Cinema

Distribuidoras apostam em alternativos e blockbusters para 2010

Entre festivais europeus e mesas cheias de roteiros, executivos do cinema escolhem o que você vai assistir ano que vem.

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O francês Jean Thomas Bernardini, da Imovision: convidado para mais de vinte festivais anuais (Foto: Veja São Paulo)

Existem duas formas de um filme chegar às telas paulistanas — por meio de uma distribuidora estrangeira ou de uma empresa independente daqui. Grandes estúdios internacionais, como Warner e Fox, possuem filiais no país e, através delas, o público tem acesso às grandes produções hollywoodianas. É o caso, por exemplo, da aventura-catástrofe 2012, da Columbia, um dos grandes blockbusters da temporada, que levou mais de 3,8 milhões de brasileiros aos cinemas. Nas distribuidoras menores, os donos apostam em seu faro para pinçar surpresas, seja em festivais, seja em películas em fase de pré-produção. Proprietário há 21 anos da distribuidora Imovision e, desde 2005, do cinema Reserva Cultural, o francês Jean Thomas Bernardini tornou-se um especialista em adquirir os badalados longas-metragens do circuito alternativo, cujos preços variam de 10 000 a 1 milhão de dólares. Convidado (muitas vezes com tudo pago) para mais de vinte festivais anuais, Bernardini é seletivo. Só bate ponto religiosamente nas competições de Cannes, Toronto e Berlim. Às vezes, vai também a Locarno (Suíça), San Sebastian (Espanha) e Roterdã (Holanda).

Nesses festivais são realizadas cerca de quarenta exibições diárias para compradores. Bernardini, que lançou 23 fitas em 2009 (uma delas foi a vencedora da Palma de Ouro Entre os Muros da Escola), assiste a no máximo quatro longas-metragens por dia. “Há sempre festas e drinques à noite e isso acaba prejudicando uma análise mais crítica na manhã seguinte.” Para ter lucro, Bernardini precisa atrair mais de 100 000 pessoas. Entre os êxitos da Imovision estão Dançando no Escuro (2000) e 8 Mulheres (2002), ambos na casa dos 200 000 espectadores. Bernardini, porém, amargou fiascos. O mais recente: Polícia, Adjetivo, drama romeno que conquistou só 2 000 paulistanos.

Mesmo com a mesa do escritório abarrotada de roteiros para avaliar, Marcio Fraccaroli roda o mundo atrás de atrações para os cinéfilos. Desde 2004, quando se tornou sócio da Paris Filmes, distribuidora na qual deu início à carreira, há trinta anos, Fraccaroli nunca deparou com um fenômeno como o de Lua Nova, em cartaz e passando da casa dos 4 milhões de espectadores. Uma amiga dele relatou o fascínio pelo livro Crepúsculo, do qual saiu o primeiro longa da série vampiresca. Fraccaroli leu, curtiu e foi em busca dos direitos de compra ainda com o filme no papel. “Gosto de me misturar à multidão na saída do cinema para saber a opinião das pessoas”, diz. “Mas o que conta na aquisição é a minha sensação, meu ‘feeling’.”

A Paris distribuiu quinze títulos em 2009 e projeta vinte para o próximo ano. Cansado de dar murro em ponta de faca, Fraccaroli desistiu, ao menos temporariamente, do terror juvenil e vê na comédia romântica o atual gênero preferido dos paulistanos. “É a mulher quem leva o homem ao cinema, e não o contrário”, avalia. Dos prometidos para 2010 estão A Estrada, com Viggo Mortensen, Baaria — A Porta do Vento, candidato da Itália a uma vaga no Oscar, e, claro, Eclipse, a continuação de Lua Nova, prevista para junho. “Esperamos conseguir 10 milhões de espectadores”, exulta Fraccaroli.

Fonte: VEJA SÃO PAULO