Perfil

Dermatologista Jardis Volpe é o queridinho entre as celebridades

Nome em alta no mercado, médico fatura 250 000 reais por mês investindo na técnica da luz fracionada e em promoções para os famosos

Por: João Batista Jr.

Jardis Volpe Claudia e Gabriela
Jardis Volpe entre Gabriela Pugliesi e Claudia Raia: pacientes famosas (Foto: Mario Rodrigues)

Bruna Lombardi recauchuta no consultório dos Jardins, de tempos em tempos, a região dos olhos e a pele. Claudia Raia aparece por múltiplas razões, entre elas para estimular a produção de colágeno no rosto. Neymar pôs seus sagrados pés no local ao longo de oito meses em 2012 para combater o excesso de acne e manchas — os publicitários estavam se queixando de ser obrigados a fazer muitos retoques de Photoshop no visual do craque. Até mesmo quem aparentemente está com tudo em cima nas redes sociais faz visitas frequentes. Além dos agachamentos e dos suplementos, como o whey protein, o arsenal de Gabriela Pugliesi, quem diria, conta com aplicações de laser para tonificar o abdômen.

Ficar na sala de espera da clínica do dermatologista Jardis Volpe, nos Jardins, é como uma versão ao vivo de um programa de TV que cobre a vidadas celebridades. Há desde a fina flor de artistas da Rede Globo, incluindo nomes como Carolina Ferraz e Maitê Proença, até quem está a anos-luz de ser famosa de verdade, como a empresária Sylvia Design, que se veste de Mulher-Gato nas propagandas de TV de sua rede de lojas. Entre anônimos e celebridades, a clínica fatura 250 000 reais por mês, atendendo em média oitenta pacientes por dia.

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Jardis Volpe - Consultório
Jardis Volpe em sua clínica, nos Jardins: rompido com a irmã Kátia, também médica (Foto: Mario Rodrigues)

Filho de uma comerciante de roupas de grife e de um pecuarista com negócios em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Volpe ganhou fama, fortuna e a inveja da concorrência ao apostar forte em duas estratégias. A primeira delas envolveu o investimento em novíssimos tratamentos a laser para fins variados. Enquanto muitos colegas de profissão continuam fazendo dinheiro com a aplicação de toxina botulínica, o Botox, ele passou a importar máquinas de luz fracionada de países como Alemanha, Coreia do Sul e Estados Unidos. “Há dez anos, emprestei 85 000 reais da minha mãe para comprar meu primeiro aparelho”, lembra. “Paguei em seis meses.” Hoje, conta com um conjunto  de vinte equipamentos do tipo que consumiu mais de 3 milhões de reais em investimento. Em paralelo, afirma ter reduzido bastante as aplicações de Botox. Há alguns anos, decidiu contratar uma psicóloga para ajudá-lo a demover sua clientela da vontade de aplicar a substância.

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Jardis Volpe - Tabela 2
(Foto: )

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Outra estratégia importante para torná-lo conhecido foi atender famosas, muitas delas com descontos e regalias. O tratamento para elas varia de 100% “na faixa” à cobrança apenas do valor de custo do procedimento. Em um mercado altamente competitivo — há 2 500 dermatologistas no Estado de São Paulo, metade deles na capital —, isso representou sucesso na certa. As estrelas começaram a se multiplicar rapidamente no endereço. Neymar, por exemplo, podia frequentar a clínica às 7 da manhã, horário em que o local normalmente está fechado. Maria Fernanda Cândido, que mantém o rosto impecável com a ajuda de alguns descontos, desenvolveu uma amizade com o médico e retribui os agrados. Foi presente dela a poltrona da sala de seu consultório: um modelo da marca americana Herman Miller. “O Jardis tem a mão leve. Não sugere que façamos coisas que não combinam com o nosso estilo”, elogia Claudia Raia, paciente há sete anos. “Uma conhecida me indicou, fui lá e gostei”, diz Regina Duarte. “Ele aplicou vitaminas no meu rosto, e o resultado ficou natural.” Freguesa do lugar há cinco anos, Zilú Camargo se tornou devota. “Eu tinha a pele inchada devido a problemas de rosácea, que são pequenos vasinhos na face”, conta. Nos anos 90, a ex do cantor Zezé Di Camargo também fez o preenchimento definitivo chamado de metacrilato. “O Jardis deixou a minha pele mais natural.”

