Crianças

Debochado, "As Feiosas" diverte e faz a garotada pensar

Em ritmo de discoteca, musical narra a história de um empresário que abre uma agência de mulheres feias

Por: Clara Nobre de Camargo

"As Feiosas"
Extravagância: visual anti-fashion rende boas risadas para a criançada (Foto: Mauricio Soares)

À primeira vista, as perucas malucas e as roupas extravagantes de As Feiosas causam estranhamento, mas logo se percebem as boas sacadas do musical. As canções de Chico César e as cores chamativas remetem à era da disco music retratada na novela Dancin’ Days, na qual brilhou o zombeteiro sexteto As Frenéticas. O deboche, aliás, permeia todo o espetáculo, em que as referências ultrapassam os anos 80. Basta olhar os figurinos geométricos e as maquiagens bizarras para lembrar de Lady Gaga e sua estética absurda — sobretudo na entrada do afiado elenco feminino em cena, com máscaras e dançando de costas.

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O visual anti-fashion e as músicas amarram o inteligente texto cômico de Marilia Toledo sobre a ditadura do belo. Na trama, Durandô (Marcelo Galdino), um empresário decadente do ramo de cosméticos, resolve abrir uma agência formada por um casting de mulheres feias, que servem para elevar o ego das clientes bonitonas. Bifum (Marcelo Dias), seu ajudante, recebe a tarefa de encontrar tais “modelos” para o novo negócio. Um invejoso repórter, interpretado por Carlos Dias, porém, quase põe tudo a perder.

Competentes, as atrizes se revezam em vários papéis, nos quais sobressaem as folgadas irmãs Elma (Daniela Cury) e Elga (Veridiana Toledo), além da top model esquisitona Fortunata (Nábia Vilella). O desfecho interativo, decidido pela plateia, complementa o programa. Mas o que mais chama atenção é ver as crianças na faixa dos 8 anos ou mais questionar conceitos de beleza na saída do teatro. Como se diz, “quem ama o feio, bonito lhe parece”.

 

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO