Cidade

“Falei no calor do momento”, diz rapaz de 17 anos que discutiu com vereador

Confusão envolvendo Darwin Ponge-Schmidt aconteceu durante reunião para discutir soluções para o conflito entre o Uber e os taxistas

Por: Pedro Henrique Tavares - Atualizado em

73bd409290d9c6ff571cfbc92aaf78c2
Confusão em reunião na Câmara: estudante de 17 anos precisou ser escoltado por policiais e guardas (Foto: Pedro Henrique Tavares)

Na noite da última segunda (10), Darwin Ponge-Schmidt, de 17 anos, transformou-se no personagem principal de uma confusão na reunião pública na Câmara Municipal que contou com a participação de taxistas e representantes do aplicativo que cobra por corridas particulares. Durante sua fala, o estudante foi vaiado e decidiu atacar: “Eu não recebo para defender o Uber, mas gostaria de saber quais vereadores e sindicalistas são pagos para criticar o aplicativo.” Rapidamente, o vereador Adilson Amadeu (PTB) levantou e criticou a atitude do rapaz, que deixou o local acompanhado pela Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana.

+ Agressor de motorista do Uber é identificado

Aluno de uma escola estadual de São Paulo, o rapaz que nunca utilizou os serviços do Uber afirma que foi até a Câmara “por livre e espontânea vontade” para apresentar seu “posicionamento sobre o caso”. Confira a entrevista com Ponge-Schmidt:

+ Polícia investiga mais uma agressão a motorista da Uber

Você foi convidado por algum representante do Uber para ir até a Câmara?

Ninguém me chamou para ir até lá. Fui por livre e espontânea vontade.

Você tem alguma relação com o Uber como insinuaram?

De forma alguma! Resolvi falar porque acredito no direito de escolha.

+ Agredidos por taxistas anti-Uber, repórter da Globo e marido desabafam na web

Você é usuário do Uber?

Nunca utilizei os serviços do aplicativo. Apenas acredito no direito que ele tem de existir. Costumo usar o transporte público para me locomover por São Paulo.

E táxi? Você costuma utilizar o serviço?

Uso muito pouco. Depois da confusão na Câmara, vou evitar ao máximo. Se precisar, vou chamar um carro do Uber.

+ Prefeitura usará Uber para flagrar motorista

Câmara Reunião
Reunião na Câmara: participantes discutiram o conflito entre taxistas e Uber (Foto: Pedro Henrique Tavares)

Após a confusão, você foi procurado por representantes da Câmara?

Não. E não pretendo aparecer por lá (na Câmara) durante um bom tempo. Também não devo comparecer na segunda votação da lei que proíbe o aplicativo, como havia planejado.

Ao ser retirado da reunião, você disse que foi ameaçado por taxistas e vereadores. Isso realmente aconteceu?

Na verdade, falei aquilo no calor do momento, porque me senti pressionado pelos taxistas que ficaram me chamando de mentiroso. Vou tomar cuidado.

Para onde os guardas levaram você? Como foi o dia seguinte?

Fiquei na delegacia da Câmara até o fim da reunião. Depois, me levaram em uma viatura até a entrada de uma estação do Metrô. Preferi passar o dia seguinte em casa. Não saí, pois fiquei com medo de represálias.

Como seus pais reagiram? 

Minha namorada ligou para minha mãe e contou o que havia acontecido. No início, ela ficou muito nervosa e preocupada, mas depois expliquei que tudo ocorreu porque outras pessoas haviam se exaltado com meu posicionamento.

+ Confira as últimas notícias da cidade

Eles apoiam a sua atitude?

Sempre me apoiaram. Mas, às vezes, meus pais acham que eu tomo algumas decisões sem pensar.

Fonte: VEJA SÃO PAULO