Jardis Volpe - Tabela 1
(Foto: )

Criado nos anos 60, o laser para fins estéticos passou a ser usado na metade dos anos 90. “No Brasil, começamos a utilizá-lo em 1997”, lembra Paulo Barbosa, dermatologista e coordenador do departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Mas os modelos mais antigos do equipamento tinham muitas limitações.” O tempo de recuperação, por exemplo, chegava a dois meses. De lá para cá, a grande revolução foi o lançamento do laser fracionado, em 2005, pelo médico americano Rox Anderson. Em intensidade variada, o feixe de luz passou a ser utilizado em regiões específicas. A parte que não foi “queimada” ajuda a recuperação da outra tratada, funcionando como um curativo biológico. Hoje, há aplicações em que a vermelhidão característica desaparece em menos de cinco horas.

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Uma das sensações do momento se chama criolipólise. A metodologia consiste em reduzir 22,5% da gordura do corpo. Com um cabeçote que emite temperatura média de zero a -10 graus, em regiões como flancos, barriga, braço e lado interno de coxa, o instrumento ataca as células gordurosas. Elas são destruídas e eliminadas pelo sistema linfático, sendo metabolizadas pelo fígado. O resultado promete aparecer após dois meses. O preço do procedimento vai de 2 000 a 20 000 reais. Fernanda Vasconcellos e Deborah Secco se submeteram à técnica. Outra novidade é o Voluderm, aparelho de 150 000 reais que “injeta calor” dentro da pele do rosto. Ele faz pequenas perfurações, aplica a radiofrequência e estimula o crescimento de ácido hialurônico natural. Sua função: preencher rugas e vincos. Cada sessão custa 1 500 reais. “O laser se popularizou tanto que muitos lugares compram máquinas ‘xingue-lingues’ da China e o resultado pode ser devastador”, alerta a dermatologista Luciana Conrado, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Enquanto o equipamento importado custa 250 000 reais, o genérico sai por 20 000 reais e não tem a aprovação da Anvisa. Corre no meio médico que alguns profissionais vão até o país asiático para trazer as geringonças na mala.

Jardis Volpe - Butão
Jardis Volpe: passa dois meses do ano fazendo cursos no exterior (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar de ser um nome respeitado pelos colegas, Volpe enfrenta alguns problemas com o Conselho Regional de Medicina justamente por uma de suas armas: a frequência de celebridades no consultório e a propaganda que isso gera para o seu negócio. Ele foi enquadrado na Resolução 1974/2011, segundo a qual o médico não pode citar o nome de pacientes nem de aparelhos que utiliza. O motivo da norma seria combater a “mercantilização” da medicina. Hoje, há pelo menos cinco sindicâncias instauradas pelo CRM por esse motivo contra o especialista. Ele mesmo já foi chamado à entidade para dar explicações e defender-se. Uma condenação por esse artigo pode resultar até na cassação da licença. Mas é algo raríssimo de acontecer. Ligia Kogos e Adriana Vilarinho, duas das principais dermatologistas do país, também enfrentam problemas semelhantes. “Nos últimos cinco anos, foram abertas 1 343 sindicâncias do gênero”, conta Lavínio Nilton Camarim, responsável pela Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos do CRM. O departamento tem como missão manter a ordem no que diz respeito ao comportamento da classe. “Dessas sindicâncias, 626 foram arquivadas, 441 estão em análise e 276 já viraram processo.” Em 70% dos casos, são ações que envolvem dermatologistas e cirurgiões plásticos. “Nós, os profissionais dessa área, somos perseguidos”, queixa-se Volpe.

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Embora esteja do mesmo lado das colegas do ramo nos enfrentamentos com o CRM, a coisa muda de figura na disputa pelo mercado da cidade. Aí, é guerra de bisturi entre ele e as outras estrelas da área. Um dos pontos de discussão envolve os procedimentos mais usados nos consultórios. “Meu amor, não dá para comparar laser com Botox”, diz Ligia, a rainha da toxina botulínica no país. Na clínica dela, um casarão do começo do século XX instalado na Avenida Brasil, são feitas mais de 200 aplicações de Botox por mês ao preço de 1 760 reais cada uma. “O que Jardis faz é diferente do que eu faço. Sei do trabalho dele, mas realizamos coisas distintas.” Volpe não deixa barato. “As dermatologistas que só trabalham com Botox estão paradas no tempo”, rebate. “Ninguém quer uma mulher com cara de ‘Fofão’.” Outra concorrente, que optou por não se identificar, é mais ácida na avaliação de seu trabalho. “Conheço o Volpe de ver suas fotos ao lado de artistas, e só”, desdenha. O especialista não se abala com o comentário. “As famosas gostam do meu trabalho, e não peço para elas falarem nada”, jura.

