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Os destaques da mostra 'GIL70'

Entre as obras da exposição que homenageia Gilberto Gil estão Corações a Mil, de Adriana Calcanhotto, e Hexagrama Essa É pra Tocar, em que qualquer um pode virar DJ

Por: Livia Deodato - Atualizado em

Gilberto Gil - Gil 70
O cantor Gilberto Gil, com vários artistas, no encerramento do Phono 73. Foto compõe a exposição GIL 70, no Itaú Cultural (Foto: Acervo GG)

Gilberto Gil completou 70 anos de vida e cinquenta de carreira em 2012. Imagine tudo isso posto em vídeos, imagens, entrevistas, obras, perfomances, arte digital e, principalmente, músicas. Esse foi o trabalho curatorial realizado pelo poeta e designer gráfico André Vallias, com a colaboração do pesquisador e ensaísta Frederico Coelho e da arquiteta Nelci Frangipani, que resultou na bela mostra GIL70, no Itaú Cultural.

Nos dias 19 de janeiro e 2 e 9 de fevereiro, sempre às 14h, a exposição vai oferecer visitas educativas ao público, para apresentar de forma lúdica aspectos conceituais das obras. Serão 20 vagas disponíveis por dia e as inscrições devem ser feitas com 30 minutos de antecedência na recepção do Itaú Cultural.

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Em três andares, o público pode conferir uma parte significante da história pessoal e profissional do músico, compositor, cantor, poeta, ex-vereador e ex-ministro. Destacamos algumas das obras mais interessantes da exposição, confira:

Corações a Mil

GIL 70
Corações que se desdobram em mil: criação de Adriana Calcanhotto (Foto: Bel Pedrosa)

Adriana Calcanhotto criou uma arte digital sobre a canção Corações a Mil, de Gil. Um coração vermelho pulsa na tela e, conforme o visitante se aproxima, ele é desmembrado em mil outros corações, ao som da música-tema. Se a pessoa se afasta, os corações vão sumindo novamente e o volume da música diminui, até o silêncio total - e o coração vermelho, sozinho, voltar a pulsar.

Hexagrama Essa É pra Tocar

GIL 70
Obra da mostra que tem potencial para virar hit (Foto: Bel Pedrosa)

Essa arte digital interativa, criada por Daniel Scandurra, Ariane Stolfi e Gabriel Kerhart, tem potencial para virar o grande hit da mostra. Trechos de canções e frases ditas por Gilberto Gil aparecem num monitor, que pode ser manipulado por qualquer visitante: é possível sobrepor até seis músicas e frases e sentir-se DJ ou autor de uma nova obra da exposição.

Oriente

GIL 70
As teias da aranha de Jarbas Jácome (Foto: Bel Pedrosa)

A canção Oriente ganhou uma ilustração digital, de Jarbas Jácome, semelhante a uma teia de aranha, projetada sobre a parede e uma tela escuras. A canção, cuja letra diz "se oriente, rapaz/ pela constatação de que a aranha/ vive do que tece", é tocada na sala conforme o movimento dos visitantes. Assim como a teia de aranha projetada, que gira por toda sala de acordo com os passos de quem entra e sai.

Todo Dia Vinte e Seis

GIL 70
Os dias 26 foram substraídos na obra de Lenora de Barros (Foto: Bel Pedrosa)

"Como todos vocês/ eu faço tudo igual todo dia vinte e seis", diz a letra de Vinte e Seis. Lenora de Barros montou um calendário desde 1942, entre meses e anos alternados, subtraindo o dia 26: é o único dia que, em vez do número, aparece um quadrado vazado.

Tristes Trópicos

O poeta Augusto de Campos ilustrou com recursos visuais o seu poema Tristes Trópicos. A cada personalidade citada - Brigitte Bardot, Charles Chaplin até chegar em Gilberto Gil -, uma foto correspondente é mostrada, em alta velocidade. Diz Augusto sobre o trabalho: “o poema foi escrito em 1969, em homenagem ao Gil, quando ele e Caetano estavam exilados. Eu pretendia publicar, mas não tinha onde. 'A lei…ora a lei' é uma frase muito conhecida de um discurso do Getulio Vargas, com a qual o ditador exibia o seu desprezo pelas leis do país. Era uma mensagem bem apropriada para identificar as arbitrariedades da ditadura militar que tomara conta do país, entre elas a prisão e expulsão de Caetano e Gil”.

Kaya n'gan Daya

GIL 70
O tríptico Kaya n'gan daya (Foto: Bel Pedrosa)

O artista Luiz Zerbini é autor do tríptico (três painéis ligados por laterais dobráveis) que tem como tema a música que deu nome ao álbum de 2002.

Fonte: VEJA SÃO PAULO