na "Cracolândia", que será substituído pelo programa Recomeço, do Estado. Também prometeu que, uma semana depois de tomar posse, determinará que a velocidade nas marginais volte a ser como era antes da gestão Haddad, ou seja, 60, 70 e 90 quilômetros por hora.

Fonte: VEJA SÃO PAULO