Jardis Volpe - Gravatas
Coleção de gravatas do dermatologista: modelos Louis Vuitton, Hermès e Tom Ford (Foto: Mario Rodrigues)

Com um tom de voz tranquilo e um visual que demonstra uma queda por cintos Hermès, gravatas Louis Vuitton e ternos Tom Ford, Volpe parece o tipo de pessoa que foge de uma briga. Uma queda de braço, no entanto, faz parte de sua trajetória profissional e familiar. Ele e a irmã, a também médica Kátia Volpe, formaram uma dupla por um tempo. Ela tinha uma clínica em Campo Grande, enquanto Jardis tocava o dia a dia de outra em São Paulo. Ambos trabalhavam juntos, até que romperam a relação. “Minha irmã queria manter mais de um consultório, eu achava que isso iria interferir na qualidade do trabalho”, limita-se a dizer. Tempos depois, Kátia abriu uma clínica em São Paulo no bairro vizinho ao do irmão e começou a disputar clientela. Com isso, a guerra se acirrou. Desde 2010, os dois não se falam. Procurada pela reportagem, Kátia não quis dar entrevista. “Prefiro não comentar questões pessoais”, escreveu por e-mail.

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Embora tenha apenas 37 anos, Volpe faz de si próprio uma cobaia. A cada quinze dias, aplica laser no rosto, tanto para estimular a produção de células novas quanto para apagar a cicatriz na testa, resultado de um acidente de carro em Nova York, em 2013. Também diminuiu medidas da cintura ao congelar gorduras e fez aplicação de vitamina para prevenir a formação do chamado bigode chinês. Formado em medicina na USP, costuma passar dois meses do ano no exterior fazendo cursos, em faculdades como Harvard. Nas férias, quase sempre embarca para a Ásia. “Conheço o Butão, o Vietnã...”

Jardis Volpe - Chá
Chás trazidos de países como Japão, China e Tailândia: dieta de zen budista (Foto: Mario Rodrigues)

Em seu apartamento de 190 metros quadrados, com vista panorâmica para o Parque do Ibirapuera, nos Jardins, há uma bandeja com algumas opções de uísque e vodca. Um Chivas 12 anos, por exemplo, é uma das únicas garrafas que não estão 100% cheias. “Por orientação do arquiteto, o Roberto Migotto, joguei fora um pouco do líquido para não ficar muito feio”, explica Volpe, que é abstêmio. Ele divide a casa com Nick, seu yorkshire de 2 anos. Assim como seu dono, o cachorro vive com uma dieta diferenciada, pois tem alergia a ração. Por isso, sua nutricionista (sim, o pet tem uma nutricionista) criou um cardápio que inclui peixe, cabrito e batata-doce. Volpe detesta balada, mas não costuma recusar convites para festas de suas pacientes, entre elas Adriane Galisteu e Maria Fernanda Cândido. No ano passado, comprou um apartamento em Miami, nos Estados Unidos, onde parte de sua clientela também tem imóveis. “Acho o local seguro, gosto de praia e encontro muitos amigos por lá”, afirma o vaidoso especialista na vaidade alheia.

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  • Peixes e frutos do mar

    Amadeus

    Rua Haddock Lobo, 807, Cerqueira César

    Tel: (11) 3061 2859 ou (11) 3088 1792

    VejaSP
    7 avaliações

    A chef Bella Masano mescla receitas introduzidas por seus pais, Ana e Tadeu Masano, com suas próprias criações. É o caso de um tentador camarão-rosa na companhia de arroz negro (R$ 138,00). O mesmo acompanhamento, feito dessa vez com vôngoles, torna-se par da pescada-amarela guarnecida de couve e cenoura (R$ 96,00). Antes, prove o mutante couvert (R$ 16,00, no almoço, e R$ 19,00, no jantar), que pode ser composto de pastel de camarão, polvo com abobrinha e berinjela com aliche, além de uma sopinha. Uma nota de doçura vem das texturas de coco (R$ 32,00), um trio de manjar na calda de caju, sorvete e cocada mole. Há também dois menus degustação, um a R$ 215,00 e o outro a R$ 255,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Franceses

