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DJ cobra 8.000 reais para animar casamentos badalados

Milton Chuquer já tocou em festas da milionária Athina Onassis, do empresário Abilio Diniz e da modelo Isabella Fiorentino

Por: James Cimino - Atualizado em

DJ Milton Chuquer
Milton Chuquer, em ação numa festa em Sorocaba: agenda lotada até 2012 (Foto: Rodrigo Rosenthal)

Casamento que se preze hoje precisa ser numa igreja tradicional, decorada com o que há de melhor, ter comes e bebes da festa garantidos por um bufê de primeira linha e o som da pista comandado pelo DJ Milton Chuquer.

Nos últimos anos, esse ex-gerente comercial entrou para a lista dos fornecedores essenciais dos organizadores de algumas das melhores cerimônias da cidade. Em troca de um cachê que pode chegar a 8.000 reais, garante pista cheia a noite inteira, fazendo os convidados chacoalhar fraques e vestidos longos noite adentro com um set list que mistura clássicos de Michael Jackson a sucessos recentes, como os petardos dos roqueiros do Kings of Leon.

A milionária Athina Onassis, o empresário Abilio Diniz, a modelo Isabella Fiorentino e a publicitária Gabriela Cordes, filha de um dos maiores usineiros do país, fazem parte da lista de clientes que recorreram aos serviços de Miltão, como ele é mais conhecido. “Respeito os gostos dos noivos para montar a lista de músicas, mas não toco axé, sertanejo e pagode”, avisa ele, cuja agenda está lotada até maio de 2012.

Milton Chuquer festa
Casamento em Sorocaba: Milton Chuquer garante a pista cheia a noite inteira (Foto: Rodrigo Rosenthal)

Antes de virar o Santo Antônio dos pickups, ele trabalhava na Malagueña, uma fábrica de azeite e azeitonas que pertencia ao seu pai. Nos fins de semana, gostava de animar bailes de amigos com sua coleção de cerca de 2.500 LPs. Depois de a empresa da família fechar as portas, foi convidado em 1998 por uma amiga para tocar numa festa de bodas de prata. A apresentação agradou e outras propostas acabaram surgindo, na base do boca a boca. “No começo, fiquei um pouco preocupado em levar a pecha de ‘DJ de casamento’, mas hoje lido com isso numa boa”, afirma. 

Casamento Isabela Fiorentino
Isabella Fiorentino: clássicos de jazz durante o jantar (Foto: Luciana Prezia)

Miltão não faz o gênero jovem-tatuado-moderninho das estrelas que animam raves e festivais. Aos 52 anos, tem idade para ser pai da maioria dos colegas de profissão. No horário de trabalho, prefere usar blazers de cores sóbrias e não tira a aliança da mão esquerda (é casado há 27 anos). Chega ao local do “expediente” carregando duas pastas com cerca de 350 CDs. Durante um tempo, tentou aposentar os discos usando os arquivos de um laptop. “Só que o micro travou bem no meio da noite, o que me fez passar por um vexame”, conta.

É claro que esse tipo de mancada representa uma exceção em sua carreira bem-sucedida. “O público que o procura é viajado, conhece música e sabe o que toca no mundo todo”, diz a promoter Marina Bandeira, que não pensa duas vezes antes de indicá-lo para grandes comemorações. “Ele não quer aparecer mais que a própria festa e sabe alternar os ritmos para não deixar cair a animação na pista.”

Abilio Diniz e Gabriela Cordes
Abilio Diniz (com a mulher Geyze Marchesi) e Gabriela Cordes: lista de clientes estrelados (Foto: Marina Malheiros e Luis Henrique Mendes)

Na união de Isabella Fiorentino com o empresário Stefano Hawilla, em 2008, tocou durante o jantar uma seleção de jazz, blues e soul com Billie Holiday, Eartha Kitt e Aretha Franklin. Horas depois, no ápice da balada, mandou uma versão ao vivo de “Where the Streets Have no Name”, do U2. “Todos os nossos amigos sabiam que aquela era a nossa música”, lembra a modelo. “Foi lindo!” Após a cerimônia religiosa de Patrícia Abdalla e Gustavo Foz, realizada em maio de 2010, bateu um recorde pessoal: foram sete horas de pista, num rega-bofe que só terminou às 6 da manhã. “O povo estava enlouquecido e eu também entrei na onda”, diz.

Fora desse circuito, ele já comandou o som de casas na cidade como a Royal e a Disco. Nesta última, criou recentemente uma noitada chamada “Like a Wedding” (“como um casamento”, em português), com o mesmo repertório de seus eventos profissionais. O clímax é um enlace fake que dura quinze minutos e simula a troca de alianças entre duas pessoas escolhidas aleatoriamente no meio da pista. É a forma divertida que Miltão escolheu para homenagear o gênero que o consagrou.

O Top Ten da pista

Os sucessos que fazem os convidados chacoalhar no salão

1º "The Ones You Love" – Meme Mix

2º "Dog Days Are Over" – Florence & The Machine

3º "Use Somebody" – Kings of Leon

4º "Hey Hey" – Dennis Ferrer

5º "Strings of Life" – Soul Central

6º "Lisztomania" – Phoenix

7º "Colors X Feel What You Want" – Alfredo Azetto

8º "Sun In My Eyes" – Myomi

9º "Live your Life" – Eric Morillo

10º "Black or White" – Michael Jackson

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO