JUSTIÇA

Desembargador do Carandiru insinua que imprensa é financiada por crime organizado

Julgamento que condenou policiais pela chacina foi anulado pelo TJ-SP no dia 27 de setembro

Por: Estadão Conteúdo

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O desembargador Ivan Sartori: "ninguém se dignou a comentar decisão em sua inteireza" (Foto: Ernesto Rodrigues/AE/VEJA)

Uma semana após votar pela absolvição dos 74 PMs acusados pelo massacre de 111 presos no Carandiru, em 1992, o desembargador Ivan Sartori, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), criticou a cobertura dos jornais sobre o caso em seu perfil no Facebook e insinuou que parte da imprensa e das organizações de direitos humanos é financiada pelo crime organizado. O julgamento que condenou os policiais foi anulado pelo TJ-SP no dia 27 de setembro. 

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"Diante da cobertura tendenciosa da imprensa sobre o caso Carandirú [sic], fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos. Note-se que o voto (decisão) foi mandado para os órgãos de imprensa e ninguém se dignou a comentá-lo em sua inteireza. Estão lá todas as explicações da anulação e tese da absolvição", afirma Sartori. 

Massacre do Carandiru
Janelas da Casa de Detenção de São Paulo, do Complexo do Carandiru, com faixa de protesto pela morte de 111 presos do Pavilhão 9, em 5 de outubro de 1992. (Foto: André Penner)

O post foi publicado pelo desembargador na tarde desta terça-feira, 4, com o título "Quando a Imprensa é Suspeita". No texto, Sartori defende sua decisão e critica também o trabalho de acusação do Ministério Público. "A Justiça não pode fazer milagre quando lhe é apresentado um trabalho acusatório absolutamente falho. Que pode algum assassino ter agido ali no meio dos policiais, não se nega. Eu sempre ressalvei isso. Mas, qual é ou são eles? Esse o problema. O Ministério Público não individualizou. Preferiu denunciar de 'baciada', como disse um dos julgadores", escreve o desembargador.

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Discussão

Na semana passada, o desembargador já havia discutido com usuários do Facebook que criticaram sua decisão. O magistrado votou pela absolvição dos policiais, no dia 27, mas seus colegas optaram por anular os cinco júris que condenaram os Pms. A decisão foi duramente criticada por organizações nacionais e internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a entidade, a anulação "manda uma mensagem preocupante de impunidade".

Fonte: VEJA SÃO PAULO