    La Casserole

    Largo Do Arouche, 346, Centro

    Tel: (11) 3331 6283

    VejaSP
    4 avaliações

    Com tantos endereços franceses que ficaram pelo caminho, como o La Paillote, tristemente fechado em maio aos 63 anos, o Casserole segue inabalável. Contam para essa enorme vitalidade o comando seguro da restauratrice Marie-France Henry e a qualidade da cozinha. A clássicos como o filé au poivre (R$ 69,00) vieram se somar bem-vindas novidades como a deliciosa porção de moules frite (R$ 57,00), mexilhões cozidos num caldo aromático de ervas, vinho e creme de leite para ser saboreados com fritas gordinhas e douradas. Os profiteroles (R$ 28,00) encerram.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Um dos mais desajeitados e divertidos participantes do reality culinário MasterChef Brasil, cuja nova temporada começou a ser gravada no dia 13, Mohamad Hindi Neto faz a segunda edição de seu projeto Ocupação. O chef amador, que teve uma passagem pela cozinha do Beato, em Pinheiros, prepara a chamada sexy carrot (cenoura assada; R$ 2,00), o hambúrguer de quibe cru selado com coalhada seca, cebola-roxa, alfaceromana e o sanduba de barriga de porco com maionese de gengibre, farelo de torresmo e agrião no pão sírio (R$ 15,00 cada um). Serão produzidos 600 lanches. O valor de R$ 1,00 de cada sanduíche será revertido para a associação Filhos do Gueto. A partir das 13h30, os sorvetes Ben & Jerry’s vão ser oferecidos na faixa. Dia 25/4/2015.
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  • Chope e cerveja

    Noname Boteco

    Rua dos Pinheiros, 585, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 2329

    VejaSP
    5 avaliações

    A aparência desleixada, com paredes pichadas, faz parte da identidade do bar. Tocado pelos primos sul-coreanos Ryan e JaeKim, também donos da hamburgueria Butcher’s Market, o lugar é frequentado por uma galera que muitas vezes prefere a calçada ao salão na hora de beber. O acervo etílico se apoia em drinques tradicionais feitos no capricho, como apple martíni (R$27,00), negroni (R$ 27,00) ou mesmo um prosaico rabo de galo (R$ 25,00), mas hátambém o leve chope Amstel (R$ 9,00). Quando a fome bate, recorre-se ao escondidinho de carne-seca com mandioquinha (R$ 29,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Sem dúvida, o diretor Mauro Sousa (o oitavo dos dez filhos de Mauricio de Sousa) conhece muito bem os trejeitos dos moradores do bairro do Limoeiro. Na adaptação das tirinhas para o palco de Turma da Mônica — O Show, ele põe o carisma de Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento para rodar. Todos estão envolvidos em uma pequena trama, velha conhecida dos leitores dos gibis: mais um plano infalível de Cebolinha. Nem é preciso spoiler para intuir que, obviamente, a ideia vai dar errado. Para acompanhar o desenvolvimento da peça, canções sobre a personalidade das crianças são interpretadas ao lado de um time de bailarinos. Apesar de ter boas sacadas, a exemplo da divertida cena de Chico Bento interpretando o cantor Michael Jackson, o espetáculo escolhe ficar na zona de conforto e não tem nenhuma reviravolta. As falas e canções são completamente gravadas e nem sempre claras, o que tira um pouco a graça. No fim, porém, a simpatia dos personagens (e a nostalgia da plateia) garante o final feliz para a brincadeira de faz de conta.  Recomendado a partir de 3 anos. Estreou em 25/5/2015. Até 24/4/2016.
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  • Considerado um dos nomes europeus mais importantes do pós-guerra, o italiano Piero Manzoni (1933-1963) ampliou o conceito de arte com seu trabalho provocador e cheio de bom humor, que tem influências até hoje. Em sua criação mais emblemática (e polêmica), apresentou as próprias fezes enlatadas num museu — produzindo um choque semelhante ao provocado pelo urinol do francês Marcel Duchamp. O escatológico trabalho, que questiona o status da obra de arte, faz parte da mostra que leva seu nome no MAM. A seleção inclui também um balão com o sopro do autor e um pedestal sobre o qual visitantes foram convidados a subir e, dessa forma, transformaram-se em esculturas vivas. Ações que podem ser vistas como precursoras das performances, tão difundidas atualmente. Com trajetória consistente, apesar de curta — Manzoni morreu aos 29 anos, vítima de um infarto —, ele se propunha a desmitificar a autoridade do criador. Uma ruptura que não acontecia desde as vanguardas europeias, no início do século XX. Vale, no entanto, um aviso: quem não conhece sua história corre o risco de se perder diante dos objetos expostos, aparentemente banais quando observados fora do contexto. Falta à montagem oferecer ao visitante embasamento e explicações sobre a instigante discussão levantada por Manzoni. De 8/4/2015. Até 21/6/2015.
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  • Willys de Castro – Múltipla Síntese reúne 35 obras de diferentes fases do artista mineiro, entre elas trabalhos raros em que combinava figuração com cores e desenhos. Completam a mostra alguns Objetos Ativos, peças tridimensionais derivadas de pinturas, uma música composta em 1951 e estudos. De 27/3/2015. Até 30/4/2015.
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  • Daniel Alvim e Carolina Mânica são dirigidos por Fábio Assunção no drama escrito por JP Miller para a TV e adaptado para o palco por Owen McCafferty. O irlandês Donal é um jovem sedutor que, pouco antes do embarque para Londres, oferece um gole de uísque para Mona. Ela também vai tentar a sorte na Inglaterra. Os dois se apaixonam, se casam, têm um filho e os goles se transformam em doses, garrafas, crises e degradação. Os cuidados que colaboram para o sucesso da montagem passam pela direção de arte, iluminação e trilha sonora. Estreou em 20/3/2015. Até 28/6/2015.
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  • Um dos maiores nomes da cena contemporânea, o diretor inglês Peter Brook volta à capital depois de quatro anos para apresentar o espetáculo O Terno. Adaptada do conto do sul-africano Can Themba (1924-1968), a peça, que terá sessões no Sesc Pinheiros, mostra os efeitos de uma infidelidade conjugal. O terno citado no título pertence ao amante da mulher e é deixado para trás quando o marido os flagra. Logo, vira um fantasma a assombrar a traidora. Ela é torturada pelo parceiro, que a obriga a enxergar a roupa como uma pessoa, tratando de alimentá-la e levá-la para passear. No elenco estão os atores Cherise Adams-Burnett, Jared McNeill e Ery Nzaramba, além dos músicos responsáveis pela trilha sonora Jay Phelps (trompete), Harry Sankey (violão) e Danny Wallington (piano). Brook ainda assina a adaptação e a direção musical em parceria com Marie-Hélène Estienne e Franck Krawczyk. De 23 a 26/4/2015.
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  • Tradicional evento metaleiro criado na Inglaterra em 1980 e posteriormente espalhado pelo mundo, o festival tem uma relação de longa data com São Paulo. Foi realizado por aqui de 1994 a 1996 e em 1998, trazendo nomes de peso como Motörhead, Faith No More, Ozzy Osbourne e Slayer em uma época em que grandes shows internacionais eram bem mais escassos do que hoje na cidade. Em 2013, depois de quinze anos de hiato, o Monsters of Rock voltou a acontecer na capital, tendo Aerosmith e Slipknot como headliners. No próximo ano, São Paulo recebe mais uma edição do evento, a ser realizada nos dias 25 e 26 de abril na Arena Anhembi. O line-up completo já foi anunciado e conta com KISS, Ozzy Osbourne, Judas Priest, Motörhead, Manowar, Black Veil Brides, Rival Sons, Primal Fear, Accept, Unisonic, Yngwie Malmsteen e Steel Panther. Dias 25 e 26/4/2015. Ingressos à venda a partir de 19/12/2014, à 0h, em www.ingressorapido.com.br. Confira a programação por dia: Sábado (25/4/2015): Ozzy Osbourne, Judas Priest, Motorhead, Black Veil Brides, Rival Sons e Primal Fear Domingo (26/4/2015): Kiss, Judas Priest, Manowar, Accept, Unisonic, Yngwie Malmsteen e Steel Panther
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  • Ficção científica

