Animais

Donos de cães optam por rações caseiras e mais nutritivas

Para conquistar clientes que pretendem fugir do tradicional, empresas e veterinários investem no ramo de alimentação natural para pets

Por: Carolina Giovanelli

Leia Guesser e buldogues franceses
Leia e seus buldogues franceses: “Eles comem com gosto” (Foto: Mario Rodrigues)

O aroma que envolve a cozinha de uma espaçosa casa na Vila Sônia remete às refeições preparadas por vovós prendadas. Panelões repletos de arroz, carne e legumes esfumaçam o ambiente sob o olhar atento da chef Veri Noda. Porém, nem pense em pegar seu prato. A 1 tonelada de comida que sai de lá por mês vai direto para a tigela de cães e gatos paulistanos. Criada em 2012 por Veri e sua irmã, a veterinária Juliana Belo, a La Pet Cuisine é especializada em alimentação natural para animais de estimação. O negócio vem crescendo. Somente de fevereiro a agosto, a receita aumentou cerca de 50%. Com preços entre 14,90 e 27,90 reais, marmitas congeladas (suficientes, em média, para um dia, dependendo do tamanho da mascote) de sabores como franguinho da fazenda, cordeiro com grão-de-bico e risoto vegetariano são entregues aos clientes, diariamente, por motoboys. A dupla também prepara dietas personalizadas para bichos alérgicos ou doentes (80 reais, por formulação). “Há quem peça para incluir produtos diferentes, como algas e salmão, na receita”, afirma Juliana.

Uma comparação de preço de ração

La Pet Cuisine
As irmãs Veri e Juliana, do La Pet Cuisine: receitas sem conservantes e repletas de nutrientes (Foto: Rodrigo Dionisio)

Nos últimos tempos, muitos tutores vêm optando por oferecer refeições caseiras com ingredientes frescos e de procedência conhecida. Trata-se de um retorno a algo comum antes dos anos 70 e 80, quando a ração industrializada se estabeleceu por aqui. Entretanto, a fórmula agora não é a mesma da panela do dono. Mostra-se balanceada para as necessidades de cada cão, não tem conservantes, sal nem gordura em excesso e pode contar com suplementos vitamínicos. A veterinária paulistana Sylvia Angélico lançou, em 2008, o site Cachorro Verde, com o objetivo de discutir nutrição natural para animais. Hoje, recebe cerca de trinta e-mails por dia com dúvidas. “Era um assunto que envolvia muito tabu. Agora, vem sendo mais bem aceito”, diz. “Os donos podem oferecer alternativas à ração tradicional, feita com subprodutos da indústria alimentícia, que perdem nutrientes a cada processamento.” Suas indicações normalmente envolvem preparação por cozimento, mas ela aposta também em uma dieta desenvolvida por um australiano calcada apenas em itens crus, a exemplo de carne com ossos.

Sylvia ministra cursos sobre o assunto por todo o país e só tem espaço vago em sua agenda de consultas, pelas quais cobra 150 reais, para o fim de novembro. Realiza os atendimentos via Skype e presencialmente na pet shop MOM, na Vila Nova Conceição. O estabelecimento, inaugurado no fim do ano passado, também tem pegada natureba. Oferece petiscos integrais e até banho no estilo alternativo,com produtos à base de frutas e plantas. “O dono quer ver seu estilo de vida refletidona rotina do cão”, acredita a proprietária Fabiana Barruffini. Nas prateleiras d aloja, aparecem, por exemplo, os biscoitos da Panela da Bela, marca criada em outubro. Produzidos em Tatuí, no interior, eles não levam conservantes nem corantes.

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Veterinária Sylvia Angélico
Sylvia Angélico: a veterinária tem agenda de consultas cheia até o fim de novembro (Foto: Fernando Moraes)

Uma das adeptas da onda é a engenheira civil Leia Guesser, “mãe” de dois buldogues-franceses: Pudim, de 1 ano, e Fejuca, de 5 meses. Em março, ela procurou acompanhamento veterinário para bolar uma dieta equilibrada para Pudim,que sofria de gastrite. Fejuca também acabou abocanhando as delícias do irmão e adorou. “Percebo que eles comem com gosto”, alegra-se a dona. Leia vai ao mercado e à feira para comprar carne, legumes e vegetais para os pets. “Eles ficaram mais ativos e com pelos brilhantes”, afirma. Duas vezes por semana, ela cozinha os ingredientes e os armazena no freezer ou na geladeira. O estilo saudável dá mais trabalho ao tutor e costuma resultar em despesas maiores. Alguns clientes da La Pet Cuisine, por exemplo, chegam a gastar 500 reais por mês para alimentar um cão de médio porte (um pacote de 10 quilos de uma ração comum, suficiente para o mesmo período, custa por volta de 70 reais). Com o intuito de atrairoutro público, a empresa lançará, no fim de outubro, marmitas mais em conta, que fogem do gourmet e custam entre 4,20 e 10 reais.

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Cachorro Verde. www.cachorroverde.com.br e contato@cachorroverde.com.br.

La Pet Cuisine. Tel. 4328-6777.www.lapetcuisine.com.br.

MOM. Avenida Hélio Pellegrino, 770,Vila Nova Conceição, tel. 3842-4258.

Fonte: VEJA SÃO PAULO