Saúde

Cidade no interior se mobiliza para salvar bebê com doença rara

Davi Miguel, de 10 meses, nasceu com síndrome que impede absorção de alimentos e precisa de transplante de intestino para sobreviver 

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

David Miguel
O bebê Davi Miguel, de 10 meses: síndrome rara põe sua vida em risco (Foto: Reprodução)

Os 339 000 moradores de Franca, na região norte do estado, estão se mobilizando para salvar a vida do bebê Davi Miguel Gama, de 10 meses, portador de uma doença rara. A criança nasceu com uma síndrome que impede a absorção dos alimentos e precisa de um transplante de intestino para sobreviver. Desde o parto, o bebê não ingere alimentos e recebe nutrientes nas veias, por isso é mantido na unidade de terapia intensiva do Hospital Regional.

No Brasil, a cirurgia para essa doença, conhecida como diarreia intratável, só é possível para crianças com mais de dez quilos, mas Davi pesa apenas seis e tem dificuldade para ganhar peso. Um hospital de Miami, nos Estados Unidos, se propôs a fazer a cirurgia, mas o custo é de 2,7 milhões de reais. Sem condições de bancar o tratamento, os pais, entraram na Justiça com pedido para que o bebê seja levado para o exterior às expensas da União.

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Família de Davi acionou a Justiça para garantir cirurgia nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

Em outubro do ano passado, o juiz Marcelo Duarte da Silva, da 3ª Vara Federal de Franca, determinou em liminar que o governo federal providenciasse a internação do bebê em Miami pelo tempo necessário à realização da cirurgia e o pós-operatório. A União recorreu e a liminar foi cassada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. O desembargador Fábio Prieto baseou-se em declaração do hospital americano de que o transplante só é possível depois de a criança atingir o peso mínimo de 7 quilos. A advogada da família entrou com recurso e aguarda julgamento. Laudos médicos indicam poucos meses de vida se não for tentada a cirurgia.

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Cavaleiros fizeram cavalgada no último domingo para arrecadar fundos (Foto: Reprodução)

No domingo (1º), centenas de cavaleiros se juntaram numa cavalgada em Pedregulho, cidade da região, para arrecadar fundos para o transplante. No domingo anterior, uma multidão saiu em passeata pelas ruas de Franca com o mesmo objetivo. Nas redes sociais, mais de 200 000 pessoas aderiram à causa da família de Davi. Em vídeo, o jogador Hernandes, da Inter de Milão, manifestou apoio à família do bebê, gesto repetido por outros famosos, como o craque de futsal Falcão e o jogador Cafu, pentacampeção pela seleção brasileira. 

Interessados em ajudar podem acessar a página "Movidos pela Vida - Davi Miguel" e obter mais informações. 

Caso Sofia

O caso do pequeno Davi tem um precedente: a família da menina Sofia Gonçalves de Lacerda, de Votorantim, região de Sorocaba, conseguiu na Justiça que o governo federal bancasse seu tratamento em Miami. A criança nasceu com Síndrome de Berdon, doença rara que impede o funcionamento do intestino, e aguarda doador para ser submetida a um transplante de seis órgãos, incluindo o intestino.

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Sofia, que está com os pais nos Estados Unidos desde julho de 2014, é a primeira na fila do transplante. A mobilização em redes sociais atingiu mais de 1 milhão de pessoas e resultou na arrecadação de 2,2 milhões de reais, dinheiro que custeia a permanência da família em Miami.

Fonte: VEJA SÃO PAULO