Filantropia

Sorriso escancarado

Curso gratuito de assistente de dentista forma sua primeira turma

Por: Giuliana Bergamo - Atualizado em

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Anselmo e Moacir Soares, Raquel Alvim e Cristina Trindade da Cruz (em sentido horário, a partir da esq.): estágio em consultórios (Foto: Fernando Moraes)

Até fevereiro deste ano, o sonho de Raquel Alvim era ser caixa de um supermercado no Jardim Brasil, na Zona Norte. Na mesma época, Cristina Trindade da Cruz, moradora da favela de Paraisópolis, trabalhava em uma lan house espremida entre barracos e, no Jaraguá, os gêmeos Anselmo e Moacir Soares assistiam à mãe rezar para que eles tivessem a oportunidade de cursar uma faculdade. Agora, tais realidades estão bem distantes desses garotos.

No próximo dia 17, eles e outros vinte jovens entre 16 e 19 anos receberão o diploma de assistente de saúde bucal — ou auxiliar de dentista, na prática. São alunos da primeira edição do curso oferecido gratuitamente pela Turma do Bem, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), criada pelo dentista Fabio Bibancos, que cuida do sorriso de artistas como Ana Paula Arosio e Marcello Antony. Todos os jovens estagiam em consultórios e têm vaga garantida em cursos superiores gratuitos na UniCastelo e na Faculdade São Marcos. “Nada de supermercado”, comemora Raquel. “Assim que me formar em gastronomia, pretendo abrir um negócio e vender comida para fora.”

Fundada há oito anos na Vila Mariana, a Turma do Bem nasceu para levar odontologia a populações pobres. Para isso, foi formada uma rede de dentistas voluntários que atendem gratuitamente em seus consultórios crianças com cáries severas e outros problemas bucais. Hoje, o projeto conta com 8 000 profissionais responsáveis pelo tratamento de 15 000 boquinhas em todos os estados do Brasil, Portugal e nove países da América Latina. No ano passado, surgiu também a ideia de recrutar pacientes que estivessem em idade de ingressar no primeiro emprego e promover um curso profissionalizante. “Quando recebi a carta em minha casa, achei que fosse pegadinha”, conta Anselmo Soares, que, em janeiro, ingressa no curso de enfermagem da Faculdade São Marcos. “Era muito para ser verdade: além das aulas diárias, alimentação e transporte.” Enquanto os formandos planejam seu futuro universitário e profissional, Bibancos pensa nos alunos de 2011. “Estamos estudando uma versão a distância para oferecer o curso em outras regiões do país”, conta.

Fonte: VEJA SÃO PAULO