    Chappie
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    Diretor de Distrito 9 e Elysium, o sul-africano Neill Blomkamp adora inserir mensagens políticas e filosóficas em suas tramas de ficção científica. Desde que bem trabalhadas, não há mal nisso. Em Chappie, no entanto, a fórmula soa pretensiosa demais. Criado pelo jovem e genial Deon (interpretado pelo inglês de origem indiana Dev Patel), o robô que dá nome ao filme nasce como uma criança, sem ter noção do mundo, e se desenvolve aos poucos, adquirindo movimentos e construindo a própria consciência. Como pano de fundo, tem-se uma África do Sul em estado de calamidade por causa do avanço da violência. Nesse futuro indeterminado, criminosos são perseguidos por robôs policiais produzidos em série numa indústria. Quem comanda a empreitada (e lucra alto com isso) é Michelle (Sigourney Weaver). Um Hugh Jackman robotizado, vestido como um turista no meio de um safári, dá vida ao ambicioso Vincent, funcionário da empresa cuja obsessão é criar uma máquina de guerra ainda mais potente. De coração mole, Chappie seria uma evolução na linha de montagem, um Robocop com alma. O projeto, porém, vai por água abaixo assim que a criatura é raptada pelos marginais Ninja e Yolandi (interpretados pelos rappers sul-africanos homôninos e cheios de estilo). Nos momentos mais divertidos do longa, Chappie aprende a soltar gírias, andar como um malandro e praticar assaltos. Mas, fazendo o mal, ele entra em crise. E Blomkamp embarca numa viagem rasa sobre moral e imoral, vida e morte. Estreou em 16/4/2015.
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  • Em seu segundo longa-metragem de ficção (e o primeiro lançado por aqui), a diretora Alice Rohrwacher, irmã da atriz Alba Rohrwacher (de A Bela que Dorme), mostra um invejável domínio dramatúrgico em roteiro de sua autoria. O drama As Maravilhas, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2014, remonta ao neorrealismo italiano ao enfocar uma família de humildes apicultores na região da Toscana. Casado com Angelica (Alba), o estrangeiro Wolfgang (Sam Louwyck) é pai de quatro garotas. A adolescente Gelsomina (Maria Alexandra Lungu), a primogênita, encarrega-se dos trabalhos mais pesados, além de ser a cabeça do clã e responsável pelas irmãs. Eles vivem em dificuldades financeiras vendendo mel em feiras e ganham a oportunidade de faturar uma grana extra hospedando um garoto delinquente em recuperação. Além disso, a sorte pode estar ao lado deles quando os produtores de um programa de TV, apresentado por Milly Catena (Monica Bellucci), chegam à cidade para escolher os nativos que melhor representam as origens e tradições do campo. Em registro naturalista, a realizadora monta um painel vivo de uma Itália afogada em sonhos e ideologias (personificada pelo pai) e, na figura de Gelsomina, à procura de saídas para emergir do buraco econômico. Estreou em 16/4/2015.
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  • Neste sábado (24) e neste domingo (25), o MIS recebe a segunda edição do Festival Path, com entrada grátis. Serão exibidos seis longas-metragens de países como Espanha e Argentina, além da pré-estreia do nacional Avanti Popolo, de Michael Wahrmann, escolhido como melhor diretor no Festival de Brasília do ano passado — a projeção está marcada para o sábado (24), às 17h15. Outra atração de peso é The Act of Killing. Indicado ao Oscar 2014 de documentário, o filme faz encenações recriadas por assassinos e torturadores de indonésios que morreram num genocídio em 1965. Haverá duas chances: neste sábado (24), às 14h, e neste domingo (25), às 20h.
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  • Em parceria com o Escritório de Quebec em São Paulo, o CCSP apresenta a mostra Cinema de Quebec - Panorama do Cinema Contemporâneo Canadense. Uma seleção de 13 filmes que destaca os diretores Xavier Dolan, Denis Côté, Jean-Marc Vallée, Denis Villeneuve, Kim Nguyen e ressalta a produção contemporânea e cinematográfica canadense em termos formais e estéticos. De 21 a 30/4/2015.
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  • Do Festival de Paulínia do ano passado, Casa Grande saiu com os prêmios do júri, ator coadjuvante (Marcello Novaes), atriz coadjuvante (Clarissa Pinheiro) e roteiro. É uma estreia na ficção de muita qualidade do também roteirista Fellipe Barbosa. A bela mansão do título, localizada no Itanhangá, bairro vizinho à Barra da Tijuca, pertence a Hugo (Novaes), um executivo do ramo financeiro desempregado. Vivendo de empréstimos dos amigos, ele se esforça para manter o padrão e a postura de patrão dos tempos de vacas gordas. O protagonista, porém, é seu filho, Jean (Thales Cavalcanti), um adolescente que procura entender a transformação do mundo à sua volta. Ele recorre ao colo da empregada (Clarissa) para desabafar e tenta conquistar uma garota a fim de diferenciar sexo de amor. O Rio de Janeiro dos ricos falidos e da classe média fica registrado numa história de situações triviais que ganha força nos embates familiares e sociais diários. Longe das favelas, lugar-comum no cinema nacional, e mais próximo do cotidiano carioca das telenovelas da Rede Globo, Barbosa traz à tona conflitos comuns e, por isso, de fácil assimilação. Estreou em 16/4/2015.
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  • Ainda é possível lançar um olhar sobre a II Guerra Mundial com originalidade? A resposta encontra-se em O Diário da Esperança, indicado pela Hungria para concorrer ao Oscar no ano passado. Na trama, conduzida com segurança e surpresas por Janos Szász, gêmeos de 12 anos (papéis de András e László Gyémánt) são enviados pelos pais para viver com a avó materna (Piroska Molnár). Lá, a dupla vai comer o pão que o diabo amassou. Amarga, ressentida e sem um pingo de afeto, a velha mora reclusa numa casa decrépita na área rural de um vilarejo e, não à toa, é conhecida como “a bruxa”. Inocentes, os meninos encontram uma nova realidade, que inclui trabalhos forçados, comida da pior espécie e vizinhos aproveitadores, além de bombardeios e mortes. A transformação dos garotos lembra a do personagem de Christian Bale em Império do Sol (1987). Antes frágeis e amorosos, eles ganham coragem no cotidiano violento. O diretor assume um tom frio e áspero para focar um trágico período da história sob a ótica dos pequenos sobreviventes. Estreou em 16/4/2015.
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  • Comédia

