Cinema

'Contos da Era Dourada': registro da Romênia sob o peso do comunismo

Comédia dramática do diretor Cristian Mungiu é um projeto coletivo dividido em seis episódios

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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'Contos da Era Dourada': tom surreal em situações comuns (Foto: Divulgação)

Desde que ‘A Morte do Sr. Lazarescu’ venceu a mostra ‘Un Certain Regard’, no Festival de Cannes de cinco anos atrás, o cinema romeno ganhou projeção internacional. Mas o sucesso veio em 2007, quando o mesmo festival outorgou sua cobiçada Palma de Ouro ao drama ‘4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias’, de Cristian Mungiu. De lá para cá, os paulistanos acompanharam a filmografia daquele país do antigo bloco socialista através de títulos como ‘A Leste de Bucareste’ e ‘Como Eu Festejei o Fim do Mundo’. Chega agora ao Reserva Cultural um momento mais leve e divertido da Romênia na perspicaz comédia dramática 'Contos da Era Dourada'.

Trata-se de um projeto coletivo capitaneado pelo diretor Cristian Mungiu. A ideia nasceu após uma exibição de sua fita anterior. Um espectador veio abordá-lo queixando-se: estava descontente com o rumo dos filmes romenos, mais próximos dos festivais que do público. Munido de ‘lendas’ recolhidas nos quinze anos da ditadura de Nicolae Ceausescu, presidente da Romênia desde 1974 até seu fuzilamento, em 1989, Mungiu escreveu o roteiro e escalou mais quatro cineastas para levá-lo às telas.

São seis episódios. Embora uns sejam mais afiados que outros, eles abordam, em tom surreal e tragicômico, como vivia o povo de lá sob o peso do comunismo. O primeiro conto enfoca um jovem casal às voltas com um golpe original cujo resultado é a lucrativa venda de frascos de vidro. Há também a história da mobilização de uma cidade para receber membros do Partido Comunista. Igualmente irônica, a derradeira trama cobre os percalços de uma família para matar um porco em seu apertado apartamento. Ao extrair graça da desgraça, Mungiu conseguiu, enfim, contentar o tal fã insatisfeito. Fez um longa ritmado, inteligente e mais popular sem deixar de rememorar na base da sagacidade aqueles amargos anos de chumbo.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO