Noite

D-Edge inaugura três novos andares na Barra Funda

Clube dedicado ao eletrônico pertence ao DJ Renato Ratier

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

Renato Ratier - D-Edge_2193
Ratier, na nova pista da balada: ex-fazendeiro (Foto: Mario Rodrigues)

Desde criança, o filho de agropecuarista Renato Ratier tinha seu futuro praticamente traçado. Em 1991, em contato com as fazendas do pai, em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, foi cursar zootecnia. Aguentou, no entanto, apenas um ano. Nessa época, já produzia festas em que costumava atacar de DJ. “Sempre gostei de música. Todos os dias dormia ouvindo algo, de punk a canções clássicas”, lembra. Em uma tentativa de seguir com os negócios da família, o pai chegou a presenteá-lo com uma propriedade para que cuidasse do gado. Não era sua praia, mas serviu para que o garoto juntasse dinheiro até que desistisse da empreitada. Passou, então, uma temporada baladeira em Los Angeles, nos Estados Unidos. “Voltei cheio de ideias”, afirma. Uma delas era uma loja de roupas multimarcas — vaidoso, ele adora moda —, a outra, uma casa noturna. Em 2000, surgia a primeira D-Edge, em Campo Grande. Especializada em eletrônico e decorada com cores alegres, bombava nos fins de semana e serviu para levar o nome de Ratier para outros cantos do país. Sempre de passagem por São Paulo para discotecar, o DJ se entrosou com os personagens da cena noturna. 

D-Edge -  2193
O lounge do 3º andar: dois camarotes privativos (Foto: Mario Rodrigues)

Inaugurou a D-Edge paulistana em 2003. Dois anos depois, fechou a matriz e começou a se dedicar somente à casa daqui, conhecida pelos 200 retângulos de luz, além dos três painéis de LEDs verdes que se movimentam conforme o ritmo das batidas. Ratier conseguiu firmar a marca que criou nos cenários brasileiro e internacional. A D-Edge é a casa noturna que mais investe em atrações de fora do país. Todo fim de semana algum gringo se apresenta por lá. Também a carreira de DJ de Ratier levantou voo. Há seis anos ele realiza turnês pela Europa. Em um universo em que cinco ou mais sócios se tornaram número comum nas baladas, ele é proprietário único. “Dá trabalho porque tudo passa por mim, mas faço do meu jeito”, diz. 

D-edge 2 - 2193
Cores chamativas: a primeira D-Edge, em Campo Grande (Foto: Divulgação)

Para o dia 26, estava prometida a inauguração de uma esperada expansão da D-Edge, que conta agora com uma fachada de alumínio futurista. “Queria ter mais espaço, uma área para conversar e facilidade de entrada”, afirma Ratier. O 1º andar abriga doze caixas para pagamento e o antigo ambiente, que foi mantido intacto. Com vista para o Memorial da América Latina, outra pista, cheia de luzes no chão, nas paredes e no teto, ocupa o 2º piso. Subindo mais um lance de escadas, encontra-se um agradável lounge decorado com madeira. Nesse recinto, com capacidade para 180 pessoas, há dois camarotes privativos. Por fim, um amplo terraço repleto de cadeiras, onde podem rolar festas à tarde, acolhe os fumantes.

Na nova fase, a programação deve ser incrementada. As segundas, por exemplo, focadas em rock, contarão agora com bandas ao vivo. “Nosso sucesso será potencializado. Poderemos ter quatro cabines de DJs em atividade simultaneamente.” Nos planos futuros do empresário, figura ainda o lançamento de um novo espaço que receba shows. Hoje, aos 38 anos, casado e pai de dois filhos, Ratier fala com orgulho sobre seu clube-xodó no sofá de sua cobertura em Perdizes, que ostenta uma paramentada mesa de som na sala de estar. Quando perguntado sobre a nona posição que a D-Edge alcançou no ranking de melhores casas noturnas da revista especializada britânica “DJ Mag”, ele não titubeia: “Foi frustrante. Tinha de ser o primeiro lugar!”.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO