Turismo

Destinos inusitados e inesquecíveis

Paulistanos acostumados a curtir as férias mundo afora indicams lugares que todo mundo deveria conhecer.

Por: Milene Saddi Chaves - Atualizado em

Alpes Suíços
Michel Saad visitou Zermatt, uma estação de esqui na Suíça (Foto: Karl Weather/Corbis/Latinstock)

A sensação de voltar maravilhado de uma viagem de férias parece durar mais quando se recomenda o passeio a um amigo. Não foi diferente nas conversas com as onze personalidades ouvidas para esta reportagem. Dava para perceber na voz de Ana Paula Junqueira, por exemplo, quão especiais foram seus dias na Tailândia, que ela classifica como um lugar mágico. E a vontade de, ao lado do stylist Matheus Mazzafera, badalar na mesma pista de dança que estrelas de Hollywood, em Nova York? Pegue seu caderninho de anotações e confira os roteiros que, quem sabe?, podem ser sua próxima parada.

SUÍÇA CONGELADA NO TEMPO

“Tinha 18 anos quando fiz uma viagem que ficou na memória. Meu pai me levou a Zermatt, uma estação de esqui na Suíça, fora do circuito turístico. Ao contrário de Courchevel, na França, um destino de inverno bastante conhecido, o lugar dificilmente recebe turistas que não são europeus.Os hotéis oferecem carruagens e carros elétricos para os hóspedes, mas fazer tudo a pé é mais charmoso. Tive a impressão de que o tempo havia parado

— como a cidade é tombada, as casas têm arquitetura bem antiga. Só quem tem nacionalidade suíça pode ter propriedades ali. Como se fosse uma escultura, a montanha Matterhorn é vista de qualquer canto da estação. Fiquei no hotel Mont Cervin Palace, onde são servidas uma espetacular fondue e a comida local do Valais, a raclette. Um bom passeio: sair bem cedinho, atravessar a fronteira (não esqueça o passaporte!) e esquiar em Cervinia, na Itália, outra estação pequena, mas secundária. Na volta, degustar destilados locais como grappa ou génépi. A palavra que define o lugar é: exclusivo.”  Michel Saad, DJ e empresário

A MINHA ÁFRICA

“Por apresentar um programa de turismo, conheci setenta países em três anos. Em nenhuma dessas viagens tive experiência parecida com a do Zimbábue, na África. Fiquei hospedado no Pamushana Lodge, na reserva Malilangwe, no sudeste do país. Para chegar lá é preciso pousar em Johanesburgo, na África do Sul, pegar um avião do hotel por duas horas e encarar mais quarenta minutos numa estrada de terra. Valeu a pena. Fiquei numa villa construída sobre uma rocha, com piscina particular, lareira, cama com cobertor de pashmina e decoração com motivos africanos. O serviço era impecável, assim como a cozinha, gourmet. Comi camarões tão grandes quanto uma lagosta! Em um enorme lago artificial vivem hipopótamos. Um dos passeios é andar de barco para vê-los de perto. Há um sem número de atividades desse tipo — de caçar escorpião a chegar perto de hienas. Fiquei a 50 metros de elefantes e rinocerontes, vi cachorros selvagens. Tudo absurdamente extravagante e emocionante.”   Álvaro Garnero, apresentador de televisão

 

Pamushana
(Foto: Divulgação)

 

SABORES ÁRABES

“Meus pais moram no Líbano, onde eu também vivi e para onde adoro voltar. O país é pequeno e parece careta, mas há cada vez mais lugares modernos, como a boate B018, em Beirute. Desenhada pelo reconhecido arquiteto Bernard Khoury, é subterrânea e tem teto retrátil. Gosto de descobrir os melhores lugares para comer, já que a culinária é o ponto alto. Na histórica região do Solidaire fica a loja Rifai, que cheira a especiarias. Não saio sem comprar meio quilo de pistaches iranianos e 5 quilos de pó de café — feito no Brasil, mas muito mais gostoso, porque é tipo exportação. Zahle, a quarenta minutos de carro de Beirute, fica no Vale do Bekaa. Lá, gosto de ir ao

Monte Alberto, um restaurante no alto de um morro que gira, lentamente, 360 graus. Dessa forma, como enquanto aproveito a vista das montanhas. Na mesma região, estão as ruínas de Baalbek. Em julho, acontece ali um tradicional festival de música — de árabe a eletrônica.”  Hussein Jarouche, empresário

 

Ruínas de Baalbek
(Foto: Gavin Hellier/Corbis/Latin Stock)

 

SUSPIROS NO FRIO

“A convite de uma colecionadora de arte, aterrissei em Reykjavik, a capital da Islândia, em janeiro, pleno inverno, quando a temperatura média fica em -1ºC e o sol dura, no máximo, quatro horas. Apesar de gelada e pequena, a cidade é atualizada. Achei bem contemporâneo o 101 Hotel, em que me hospedei. Chega a lembrar a decoração do designer Philippe Starck. A culinária faz jus ao passado viking do país: é comum ver cabeças de cervídeos assadas ou carne-seca de baleia — lá a caça é permitida. Como sou vegetariana, eu me contentei com os cozidos de cereais dos restaurantes Lokjarbrekka e Prir Frakkar Hja Ulfari. A Blue Lagoon é uma lagoa de água sulfurosa, de cor azul leitoso. Sua temperatura varia entre 35º e 40ºC e os islandeses tomam banhos ali, com todo o gelo em volta. Fui — e adorei — participar daquela cena surreal. Mais: dá para pegar um barco e ir ver baleias ou alugar um carro para visitar gêiseres. É um lugar que arranca suspiros e exclamações o tempo todo.”  Isabella Prata, diretora da Escola São Paulo

 

Blue Lagoon
(Foto: Layne Kennedy/Corbis/Latin Stock)

 

SABORES DE UNA

“Fui a trabalho para a Fazenda da Lagoa, em Una, que fica 40 quilômetros ao sul de Ilhéus, na Bahia. O que seria mais um jantar virou paixão. Volto sempre para descansar com a família, por uns cinco dias. As acomodações, com bastante madeira e palha, são refinadas. Há catorze bangalôs para 7 quilômetros de praia e um coqueiral incrível, que fornece água de coco fresca ao hotel. Ir até a lagoa, visitar os manguezais do Rio Una, pescar e pegar onda no mar são meus passeios preferidos. Termino o dia com uma massagem relaxante. Agora, bom mesmo é aproveitar a cozinha regional: cuscuz de milho e coco, queijo, banana-da-terra, acarajés e moquecas impecáveis, além de cocada com sabor de maracujá. Outra delícia são os chips de batata-doce, que ficam espalhados pelo hotel. Existe maior luxo do que tomar suco de acerola olhando para o pé de onde a fruta foi colhida? Antes de ir, ligo para encomendar robalo, galinha caipira e caranguejo. Tudo é muito bem preparado, mas eu mesmo, de vez em quando, entro na cozinha. Cozinhar é uma delícia; trabalhar é que é chato.”  Alex Atala, chef

 

Fazenda da Lagoa
(Foto: Divulgação)

 

PANO PARA CAFTÃS

“Fui recebida com música típica e uma pulseira de jasmim natural, feita a mão, assim que cheguei ao resort Amanpuri, em Phuket, na Tailândia. Fiquei numa das villas, com quatro bangalôs, piscina e vista para o mar, de arquitetura e decoração tradicionais. Tínhamos um chef à disposição 24 horas por dia, que cozinhava peixes, rolinhos primavera e noodles bem apimentados ou saladas de camarão e mamão verde para comer com suco de mangostão. A paisagem da Ilha de Phi Phi, a sudeste de Phuket, já foi bastante usada no cinema. É linda, perfeita para um passeio de barco. O trabalho manual é precioso. Nativos decoram até os troncos das árvores, recobertos com tramas de folhas e flores. Com uma amiga que me acompanhava, comprei sedas maravilhosas e um costureiro local criou caftãs para nós. Foram dez dias preenchidos por aulas de pilates, ioga ao ar livre

e massagens. Um lugar mágico.”  Ana Paula Junqueira, ongueira

 

Amanpuri
(Foto: Divulgação)

 

PAZ NO VIETNÃ

“Poucos brasileiros têm costume de ir ao Vietnã. E menos ainda a Phu Quoc, ilha ao sul do país, com praias lindas, menos badaladas, aonde só vai gente bacana. Fiquei no Dong Khoi, um hotel pequeno e charmoso, com oito bangalôs — nem existe na internet. Fazia diariamente massagem tailandesa e ayurvédica ou máscaras de manga. O cardápio é saudável e delicioso. Comi noodles de semolina, vegetais, rolls e wraps temperados com coentro e sucos de gostos exóticos, como gengibre com aipo e maçã. Nha Trang, no continente, tem mais infraestrutura. Fiquei hospedada no Evason Ana Mandara, a duas horas do aeroporto. Havia um mordomo à minha disposição, que fez e desfez minha mala, um cardápio de travesseiros (para escolher o tipo de pluma do recheio) e um libreto com passeios nada óbvios: visitar uma plantação de bambu, conhecer um campo de arroz, ir a cachoeiras e aprender a fazer incenso.O hotel conta com um Six Senses Spa, de uma cadeia famosa na Ásia. Aproveitei o que pude!” Vanda Jacintho, estilista

 

Nha Trang praia
(Foto: Steven Vidler/Latin Stock)

 

UM LUGAR, VÁRIOS MUNDOS

“Na China, o mais antigo e o mais moderno dos mundos coexistem. Em 2001, fui a Xangai e vi gente andando de liteira na rua, ‘quilhões’ de bicicletas e, ao mesmo tempo, torres altíssimas. Fiquei numa delas, a Jin Mao Tower, com 421 metros. O Grand Hyatt ocupa do 53º ao 87º andar do prédio. A recepção fica no 60º! O bar, Cloud 9, com linhas art déco, ocupa o último piso. Não há experiência parecida com a de estar ali, com 360 graus de vista (a foto foi tirada de uma de suas janelas). Comi muito bem no M on the Bund, em frente ao Rio Huangpu, que tem influência da cozinha francesa e excelente carta de vinhos. No T8, a comida é mais moderninha. A ShanghART Gallery expõe os artistas contemporâneos que custavam muito pouco na época e hoje são caríssimos — trouxe uma escultura de Shi Yong chamada The New Image of Shanghai Today, 2000.”  Washington Olivetto, publicitário

 

Jin Mao Tower
(Foto: Marcus Nrandt/AFP)

 

CAPRI NO CAPRICHO

“Todo ano passo dez dias em Capri, onde sempre me hospedo no Grand Hotel Quisisana, o mais tradicional e bem localizado, no centro da pequena ilha. Adoro sentar na varanda do quarto, no fim de tarde, e pedir um sgroppino, bebida feita de sorvete de limão e vodca, parecida com um frozen. A bordo de uma lancha antiga, que alugo na praia, passeio pelo mar, nado e vou até a baía de Nerano, no continente. Ali, aporto direto no badalado Lo Scoglio, onde peço um linguine com abobrinha. De volta a Capri, desço do barco e, na piazzetta, a praça central, tomo um sorvete de chocolate com Nutella. À noite, pego um táxi e sigo para o Da Paulino, onde se come embaixo de limoeiros, ao ar livre — o aroma das frutas inspira a pedir um espaguete com... limão-siciliano. Para passar o dia: vá a pé até a praia La Fontelina, que fica a uns quinze minutos do centro. Daí é alugar um colchonete, acomodar-se sobre as pedras, pedir um vinho rosé e curtir até a hora em que bater a fome. Depois dessas férias, volto a mil.”  Donata Meirelles, executiva de moda

 

Grand Hotel Quisisana
(Foto: Divulgação)

 

NOVA YORK DAS ESTRELAS

“Quem trabalha com moda fica sabendo com antecedência dos novos e bons lugares para ir. Com amigos do meio, como a modelo Alessandra Ambrosio, tenho ido comer steak tartar no Le Caprice. Já vi muito a Anna Wintour (editora-chefe da Vogue americana) e sua turma no Monkey Bar, que tem um linguado ótimo. Subimos com frequência até a cobertura do hotel Standard, onde fica o QT — mais conhecido por seu antigo nome, Boom Boom Room — , um ótimo lugar para pedir mojito antes de sair para dançar. Melhor pista: a da 1Oak, boate cheia de rostinhos hollywoodianos. Lindsay Lohan e Leonardo DiCaprio adoram. Já a Avenue é recheada de jet setters. No West Village fica o Bar Pitti, badaladíssimo, de preço acessível, com comida e garçons italianos. Cruzo com pelo menos dois superfamosos, Nicole Kidman e Giorgio Armani entre eles, a cada visita.”  Matheus Mazzafera, stylist

 

QT - Boom Boom Room
(Foto: Karine Basilio)

 

CARIBE SEM CARTEIRA

“Nas minhas viagens, preciso encontrar algo que não tenho no dia a dia: tempo. Para isso, não há melhor lugar do que praia. Como adoro o Caribe (já fui lá mais de dez vezes), fico fuçando na internet, descobrindo novos

lugares para visitar na região. Meu último achado foi o lindíssimo Arquipélago de Turks e Caicos. Passei cinco dias em Parrot Cay, uma das quarenta ilhotas do conjunto, toda tomada pelo resort Como. Fui recepcionada

por funcionários simpáticos demais. Pensei: ‘É a Ilha da Fantasia, só falta o Tattoo. Vou odiar’. Que nada. É um lugar enorme, silencioso, onde nunca se vê muita gente, feito para ficar de biquíni o dia todo. Pôr roupinha arrumada? Só se for para jantar num dos dois restaurantes, em que não se entra de bermuda. Sonho até hoje com a batata frita do bar da piscina, digna de comer de joelhos. Curti o mar, fiquei largada na piscina, corri pela ilha. O spa Shambhala, do hotel, só tem funcionários balineses. Ia todos os dias ao cair da tarde e estava sempre lotado. Só coloquei a mão na carteira na hora de fazer o check-out.”  Bia Aydar, publicitária

 

Parrot Cay
(Foto: Divulgação)

Fonte: VEJA SÃO PAULO