Esporte

Com medo, Dentinho e outros brasileiros decidem não voltar à Ucrânia

"Penso em minha esposa e filhos e por dinheiro nenhum do mundo vou arriscar a vida deles", afirmou ex-atleta do Corinthians

Por: Redação VEJA SÃO PAULO

A atual crise política vivida na Ucrânia se reflete também no mundo do futebol. Alguns dos jogadores brasileiros que atuam no Shakhtar Donetsk decidiram não voltar ao país por causa dos recentes conflitos, agravados após a queda do avião da Malaysia Airlines, derrubado por um míssil terrestre na última quinta (17), matando 298 pessoas.

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Entre os atletas está o ex-atacante do Corinthians, Dentinho, que atuou no alvinegro paulista de 2007 a 2011, além de Alex Teixeira, Fred, Douglas Costa e Ismaly. O time foi até a casa do Lyon, da França, no último sábado (19) para um amistoso no qual foi superado pelo placar de 4 a 1. Na volta para a cidade natal, Lviv, os cinco jogadores brasileiros optaram por não acompanhar a delegação.

A equipe conta com doze brasileiros no elenco. Além dos jogadores que não retornaram, estão o atacante Bernard, que representou a seleção na Copa do Mundo, Wellington Nem, Fernando, Taison, Ilsinho, Marlos e Luiz Adriano.

Por meio de um comunicado, o jogador Dentinho afirmou que a decisão foi tomada em acordo com seus familiares antes da reunião do grupo de brasileiros que atuam no time. "Queremos esclarecer que não temos nenhum problema com o clube. Mas, em virtude dos conflitos no país, estamos com medo e não queremos colocar em risco a vida dos nossos familiares e as nossas também", afirma o ex-corintiano.

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A conduta dos jogadores não agradou ao presidente do clube ucraniano, Rinat Akhmetov, que, por meio de um comunicado oficial, ameaçou os atletas. “Os jogadores têm contratos que são obrigados a cumprir. Se eles não voltarem, serão os primeiros as sofrer as consequências”, escreveu.

Os atletas continuam na Europa, mas, segundo a assessoria de imprensa que representa os jogadores, o destino ainda não foi confirmado. Dentinho destacou também que cada um deve tomar sua própria decisão. “Como chefe de família, penso em minha esposa e filhos e por dinheiro nenhum do mundo vou arriscar a vida deles. Espero que a decisão do clube vá na direção da melhor solução. A pergunta que eu faço é: Você mandaria seu filho neste momento para lá?”, concluiu.

Mesmo diante dos recentes acontecimentos no país, a Federação Ucraniana de Futebol não pretende adiar o início do campeonato nacional, marcado para começar na próxima sexta (25).

Fonte: VEJA SÃO PAULO