Comportamento

Cosplayer: de carona na onda nerd cool

Está na moda ser um Sheldon Cooper na vida real. No embalo, praticantes de cosplay comemoram não serem mais vistos como esquisitões

Por: Pedro Katchborian - Atualizado em

Mônica e Maurício Somenzari - Nerds - Cosplay
Mônica Somenzari e Maurício Somenzari, fantasiados de Alexiel e Rociel, do mangá "Angel Sanctuary": nerds com orgulho (Foto: Renata Ursaia)

O termo “nerd” já foi muito atrelado àquele colega de classe esquisito, que sentava na primeira cadeira da sala de aula, adorava estudar e sofria com as brincadeiras dos outros. Mas isso é passado. Hoje, o termo tem status — principalmente por conta do sucesso da série “The Big Bang Theory” — e essa turma saiu do armário da escola, cheia de banca. Está na moda ser CDF, adorar “Star Wars” e saber tudo de informática.

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Uma das vertentes dessa turma tem ainda mais motivos para comemorar. São os cosplayers, grupo que se veste igual a personagens de filmes, animes ou desenhos e está, na hierarquia nerd, no topo da pirâmide. Há praticantes de cosplay em todas as partes do Brasil, que já é bem representado em competições ao redor do mundo.

Os irmãos Mônica e Maurício Somenzari são bicampeões do World Cosplay Summit, uma das maiores disputas de cosplayers do planeta. A dupla, em 2006, venceu o campeonato vestida de personagens do mangá “Angel Sanctuary”: Somenzari era o anjo Rociel e Mônica, o anjo Alexiel. No ano passado, os irmãos conquistaram o primeiro lugar com uma apresentação baseada no jogo Final Fantasy 12. O personagem escolhido pelo rapaz foi o de Balthier, enquanto a garota se vestiu de Ultima.

Somenzari comemora o fim do bullying com o nerd e brinca: “It’s the new black” (“É o novo preto”, expressão usada quando algo entra na moda). “Todo mundo se encaixa como sendo nerd em alguma coisa”, completa.

Vitor Mateus de Castro, 27 anos e cosplayer há dez, concorda. Competidor frequente nos torneios de cosplay, ele afirma que a visão pejorativa do nerd está é ultrapassada. “Ficou mais corriqueiro ouvir esse termo na forma de ‘geek’.” Para Castro, atualmente, há mais vontade de ser um Sheldon Cooper da vida real. “As pessoas desejam ser nerds.”

O cosplayer define ser nerd como quase um estado de espírito, “É ver o mundo de outra maneira. Quando não entendem alguma piada inteligente, por exemplo, o nerd é o que mais se diverte por só ele ter entendido.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO