Depoimento

Fôlego inesgotável

Ricardo Parente fala das surpresas provocadas pelo filho João Pedro, que teve uma paralisia cerebral

Por: Mauricio Xavier

Dia dos pais - capa 2230
Ricardo e João Pedro no Ibirapuera: passeios de bicicleta e de moto (Foto: Fernando Moraes)

“João Pedro nasceu prematuro, aos sete meses de gestação. Tivemos de fazer o parto após ser detectada uma inflamação do músculo do seu coração. Ele chegou com 1,7 quilo e, logo em seguida, perdeu muita água, ficou com quase metade do peso. Com 10 dias de vida, teve uma parada cardíaca que durou quarenta minutos, entre idas e vindas. O problema deixou como sequela a paralisia cerebral. Como eu era leigo no assunto, fui tocando um dia depois do outro, descobrindo na prática o que era isso e quais limitações o garoto teria.

Não adianta ficar se desesperando, porque cada médico fala uma coisa e acaba acontecendo exatamente o contrário do que todos previram. Já me disseram, por exemplo, que ele nunca iria conseguir se comunicar. E hoje ele não para de falar um minuto. É uma criança fácil de lidar, está sempre de bom humor.

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Acompanho com muito prazer o seu desenvolvimento. Por causa da dificuldade física, ele foi muito estimulado desde pequeno. Ele começou a fazer fisioterapia aos 6 meses de idade, por exemplo. Com 2 anos, já subia numa moto. É o que mais gosta de fazer. Não vê a hora de pilotar por horas seguidas em Mairinque ou em Itu, onde temos sítio e casa.

Também anda a cavalo. Viajou para Argentina, Uruguai, Chile, Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Turquia. Só da Disney é que não gostou. Digo de brincadeira que passear com ele é bom porque não precisamos pegar fila. É impressionante como respeitam a pessoa com deficiência em outros países. Por aqui continua muito ruim: prédios novos são erguidos com a calçada totalmente fora da norma.

Meu filho é bem resolvido, conversa com naturalidade sobre a deficiência. Está sempre buscando um desafio para superar, nunca se acomoda ou se entrega a alguma limitação. Às vezes, eu é que tenho de dizer ‘chega’ para ele se concentrar em algo. Acompanhá-lo dá muito trabalho físico, mas, em compensação, o prazer vem em dobro."

Ricardo D’Abril Parente, 43 anos, empresário, pai de João Pedro, 16, que teve uma paralisia cerebral

Fonte: VEJA SÃO PAULO