Meio Ambiente

Dia Mundial sem Carro quer tirar as pessoas de trás do volante

Dia Mundial sem Carro – 22 de setembro – foi criado há nove anos, na França, com o objetivo de promover uma reflexão sobre os males do uso excessivo dos automóveis

Por: Filipe Vilicic - Atualizado em

O Dia Mundial sem Carro – 22 de setembro – foi criado há nove anos, na França, com o objetivo de promover uma reflexão sobre os males causados pelo uso excessivo dos automóveis. Desde então, espalhou-se por cerca de 2.000 cidades, como Amsterdã, Bogotá e Toronto. São Paulo teve sua primeira versão em 2005. Após duas edições tímidas, organizadas pela Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente, o evento deste ano, que cai no próximo sábado e é encabeçado pelo Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade, fechará vias para atividades lúdicas e debates. Na Vila Madalena, por exemplo, a Rua Belmiro Braga deve ser interditada das 8 às 18 horas. Haverá apresentações teatrais, piqueniques e aulas sobre poluição, meio ambiente, saúde e trânsito. A programação completa está no site www.nossasaopaulo.org.br.

"Com as discussões, pretendemos provocar mudanças na cidade", afirma Oded Grajew, idealizador do movimento. "Queremos jogar luz sobre esse problema e elaborar planos e metas para solucioná-lo." Na data, será apresentada uma pauta de reivindicações que inclui pedidos como redução da toxicidade do óleo diesel vendido no Brasil, diminuição da poluição, melhoria do transporte público e implantação de ciclovias na metrópole. "Hoje, o carro é a maior doença urbana", diz Eduardo Jorge, secretário municipal de Verde e Meio Ambiente. "Ele produz poluição suficiente para diminuir a vida do paulistano em um ano e meio, contribui para o aquecimento global e causa cerca de oito mortes diárias por acidentes de trânsito e doenças respiratórias."

Os números são realmente preocupantes. De 2004 para 2006, houve um crescimento de 16% no número de carros que circulam na capital. Todos os dias, cerca de 500 veículos são integrados à frota. Hoje, há mais de 5 milhões nas ruas da cidade. Nos horários de pico, a velocidade média nas vias é de menos de 18 quilômetros por hora. Em 2006, 734 pedestres morreram atropelados e 289 pessoas foram vítimas fatais de colisões. No ano anterior, quase 50.000 paulistanos tiveram problemas respiratórios devido à má qualidade do ar. "Esse quadro crítico só será revertido quando pararmos de pensar a metrópole em função do carro", afirma o engenheiro mecânico André Ferreira, diretor do Instituto de Energia e Meio Ambiente. "Temos de investir em transporte público, reformar o espaço urbano e incentivar o uso de bicicletas."

Outra vítima dos automóveis é o ecossistema. Gases nocivos emitidos pelos veículos, como monóxido de carbono e hidrocarbonetos, afetam o ciclo de vida das plantas, que começam a florir antes do tempo. "Noventa por cento da poluição da cidade vem dos carros", conta Helio Mattar, presidente da ONG Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. "Essa é uma de nossas principais contribuições ao efeito estufa." Para quem quiser adotar a causa do Dia Mundial sem Carro e ainda se exercitar, a prefeitura promove a primeira Virada Esportiva de São Paulo. Entre 14 horas de sábado (22) e 14 de domingo (23), 230 locais vão sediar 400 programas, entre caminhadas, ciclismo, arvorismo, oficinas de vôlei... (confira algumas sugestões no quadro abaixo). Só não vale ir de automóvel.

Programas para fazer a pé

De basquete a truco, algumas sugestões de atividades da Virada Esportiva

• Magic Paula, estrela do basquete brasileiro, comanda, das 14 às 22 horas de sábado, uma peneira de onze modalidades esportivas, como atletismo, boxe e futebol feminino. Podem participar da seleção, no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (Avenida Ibirapuera, 1315, Moema), até 2 000 potenciais atletas.

• A NBA, a principal liga americana de basquete, promove uma disputa na marquise do Parque do Ibirapuera. Das 14 às 23 horas de sábado, trios de atletas se engalfinham na quadra. Para participar, é preciso se inscrever no site www.nba.com.br.

• Das 20 horas de sábado às 8 de domingo, ciclistas fazem um tour pela cidade. A largada será no Parque das Bicicletas, em Moema.

• A Vila Madalena será tomada por esportes típicos da boemia paulistana. No Beco do Batman, uma travessa da Rua Girassol, haverá disputas de futebol de botão, dardo e truco, das 18 horas de sábado às 8 de domingo. Já na Rua Aspicuelta, o grupo Orquestra Sanfônica promove um baile de forró que começa às 20 horas e vai até a meia-noite.

• No domingo, às 10 horas, o veterano jogador de xadrez Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, faz partidas simultâneas contra vinte desafiantes. Os competidores serão selecionados em disputas dentro das estações de metrô Largo 13, das 14 às 18 horas de sábado, e Jabaquara, das 20 à meia-noite.

• No sábado, às 16 horas, o baterista Ricardo Japinha, do grupo de rock CPM 22, promove uma pelada entre famosos no Estádio do Pacaembu. O público pode ver o jogo da arquibancada.

• O Memorial da América Latina, na Barra Funda, vai reunir adeptos dos esportes radicais. A partir das 14 horas de sábado, os prédios projetados por Oscar Niemeyer receberão oficinas de skate, tirolesa e alpinismo.

• No Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, deficientes físicos poderão fazer aulas de capoeira e de ginástica das 14 às 18 horas de sábado e das 9 às 14 horas de domingo.

Fonte: VEJA SÃO PAULO