Esporte

Corredores mirins

Incentivadas pelos pais, quase 17 000 crianças participam de provas na cidade

Por: Giovana Romani - Atualizado em

Foi dada a largada. Dez competidores percorrem os 50 metros de distância na pista de atletismo do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, rumo à linha de chegada. Eles vestem camiseta de tecido tecnológico e, nos pés, carregam tênis modernos paramentados com um chip que cronometra o tempo de cada um. Tudo normalíssimo, não fosse a idade dos atletas – crianças de 2 e 3 anos, participantes da categoria fraldinhas da 9ª Corrida Pão de Açúcar Kids, realizada no último sábado (11). Eventos esportivos desse tipo estão se tornando cada vez mais freqüentes na cidade. O calendário 2008 de corridas infantis já conta com doze provas e quase 17 000 participantes de 2 a 15 anos, divididos em categorias de acordo com a faixa etária.

Por uma taxa de 28 reais, os 3 200 miniatletas inscritos na prova do fim de semana passado ganharam camiseta e lanchinho (natural, claro). Entre os pequenos estava Sophia, filha da campeã olímpica Maurren Maggi. Aos 3 anos, a menina fez a boa marca de 19s69 nos 50 metros. "Não tem jeito, ela acompanha minha rotina e adora fazer exercícios", conta a saltadora. O incentivo dos pais atletas, cada vez mais adeptos da corrida, é o maior impulso para o interesse da garotada pela modalidade. "Trata-se de uma atividade simples, que não requer equipamentos nem horário marcado", diz a pediatra especializada em medicina esportiva do Hospital das Clínicas Ana Lúcia de Sá Pinto. "Mas é preciso respeitar as distâncias recomendadas para cada idade."

Abilio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, pratica esportes três vezes ao dia. "Aos 71 anos e com uma filhinha de 2, preciso manter a forma", conta ele, que, além de ir à academia, nada, corre e joga squash. O empresário faz questão de passar adiante o modelo de vida saudável. Rafaela, filha de seu casamento com Geyze Marchesi Diniz, brincou na categoria fraldinhas da corrida promovida pela empresa do pai. "Acho importante começar cedo", afirma Abilio. O pensamento é compartilhado pela empresária Joelma Rosinholi, que passa três horas diárias na academia. Seu menino mais novo, Nathan, de 4 anos, faz aula de iniciação esportiva e vai ao judô duas vezes por semana. "Mas tomo cuidado para não sobrecarregá-lo", conta.

Incentivar a prática de esportes desde cedo faz bem à saúde da criança e traz benefícios como a socialização, o respeito às regras e o aumento da auto-estima. Não se pode, entretanto, forçar a barra. É importante ficar atento à atividade mais adequada para cada idade (veja o quadro) e respeitar a vontade do pequeno. "A cobrança dos pais pode causar frustração no filho que não atinge o resultado almejado", explica o fisiologista Turíbio Leite de Barros. "Já vi casos de crianças que criam ojeriza ao esporte por causa disso." Na maior parte das corridas infantis, o chip que cronometra o tempo é só para fazer graça. Ao final de cada bateria, todos os participantes são premiados com medalhas. "Não queremos estimular a competição", diz Edgard José dos Santos, diretor da Corpore, associação que organiza eventos esportivos na capital. Entre as opções para os pequenos corredores há até uma versão mirim da São Silvestre, a São Silvestrinha, marcada para o dia 28 de dezembro.

Fonte: VEJA SÃO PAULO