    Frank
    VejaSP
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    O irlandês Jon (Domhnall Gleeson) quer seguir carreira na música e, por isso, pensa ter ganhado na loteria ao ser convidado para substituir o tecladista de uma banda de rock alternativo. Levado pelo grupo a uma inóspita casa à beira de um lago para ensaiar, compor e gravar, o rapaz tenta conviver em harmonia com os parceiros. Entre eles o bipolar Don (Scoot McNairy) e a intragável Clara (Maggie Gyllenhaal). Mas Frank (Michael Fassbender) chama mais a atenção de Don. Líder e vocalista do conjunto, esse excêntrico sujeito não tira um cabeção de papel machê nem para comer ou tomar banho, além de revelar-se um compositor medíocre. O filme é dedicado ao comediante Chris Sievey (1955-2010), criador do personagem Frank Sidebottom, que fazia apresentações musicais com uma máscara semelhante à carregada na cabeça por Fassbender. Embalado em humor singular (entenda-se, para poucos) durante sua primeira hora, Frank ganha, nos percalços rumo à fama, contornos cada vez mais dramáticos. Por mais que traga vícios do cinema independente, trata-se de um refresco na filmografia americana, expondo, cuidadosamente, temas como depressão, distúrbios psíquicos e comportamento antissocial. Estreou em 16/4/2015.
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  • O drama biográfico O Dançarino do Deserto segue a trajetória do iraniano Afshin Ghaffarian (na fase adulta interpretado por Reece Ritchie), que, desde criança, teve inclinação para o balé. Ao chegar à universidade, em 2009, o jovem depara com um país tomado pela intolerância e fechado para as artes no governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad, então candidato à reeleição. O encontro com colegas de faculdade oposicionistas, em Teerã, dá esperança a Ghaffarian de realizar um sonho e montar uma companhia de dança clandestina. Junta-se ao grupo a bela Elaheh (Freida Pinto), que, embora boa profissional, é viciada em heroína. O filme apega-se a uma fórmula televisiva para mostrar um exemplo de superação em meio a uma nação fundamentalista. A apresentação final chega a encher os olhos, mas o roteiro envereda por situações polarizadas entre o bem e o mal. Também conta ponto negativo ao resultado a realização na língua inglesa. Estreou em 16/4/2015.
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  • Comédia dramática

    Saiba quais são os melhores filmes em cartaz

    Atualizado em: 8.Dez.2016

    O crítico Miguel Barbieri Jr. selecionou as produções mais bem avaliadas
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  • Não está certo

    Atualizado em: 17.Abr.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO