FUTEBOL

Dois velhos conhecidos aguardam o Brasil nas oitavas

Numa Arena Corinthians colorida de vermelho e laranja, Holanda e Chile decidiram a colocação final do grupo B com a vitória dos europeus por 2 a 0

Por: Sérgio Ruiz Luz - Atualizado em

Robben em Holanda e Chile
O ponta Robben durante a partida contra o Chile (Foto: Roberto Setton)

No início da tarde ensolarada desta segunda (23) numa Arena Corinthians colorida de vermelho e laranja, Holanda e Chile, ambos já classificados, decidiram a colocação final do grupo B, aquele que deve medir forças com os dois melhores da chave do Brasil. Os europeus levaram a melhor (2 a 0). O maior craque do time, o atacante Van Persie, suspenso, viu tudo das arquibancadas. Ele é o Messi da Holanda, autor até agora do gol mais bonito da competição (o voo do homem-peixe contra a Espanha).

 

Outra peça fundamental da equipe, o arisco ponta Robben também representará uma preocupação para a família Scolari no caso de um confronto, pois será vigiado pelo lateral Marcelo, que tem muita habilidade com os pés e pouco equilíbrio emocional e poder de marcação. O Chile possui um estilo bem ofensivo, sob o comando de Vargas e Alexis Sanches (o meia Valdívia, ídolo do Palmeiras, está entre os reservas). Mas mostrou muitas fragilidades na defesa diante dos holandeses. Em uma Copa normal, tendo em conta o que apresentaram até agora, nenhum desses adversários representa grande risco ao Brasil. A Holanda não é a Laranja Mecânica dos tempos de Cruijff e companhia. E o Chile é o Chile. Mas esta Copa aqui está longe de ser uma Copa normal.

Sempre se falou que a globalização do futebol iria mudar a geopolítica da Copa, nivelando as grandes seleções às outras de menor tradição. Nessa linha de raciocínio, cedo ou tarde, a África, a Ásia e até mesmo a América do Norte poderiam produzir campeões. A profecia fracassou nas últimas competições, mas parece estar se cumprindo agora no Brasil. As quedas precoces de Espanha e Inglaterra ao lado das boas exibições da Costa Rica , de Gana e dos Estados Unidos, entre outras zebras, representam bons exemplos da vida como ela é em um dos mais imprevisíveis Mundiais da história, pelo menos até aqui.

Nas oitavas, porém, começa um torneio completamente distinto e muito mais dramático. De nada valem as goleadas e brilhantes exibições das jornadas iniciais se o time negar fogo no mata-mata. Da mesma forma, performances medíocres na fase de grupos são esquecidas com vitórias épicas nesse momento. A Itália, em 1982, por exemplo, começou a Copa da Espanha com três empates e quase acabou eliminada. Na sequência, porém, venceu a Argentina e o Brasil de Sócrates, Zico e Falcão, embalando para a conquista daquele Mundial.

Se o Brasil confirmar seu favoritismo e avançar nas próximas horas depois do confronto com Camarões (toc, toc, toc...), vai enfrentar dois velhos conhecidos em Mundiais. Um jogo com a Holanda terá sabor de revanche, não apenas pela eliminação na África. Em quatro confrontos em Copas, a seleção canarinho superou os europeus em duas oportunidades (1994 e 1998) e sucumbiu nas outras duas (1974 e 2010). Será, portanto, a oportunidade de desempatar o histórico. O retrospecto contra o Chile é bem mais tranquilo: três vitórias em 1962, 1998 e 2010. Nas eliminatórias, ficou marcado o confronto ocorrido em 1989 no Maracanã, quando o goleiro chileno Rojas simulou ter sido atingido por um foguete lançado pela torcida. O jogo foi encerrado pelo juiz antes do tempo regulamentar e somente depois é que o Brasil acabou declarado vencedor, por 2 a 0. Vários atletas chilenos acabaram suspensos pela farsa, a começa por Rojas, e a seleção ficou de fora como punição na Copa seguinte, a dos Estados Unidos. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO