Arte

6 críticas das exposições paralelas à SP-Arte

Confira a avaliação das mostras em cartaz em diversas galerias da cidade

Por: Julia Flamingo - Atualizado em

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A crítica de exposições da VEJA SÃO PAULO fala sobre as mostras paralelas à SP-Arte, que acontece entre quinta (7) e domingo (10), no Pavilhão da Bienal.

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  • Em plena Avenida Nove de Julho, uma casa construída na década de 50 pelo consagrado arquiteto Rino Levi acaba de abrir suas portas ao público pela primeira vez. Por trás da decisão está Luciana Brito. Depois de quinze anos instalada na Vila Olímpia, ela quis levar sua galeria para os Jardins, bairro com a maior concentração de endereços do gênero. Por acaso, bateu na porta da chamada Residência Castor Delgado Perez (o nome do primeiro morador) e encontrou um projeto modernista quase intacto, com jardins internos do paisagista Roberto Burle Marx. Após sete meses de negociação e quase um ano de restauro, o local tombado passou a receber visitas do time de profissionais representados pela galerista. A pedido dela, eles deveriam criar obras sob medida para os aposentos, em uma espécie de Casa Cor das artes plásticas. O resultado pode ser visto na mostra Residência Moderna, inaugurada há uma semana. Assinada pela gaúcha Rochelle Costi, a projeção do filme de uma bailarina de vidro é feita nas paredes de um armário original. Para o jardim, o mexicano Héctor Zamora montou uma instalação de correntes suspensas. No interior, ele apresenta uma bicicleta que carrega tijolos trabalhados — uma alusão aos paredões de cobogó (peças vazadas) espalhados por lá. A visita torna-se mais interessante a cada nova descoberta de um cômodo. Antes de sair, não esqueça de descer as escadas rumo à adega para conferir outro vídeo, da gaúcha Regina Silveira. No teto do ambiente, o visitante será surpreendido por uma imagem bastante curiosa. Até 21/5/2016.
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  • Ao contrário do que se pode pensar, espaços vazios podem dizer muita coisa. Para vários artistas, como Ricardo Rendón, eles podem significar muito mais do que se fossem preenchidos por desenhos e cores. Nos trabalhos do mexicano, pedras de mármore foram perfuradas em formatos circulares, de maneira que os buracos vazios deram às pedras uma aparência leve e delicada — adjetivos que, normalmente, não se poderia atribuir a tais objetos. As pedras foram dependuradas nas paredes da galeria por meio de cabos que sustentam duas funções: equilibrar os pesados blocos e, ao mesmo tempo, formar desenhos nos paredões do espaço. Em algumas instalações, as partes retiradas das peças são espalhadas pelo chão, como registros da ação anterior realizada pelo artista.
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  • Três recortes de jornal com fotos de Dilma Rousseff, Ollanta Humala e Michelle Bachelet, presidentes do Brasil, Peru e Chile, resumem a proposta da curadora Alexia Tala para a nova coletiva da Carbono Galeria. Pintados sem roupa pela artista peruana Sandra Gamarra, simbolizam a falta de credibilidade dos líderes em relação às suas nações. 9 de Agosto o el Traje del Emperador está entre as dez obras criadas especialmente para a mostra por artistas latino-americanos. O intuito é evidenciar diferentes pontos de vista acerca da religião, política e economia no continente. Como indica o título da exposição, a memória coletiva e pessoal é ponto de partida de cada um dos trabalhos. Melanie Smith, por exemplo, artista inglesa radicada no México, apresenta fotografias que relembram o episódio da Fordlândia, projeto mal-sucedido de Henry Ford de construir uma cidade industrial no Pará para extração e processamento de borracha, na década de 40. Já o chileno Alfredo Jaar se apropria da frase “I can’t go on, I’ll go on” (na tradução, não posso proseguir, eu vou prosseguir) do dramaturgo irlandês Samuel Beckett para produzir uma instalação luminosa. Ele remete ao sofrimento dos povos latino-americanos frente às ditaduras instauradas em seus países. Não deixe de ler o folheto da mostra, que deixa claro as intenções de cada obra apresentada.
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  • Desde o início de sua carreira, Iran do Espírito Santo dá grande ênfase á relação entre a obra de arte e a arquitetura. Seja intervindo diretamente em paredes de museus ou galerias, usando vidros e espelhos para provocar alterações na maneira como o espaço é visto ou brincando com diferentes escalas. Na mostra Fuso, o paulista apresenta três instalações desta mesma linha. No térreo da galeria, Base Fixa consiste em quatro parafusos presos a porcas e aumentados em dezoito vezes do seu tamanho real. Como delimitam uma área quadrada, é quase impossível não criar uma construção imaginária em cima dos objetos. No segundo andar, duas instalações se misturam: Cúpula é um objeto de cristal através do qual é possível enxergar a obra Fuso. São duas paredes pintadas com quarenta gradações de cinza: o efeito é impressionante.
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  • Na década de 1970, Antonio Dias foi apresentado a um papel artesanal que chamou tanto a atenção a ponto de lhe fazer atravessar o mundo para alcançar a matriz de sua produção, o Nepal. Chegando lá, mais obstáculos: o papel não era vendido em estabelecimentos comerciais. A busca pelo material prolongou a viagem para cinco meses de duração e configurou uma experiência existencial do artista, que determinou uma ruptura no seu trabalho. Nos dez anos seguintes, Dias usou o papel não como suporte para suas obras, mas como o trabalho em si. A eles, acrescentou formatos geométricos e cores como bordô, grafite e dourado. O paraibano de 72 anos é um dos expoentes da arte contemporânea brasileira e suas obras integram coleções de todo o mundo, como o MoMA, em Nova Iorque, e a Daros Collection, em Zurique, na Suíça.
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  • Na 29ª Bienal de São Paulo, em 2010,  Henrique Oliveira apresentou A Origem do Terceiro Mundo, uma instalação gigantesca em que convidava o público a passear dentro de um túnel formado por compensados de madeira, que montava o formato de uma vagina. Em 2014, no MAC, as lascas de madeira cobriram uma obra ainda mais extraordinária. Em Transarquitetônica, os visitantes vagavam por corredores que ocupavam uma sala de 1600 metros quadrados. Em sua nova individual, Oliveira decidiu ocupar o Anexo Millan com trabalhos muito menores, sem diminuir em nada a qualidade das produções. O artista segue sua pesquisa anterior, à exemplo da escultura de parede coberta de madeirite. Porém retorna às suas raízes de pintor, apresentando pinturas tridimensionais. Com um amontoado de papel machê, o mineiro faz com que camadas densas de cores pulem, literalmente, para fora da tela. Outras duas esculturas também se mostram improváveis: um grande galho dobrado no formato de “U” e um grosso tronco de madeira com um nó no meio. Difícil é entender como Oliveira consegue tal proeza.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO