Paulistano Nota Dez

Ator e diretor criou cursos gratuitos de teatro para deficientes

Deto Montenegro, irmão do cantor e compositor Oswaldo Montenegro, montou espetáculos estrelados por cadeirantes

Por: Meriane Morselli - Atualizado em

Paulistano Nota Dez - Deto Montenegro
“Fico emocionado de ver quanto o projeto aumenta a autoestima e a sensibilidade deles” (Foto: Lucas Lima)

Os movimentos sincronizados, os belos jogos de luz e sombra e a naturalidade das atuações muitas vezes fazem os olhos deixarem de notar as cadeiras de rodas. Mas são dezesseis intérpretes com limitações de mobilidade que estrelam Noturno Cadeirante, uma adaptação para pessoas com essa condição do musical escrito pelo cantor e compositor Oswaldo Montenegro. Um de seus irmãos mais novos, o ator e diretor Deto Montenegro, 50 anos, é o responsável por levar ao palco a peça, que se divide em doze quadros e mescla poesia, cantoria e humor com acompanhamento ao vivo de oito músicos.

Em turnê comemorativa de dez anos, o espetáculo pode ser visto neste sábado (3), às 21h, e domingo (4), às 20h, na sede do grupo Oficina dos Menestréis (Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana). O ingresso custa 60 reais. O elenco reúne artistas como a bailarina e publicitária Julie Nakayama, 26 anos. Mesmo sem conseguir mexer os membros inferiores, ela se expressa bem com os braços e exibe uma impressionante desenvoltura nas cenas de dança.

Esse show é resultado de um dos cursos livres de teatro da Oficina. Carioca radicado em São Paulo desde 1991, Deto lidera o grupo, que oferece aulas gratuitas aos interessados. “Fico emocionado de ver como o curso muda o mundo dos cadeirantes. Mexe com a autoestima e a sensibilidade deles”, diz.

Ele ainda está por trás de outras cinco classes especiais e igualmente gratuitas oferecidas pela trupe: jovens carentes, idosos, pessoas com síndrome de Down, deficientes visuais e autistas. Os treinamentos, com duração de até oito meses, costumam ser viabilizados a partir de leis de incentivo fiscal. Se fosse pagar pelo serviço, cada aprendiz desembolsaria 250 reais por mês. “Quando não há patrocínio, a atividade ocorre mesmo assim. É muito bacana fazer o bem, do jeito que for”, afirma. Em média, 210 pessoas passam por esses projetos anualmente.

Fonte: VEJA SÃO PAULO